pote de ouro

CALUM, 11 ANOS.

Suas mãos embalavam com cuidado uma xícara verde de porcelana, admirando-a. Não tinha nada de surpreendente nela, nem uma arte fascinante nem um design impressionante.

A xícara era simples, completamente verde e com a borda dobrada para fora em vez de ser reta.

Ela era simples, mas era um presente.

Ela era simples, mas era dele.

E isso significava muito para Calum.

Assim que a tocou, ele sentiu como se houvesse ganhado o mundo — um pequeno mundo, uma pequena casa, um pequeno gesto de conforto...

Calum deslizou os dedos pela porcelana, sentindo o material frio e as lágrimas quentes e anunciou com dificuldade:

—Esse é o melhor... — ele fungou, sentindo o sorriso que o seu rosto tinha impresso sem perceber, surpreendendo-se com a facilidade — presente... que eu já recebi.

Aquele presente, aquele gesto, significava que ele tinha um lar, que ainda existia pessoas que o amava e que...

Havia chovido, fazia sol, surgiu um arco-íris.

E Calum caminhava sobre ele. E no final existia um pote de ouro.

No final do arco-íris sempre tem um pote de ouro, pensou Calum não pela primeira ou última vez naquelas palavras.

Calum não ligaria que aquela sua xícara verde fosse seu pote de ouro — ela já valia mais do que qualquer outra coisa que tinha.