não vão sair

setembro, uma semana depois

—Vocês não vão sair — disse Kora, como se a ideia fosse absurda (e era), não acreditando no que seus olhos viam.

Calum e Luke... ambos estavam... ensopados. Pingando. Molhando seu carpete caro. Eles não possuíam guarda-chuva?

Chovia forte, muito, muito forte — Luke nunca tinha visto tanta chuva assim desde que sua irmã havia saído do hospital, no aniversário deles.

A chuva batia nas janelas com força, o vento passava ferozmente acima do telhado, podia ouvir os trovões perto e ver os relâmpagos longe, iluminando tudo.

E tinha as lâmpadas piscando.

A energia elétrica faltando e voltando.

Ou demônios iriam aparecer — Luke assistia sobrenatural e achava melhor se precaver e jogar sal nas entradas para impedi-los de entrar.

—Não — disse Calum, claramente sabendo seus pensamentos.

Luke deu de ombros.

—Não custa tentar.

—Vocês não vão sair — repetiu Kora, entendendo errado. — Está... chovendo. É perigoso. — E completou, não se achando convincente: — Liz me... os mataria.

Luke sorriu, porque, sim, essa era sua mãe e ela os mataria se soubesse disso. Se chegasse antes de Julie — sua irmã era uma irresponsável, mas tinha seus momentos responsáveis e de cabeça no lugar, e ela era de seguir as regras quando elas estavam lá para sua segurança e faziam sentido.

—Obrigado, mãe — agradeceu Calum, sorrindo. — Nós não vamos sair — concordou.

—Hã... — Kora estava surpresa por terem concordado com ela tão rápido e não havia pensado muito além disso. Sim, eles não iriam sair; sim, eles não iriam ouvi-la; sim, ela teria feito sua parte; sim, e agora? Ela suspirou. — Ok, tudo bem — disse para si. — É melhor vocês se secarem. Hum... — Kora franziu a testa, pensando. E o que mais? O que mais poderia fazer? — Vou fazer algo para vocês comerem. Quente. Embora não vá ser tão bom quanto você teria feito, Luke. Eu acho. Pelo que dizem.

Luke sorriu um pouco mais para ela. Ela estava tentando, ele via. Pela primeira vez, Luke via que ela tentava — tentava não estar naquele poço de autopiedade e desespero, tentava ser presente e ser a mãe que Calum merecia.

—Obrigado.