Pedaços Transformados
251 Não mentiu, não disse
não mentiu, não disse
setembro, uma semana depois
—Você está bem? — sussurrou Luke, temendo assustá-lo.
Calum estava sentado na cama rigidamente, as mãos apertando o lençol ao redor — Luke não conseguia ver a expressão de Calum, ele estava de costas para si, mas, mesmo no escuro, por causa da luz noturna (ele não tinha medo), Luke conseguia ver os contornos de Calum tremendo, tensos.
—Sim, sim — concordou Calum, dormente, distante. Concorde primeiro, veja se é verdade depois.
—Mesmo? — Luke soava surpreso, mas principalmente sonolento, e Calum pensou que o mundo girava e que não era justo mantê-lo acordado.
Ele sorriu um pouco cansado, mas não mal, não mentindo, não falando, e voltou a se deitar.
Luke levantou a mão e passou-a pelos cabelos dele, esfregando as pontas dos dedos contra a cabeca, e depois desceu pelo templo dele e aninhou a bochecha dele em sua mão, massageando-a.
—Você está bem? — questionou num murmúrio suave, seus olhos fecharam-se sem a sua permissão e sua mão agora mal se movia, apenas mantinha-se imóvel e quente acima da bochecha dele.
—Sim, sim — repetiu Calum. — Estou... não estou mal — ele falou a verdade.
Mas também não estou bem, ele não mentiu, ele não disse. Ele manteve para si.
Luke inspirou, expirou e dormiu.
Calum esperou por um momento, para ter certeza que Luke dormia antes de se afastar dele e da cama e da culpa, beijando-o delicadamente na bochecha antes de se afastar.
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