Pedaços Transformados

282 Melhor coisa do mundo


melhor coisa do mundo

outubro, duas semanas e dois dias

Luke abriu a porta e recuou alguns passos, fechando-a, olhando para o número na parede e para a porta, para ter certeza que estava no lugar certo, na sua casa, e não num universo paralelo.

Segundo sua irmã, universos paralelos abrigavam todos os "e se's" em e se's variados. Então se a parede da sua casa tinha a cor que ele lembrava-se da última vez, isso significava que aquela era sua mãe e sua irmã. No sofá. Com os pés sobre o centro. Próximas uma da outra. Comendo sorvete. Diretamente no pote.

Luke abriu a porta de novo.

—Hum — murmurou.

A visão ainda era impressionante.

Era algo que não podia acreditar.

Era algo que acontecia apesar dele não poder acreditar.

Era algo que ele perguntava-se como aconteceu, porque há alguns minutos, quando saiu para comprar gotas de chocolate para fazer biscoitos, Luke tinha deixado uma bem longe da outra. E agora elas estavam assim.

—O que aconteceu? — perguntou finalmente.

“Mamãe terminou com aquele patife” sua irmã movimentou apenas os lábios.

Liz enfiou mais uma colher de sorvete na boca.

—Foi melhor assim, querida — disse Julie verbalmente, passando a mão suavemente pelas costas dela. — Ele não era bom o suficiente para você.

—John não tinha o que eu queria — concordou Liz, com um suspiro e mais um pouco de sorvete.

—Você parece uma aproveitadora, mamãe — comentou Julie. — Ele não era rico o suficiente? — provocou.

—Você parece solitária — murmurou Luke para si, deixando suas compras de lado e sentando-se ao lado dela.

Terminar um namoro não era fácil... a menos que você Luke e a garota Lydia e eles nem se gostassem. Luke não gostava muito de John e não o odiava, quem tinha que gostar dele era sua mãe, e quanto eles estivessem felizes, John respeitasse-a, Luke ficaria igualmente feliz.

—É? — Liz sorriu, passando um braço ao redor dos ombros dele. — Eu não estou. Eu tenho duas das pessoas que eu mais amo no mundo aqui comigo. Só falta o Calum. Cadê ele? — perguntou, olhando ao redor, como se ele fosse aparecer de repente ou pular de trás do sofá.

—É, Luke, cadê o Calum? — sorriu Julie, arregalando os olhos inocentes enquanto os lábios curvavam-se num sorriso maligno.

—Não te interessa, Julie – murmurou Luke, mordaz, puxando a colher de sua irmã para si e pegando um pouco do sorvete de toffee.

Julie sorriu mais ainda, porque, sim, interessava.

Luke levantou a colher como se para lembrá-la de que não, eles não falariam sobre isso agora – Julie não poderia concordar mais.

—Mãe — disse ela. — Por que a senhora realmente terminou com John?

Liz inclinou a cabeça, repousando-a sobre a cabeça da sua filha e respirou, aspirando aquele cheiro doce e único que era tão somente dela.

—Porque ele não tinha o que eu queria — confessou. — E isso não era justo nem para mim nem para ele.

—Mãe — exigiu Julie. Essa não era a verdade. Ou talvez toda ela. De qualquer jeito, sua mãe achava que mentia.

—Filha.

—Diga.

—Dor de cotovelo — anunciou Liz, balançando a cabeça para si com “hum-hum”.

—Hum? — murmurou Julie, confusa. — Como assim?

Liz revirou os olhos.

—Ciúmes de Andrew.

—Papai está... — Julie parou e recomeçou: — Não está mais aqui.

—Na defesa de John — disse Liz — o ciúme era válido.

—Como assim? — questionou Luke.

—Quando se ama alguém — respondeu sua mãe, com uma pausa desnecessária e dramática — nada pode competir com.

—O que isso quer dizer?

—Não estou pronta para um relacionamento. Ou quero um. Agora. Eu percebo — disse ela pausadamente. — Andrew é a maior paixão da minha vida. É — repetiu Liz para mostrar que não se confundiu — e sempre será. Quando você ama alguém, nada pode competir. E, mesmo que ele não esteja mais aqui, eu... Eu ainda o amo. E namorar alguém quando amo outra pessoa desse jeito não é certo.

—Você sente saudades do papai? — perguntou Julie.

Liz assentiu.

—Todos os dias da minha vida.

—Você alguma vez se arrependeu?

—Não. Nunca. Bem, nunca também é um exagero. — Ela revirou os olhos. , Teve vezes que eu ficava com raiva e me perguntava o que tinha na cabeça para me relacionar com ele, mas então eu me lembrava ou ele me lembrava o quanto o amo.

Liz respirou suavemente, os lábios puxando num sorriso mais suave, perdida em pensamentos, em momentos quando Andrew era um idiota e ela o odiava e então ela percebia que era o seu idiota e o amava, porque era seu, porque era seu e ela podia amá-lo e odiá-lo com a mesma intensidade e honestidade.

Liz arrependia-se de muitas coisas a respeito de Andrew, mas ela orgulhava-se ainda mais de tê-lo em sua vida, de tê-lo com ela até que não pudesse mais.

Andrew era dela.

Ela era de Andrew.

E isso era algo que não se encontrava facilmente, que nada podia substituir, que não tinha como nada competir.

—Estou triste por não tê-lo mais ao meu lado — disse depois de um tempo. — E feliz por tê-lo tido. E ninguém nunca conseguirá substituí-lo. Quando você encontra alguém que se sente assim — começou Liz e Luke soube que aquela era uma frase para sua vida — você tem que agarrá-lo e nunca deixá-lo ir.

—Mesmo que ele não te queria do mesmo jeito? — questionou Luke.

—Existem várias formas de se estar com alguém, Luke – respondeu sua mãe, num tom conspiratório, contando uma verdade universal e ainda sim um segredo terrível. — Agarrar e nunca deixá-la ir significa estar ao lado dessa pessoa. Não importa se ela o veja do mesmo modo ou não. Amar alguém não significa ser amado de volta.

—E quando é?

—Quando é — Liz sorriu — é a melhor coisa do mundo.