Notas iniciais
Oi

mau caminho

maio, 2 anos atrás

—Controlem-se – pediu Michael, um pouco desesperado, quase se arrependendo de tê-los convidado...

Volte isso: Michael se arrependia de suas escolhas. Profundamente. Totalmente. Dolorosamente. Por que ele tinha tentado ser um bom amigo e decidido levá-los a uma festa? A. Primeira. Festa. Deles. Por quê? Ele devia estar louco...

Não, ele era.

Michael suspirou angustiado ao ver seus três amigos encarando-o em branco, como se não soubessem do que ele falava, como se fossem as pessoas mais comportadas da história – Michael queria relembrá-los do episódio da torrada, em que tudo saiu pelos ares.

— Por favor – suplicou. Os três piscaram, ignorantes ao significado daquela palavra. – E não me envergonhem – completo.u, esperançoso.

Julie zombou olhando-o de um jeito que o chamava de idiota (é claro que ele era um idiota!) e então puxou Calum atrás de si, porque eles (ela) tinham mais o que fazer do que quebrar o coração de jovens não inocentes, e Luke olhou para seu amigo, para dar as tristes notícias (ele odiava ser o portador do mal):

—Você deveria ter pensando nisso antes de nos trazer. Quer dizer, essa é Julie – apontou para a garota que cheirava duvidosa o ponche – minha irmãzinha Julie, ela adora fazer uma cena.

—E você vai ajudá-la no que ela pedir – resmungou Mike.

Luke não discordou – ele iria. Em parte porque seria engraçado e todo o resto que sobrava era porque ela era Julie, sua irmãzinha Julie, e ele não podia dizer não a ela. Às vezes ele tentava resistir; às vezes, como agora, nem se dava ao trabalho.

—Pelo menos você tem Calum – consolou, batendo a mão em seu ombro em consideração.

—Calum? – repetiu Michael, encarando-o chocado. – Você sinceramente acha que Calum vai se comportar? Ele já deve estar bêbado ou se agarrando com alguma garota por aí.

—Ele não...

Luke fechou a boca, porque não havia razão para dizer que Calum estava para meninos, completamente para menino, não para meninas, e porque ele não tinha o direito de contar sobre a sexualidade alheia. E não era da conta de Michael. E porque Calum não estava ao lado de Julie na mesa das bebidas. Onde ele estava?

—Ele não...? – incentivou Michael, levantando a sobrancelha.

—Michael – interrompeu Luke, virando-se para olhá-lo. – Você acha seriamente que Calum nunca bebeu na vida dele? Que Julie já não o levou para o mau caminho?

—É verdade – concordou Ashton, aproximando-se, limpando os lábios com o dorso da mão e fazendo uma careta ao ver a cor vermelho sangue desbotada e grudenta em sua pele. – Não sei de quem você está falando, mas é verdade. Julie totalmente levou quem quer que seja para o mau caminho. Aquela garota? – questionou, num tom... nem mesmo ele sabia se seu tom era impressionado ou enojado. Talvez alguma coisa no meio – Ela é...

—Um pedaço do mau caminho? – sugeriu Michael, conhecedor da causa. Ela totalmente era. Ele podia dizer isso só de olhá-la.

—O mau caminho completo – completou Ash, assentindo para si.

Luke revirou os olhos. Previsível. Previsíveis. Verdade. Julie totalmente era o mau caminho completo. E, se alguém podia dizer isso, era ele – Luke totalmente conhecia todos os desvios de maldade durante o caminho dela. Ou mais do que gostaria. Ou tanto quanto ela deixava amostra. Mas sua irmã ainda era seu bebê! Ele ainda tinha que defendê-la!

—Façam-me o favor e vão...

—Olhe a língua, Luke Zach Hemmings – avisou Julie, empurrando um copo para a mão dele. – Não me faça dizer a mamãe o que você anda fazendo com ela.

—Hunf – bufou ele. – Não me faça dizer o seu nome do meio – murmurou em retorno, levando o copo a boca.

—Hunf. – Julie o imitou, mas manteve a boca fechada enquanto olhava ao redor, interessada em qualquer coisa que não estivesse na sua frente. Ninguém podia saber o seu nome; ninguém podia saber o seu nome do meio e ter poder sobre ela. Ninguém.

—O que?! Isso não é álcool! – anunciou Luke, voltando-se para sua irmã.

—É claro que não! – negou Julie, falsamente horrorizada. – Eu nunca te daria uma bebida alcoolizada!

Luke não se surpreendeu.

—O seu tem, não é?

—É claro que sim. – Ela tomou um gole. – Eu nunca perderia a oportunidade de beber de graça.

Luke suspirou. Claro que sim, ele tinha se esquecido disso. Julie e seu vício por vinho, salve-se quem puder.

—Eu vou pegar um copo para mim.

—Mau caminho – murmurou Ashton, teatralmente, para Michael.

Dessa vez, Luke não discordou, embora quisesse, porque mau caminho seria se sua irmã tivesse trazido para ele, mas ela era muito egocêntrica para pensar em alguém além de si caso a situação não fosse crítica e de vida ou morte.

Embora... Julie não queria que ele morresse, lembrou-se Luke, porque se não arruinaria sua história de Rainha Fada. E, os piores maus caminhos, percebeu ele, eram aqueles que você escolhia estar – Luke totalmente entendia porque o inferno era pavimentado de boas intenções com uma dessas. Totalmente. Ele já estava cansado dessa totalidade, desses extremos, desses maus caminhos que insistiam em aparecer na sua vida.

(Ele não odiava nem um pouco.)