Pedaços Transformados

247 Do que você gosta?


do que você gosta?

setembro, três dias depois

—Você sabe que não é por mal que Julie faz isso, certo?

Luke suspirou, puxando suas pernas para cima e abraçando-as. Eles estavam sentados na entrada, esperando Julie... que já deveria ter chegado.

—Cadê ela? — perguntou Luke ao invés de responder.

—Ela foi para a casa de Ashton.

—Você não deveria impedir? Por causa da aposta?

Eu não deveria impedir?, pensou Luke.

Cansado, sua mente lembrou.

Oh, sim, cansado, concordou.

—Luke, querido — disse Calum, colocando a mão no coração, dramático. — Você não acha que temos tudo planejado? Estamos reservando na observação. Anne vai estar em casa. Agora responda.

—É, eu sei. É a forma estranha e estranha e três vezes estranha de Julie de mostrar que se importa.

—Você sabe — disse Calum. — Eu concordo com Liz. — E completou quando Luke o encarou sem entender: — Você não precisa decidir agora o que quer fazer.

—Como você soube?

Calum não sabia como responder — era como perguntar porque ele se apaixonou por Luke, ele sabia a resposta, ele sabia pelo que se apaixonou, do que gostava nele, mas não podia explicar porque. Por que Luke? Por que Luke e não... Não outra pessoa? Porque sim, porque parecia certo, porque o deixava feliz e ansioso e sedento por mais. Porque era o que era e nada e nem ninguém poderia mudar o que era.

—Eu gosto do fato de que vou fazer para alguém o que Andrew fez por mim — respondeu Calum, sinceramente. — Eu gosto de biologia, de ajudar os outros e acho que minha paciência com Julie deve ser reconhecida.

Luke riu. Deveria, ele concordava. Julie era uma praga, mas era a praga deles e ele ficava feliz de tê-la em sua vida, deles serem gêmeos.

—Julie gosta de estar certa — continuou Calum — de discordar e de contornar as leis, de encontrar brechas no que se diz. Do que você gosta?

Luke balançou a cabeça.

—Eu não sei.

—Você não precisa saber agora.

—Liz falou com você? — perguntou Luke. Estranhamente, parecia as mesmas palavras da sua mãe.

—Eu sou a voz da paciência! — exclamou Calum. — Eu tenho bons conselhos! E eu estava na dúvida também — confessou, empurrando-o com o ombro.

—Entre?

—Nada. Se o que eu queria fazia sentido, se eu realmente queria isso ou não.

Luke suspirou.

—A vida é difícil — comentou.

—Muito — concordou Calum. — A beleza está na superação das dificuldades.

—O que foi isso? — Luke riu, virando-se para rir mais um pouco. — Livro de autoajuda?

—Biscoito da sorte — respondeu Calum, sério, antes de rir junto. — Você está melhor?

—E você? — retrucou Luke.

—Eu estarei melhor quando comer o que me foi prometido. Carne suculenta, purê de batata maravilhoso e batatas fritas e não encharcadas no óleo... hum...

—Parece delicioso — comentou Luke.

—Isso é porque você ainda não provou a comida do nosso chefe de cozinha que serve clientes rigorosos. Vamos? — Calum levantou-se e esticou a mão para ele.

—Sim. — Luke aceitou, puxando-se para cima. — Mas antes vamos passar na casa de Ashton e pegar Julie. Se estou fazendo batatas fritas — declarou — ela está comendo-as.

—Hã-hã — concordou Calum. — Sim, claro, acredito em você. Estamos indo lá apenas por causa das batatas fritas, porque você não gosta de desperdiçá-las.