Pedaços Transformados
106 Acordou
acordou
LIZ, 34 ANOS. LUKE, 12 ANOS.
—Ela acordou – sussurrou Liz, com a voz rouca de choro. – Ela acordou – murmurou, sem acreditar. Uma semana desacordada, sem reação, e... – Ela acordou. – Liz finalmente chorou novamente. – Ela acordou, ela acordou, ela acordou... – repetiu num mantra sem fim e começou a rir e seu filho a acompanhou.
Julie tinha acordado.
Sua filha tinha acordado.
E...
Liz não podia acreditar.
Liz não podia não chorar.
Liz só podia comemorar, porque sua filha estava viva e tudo iria ficar bem, porque ela estava viva e o simples fato dela estar viva já significava que... estava bem.
(Liz esperava que ela estivesse.)
—Você já a viu? – questionou Luke, puxando o ar para dentro dos seus pulmões e tremendo com a emoção que sentia, a felicidade que lhe dominava, sem acreditar no que sentia. Era real? Era verdade? Luke não sabia se ria ou se chorava ou fazia algo no meio, entre um e outro, ele só queria estar lá agora, com Julie e sua mãe.
—Não – murmurou sua mãe, como se contasse a ele um segredo, como se lhe confessasse sua culpa. – Ainda não. Eu estava no refeitório e... – Liz fungou, esfregando os olhos. – Eu não estava com ela.
—Você está, mãe – discordou Luke.
—Ainda não – discordou Liz, feliz. Sua filha acordou, sua filha estava bem, e ela não estava sozinha. – Os médicos estão fazendo alguns exames básicos de rotina e assim que acabar eu vou poder vê-la.
—Certo. Nós estamos indo para ir – decidiu seu filho, e ela pode ouvir o sorriso em sua voz.
—Sim – concordou Liz, retribuindo o sorriso que não via, mas sentia. –Traga Calum também. E, querido?
—Sim, mãe?
—Eu te amo.
—Eu também te amo.
—Diga a Calum que eu o amo também.
—Eu tenho certeza que ele já sabe.
—Diga mesmo assim – cantarolou ela. Tão feliz, tão leve, tão viva. Triste, mas feliz. Cansada, mas leve. E viva, viva, viva.
Liz estava viva.
Luke sentia o mesmo.
Calum também sentiria, ele sabia.
E Julie.
Fale com o autor