Pedaços

1 Capítulo único.


Notas iniciais
E a boa filha à casa retorna~ Sim, pelo menos eu acho que estou de volta... Tanto tempo sem postar por aqui que eu nem sei o que esperar e se devo esperar alguma coisa :') Esta foi realmente uma one-shot que eu amei escrever, de verdade. Está pronta há tanto tempo... E ficou lindo *~* Bem, eu gostei, e espero que vocês gostem também. E sim, essa foi a primeira fic que escrevi em primeira pessoa do começo ao fim. Bem, eu realmente não tenho mais o que dizer aqui em cima, apenas... Boa leitura! (; Nos vemos nas notas finais~ ~MUITO IMPORTANTE~ P.S.: Preciso me esclarecer um pouco aqui... SIM, essa era para ser o final de "Unsaid", fic que escrevi e postei aqui ano passado. Claro, se "Unsaid" não tivesse tomado um rumo completamente diferente... :'D Para ser ainda mais clara: "Unsaid" era para ter terminado em seu capítulo 3 e depois eu postaria essa como um futuro. Bem, não vou complicar mais as coisas. Isso é só.

Olá, me chamo Sakura.

Desde quando eu era criança eu não entendia muitas coisas que mesmo depois de muitos anos eu continuaria não entendendo. E talvez fossem coisas que eu realmente não deveria entender ou mesmo saber.

Eu tive um pai e uma mãe, os melhores que poderiam existir. Mas a minha família era muito maior que isso, porque tive tios, que embora não possuem o mesmo sangue, eram os melhores que eu poderia ter. E era uma mistura louca e confusa, mas a melhor mistura.

Eu cresci rodeada por todas essas pessoas, e eu tinha laços fortes com cada uma delas. Meus pais? Um homem alto e ruivo e uma mulher de cabelos rosados: Taiga e Satsuki. Os tios que eu mencionei? Eram todos amigos de meus pais, cada um com cabelos de cores diferentes. Sim, eles eram bastante conhecidos por serem membros da Geração dos Milagres. Os melhores jogadores de basquete que aquela geração iria possuir. As melhores pessoas que você teria o prazer de conhecer.

Um desses meus tios era um amigo de infância da minha mãe, um homem alto, moreno e de cabelos fortemente azuis. Exteriormente ele possuía uma carranca permanente, mas interiormente era uma das pessoas mais gentis que poderia existir.

Como criança eu realmente não entendia as coisas, mas como tal eu percebia muitas outras coisas que talvez muitos não notavam.

Eu tinha um carinho muito grande por ele, talvez porque ele me parecia muito frágil e vulnerável, embora ele não deixasse parecer. Mas acredito que eram as pessoas que não percebiam, ou não queriam perceber. Eu sempre achava os adultos muito complicados, muito distantes, talvez superficiais. Quando eu crescesse, eu, de fato, entenderia muitas coisas e outras mais.

Muitos momentos da minha vida tiveram a presença do tio Daiki. De alguma forma ele sempre estava por perto. E em muitas ocasiões eu notava uma distância imensurável dele com o mundo. Ele era distante de si mesmo. Às vezes expressava sorrisos tão tristes. Por vezes possuía um olhar amargurado, profundo. A distância dele me chamava a ficar por perto, como se eu precisasse fazer algo, como se ele necessitasse da presença de alguém, da minha presença. Eu não entendia. Mas eu estava ali. E ele estava ali também.

E eu entenderia anos mais tarde. Entenderia que aquilo era solidão. Que era falta. Era vazio. Era saudade. Era, realmente, tristeza. Uma tristeza profunda que morreria com ele.

Daiki era policial. Embora fosse um prodígio do basquete, por algum motivo ele deixou o esporte. Havia sempre a incerteza do amanhã, vivia sempre sob risco de morte, participando sempre de missões e muitas de alto risco.

Agora eu entendo, que ele transformava todas as incertezas, todas as preocupações e todos os sentimentos ruins, em carinho. E todo o carinho ele dirigia a mim. De alguma forma estranha ele me amava como a uma filha e eu tinha um carinho enorme por ele, como o carinho de uma filha por um pai.

Mas ele não era meu pai. E ele desejava que fosse.

Porque ele não teria filhos. E não teve.

Eu saberia mais tarde, e hoje eu sei, que havia muitos motivos, sempre há muitos motivos, e que havia apenas duas pessoas pelas quais ele daria a vida. Minha mãe e eu. A mulher que ele mais amava e o anjo que ainda o mantinha na Terra.

Demorou anos até que eu fosse capaz de entender tudo isso, para que eu fosse permitida a saber de muitas coisas.

Porque Daiki havia deixado uma carta para mim. Porque ele sabia da minha alta percepção, porque ele sabia da minha curiosidade. E porque ele queria que eu soubesse, e porque era necessário que eu soubesse, que eu entendesse.

Sim, ele morreu em um acidente após realizar alguma missão muito importante. Morreu cedo, jovem e fisicamente forte. Mas a vida chega ao fim. Para uns cedo, para outros mais tarde. Mas o fim sempre vem.

A carta chegou a mim por meio do tio Kuroko. Daiki havia lhe entregue a carta horas antes de sair... Recebi a carta no cemitério e só quando cheguei em casa é que fui capaz de lê-la, ainda com medo, ainda com tristeza, já com saudades. Perdi mais que um tio, perdi um amigo de uma vida inteira. O melhor amigo que eu teria em toda a minha vida.

Quando eu ainda era uma criança, eu fiz a ele uma pergunta interessante e, para mim, muito importante. Na época eu não entendi bem a resposta que ele havia me dado. Entenderia depois, o quanto a vida é efêmera, finda, finita.

— Tio Daiki, você vai ficar comigo para sempre?

Ele respondeu com um ar de riso, mas muito suavemente:

— Sempre é uma palavra muito forte, querida. A eternidade é muito tempo. Mas eu ficarei com você até quando me for permitido ficar.

O conteúdo da carta era altamente explicativo. E ele disse cada motivo, cada sentimento, cada dor, cada sorriso. Ele me disse tudo o que podia. Tudo o que era preciso que eu soubesse, tudo que era preciso que ele dissesse. Ao ler a carta eu percebi que o amor que ele sentia era muito maior do que a mera menção da palavra amor. Porque ele sofria todos os dias. Porque ele amava todos os dias. Porque ele se despedia todos os dias. E porque, provavelmente, ele se despedaçava todos os dias. E não havia quem recolhesse os pedaços.

Só sei que quando terminei de ler eu chorava. E já chorava em algum momento no meio daquela leitura. Porque eu ainda criança, havia percebido um sentimento sincero que existia entre dois seres importantes na minha vida. Um sentimento que era lindo, que era verdadeiro, e que era negado a cada manhã, a cada tarde, a cada noite. Agora, aqui parada, fico imaginando quantas noites ele não deve ter passado em claro, apenas imaginando, apenas sonhando. Quantas vezes ele não devia ter chorado...

Eu estava com o coração e alma partidos. Por um amor que não era meu. Mas que no fundo eu queria que tivesse acontecido entre eles.

Então eu pensei no meu pai, que por mais que não demonstrasse, estava sentindo tanto a falta daquele amigo.

E então eu pensei em minha mãe, que até minutos antes chorava descontroladamente enquanto segurava um álbum de fotos. Enquanto segurava memórias, lembranças, sentimentos. E o choro dela também partia meu coração. Porque de alguma forma, eu sei que ela o amava. Mas também sei que ela teve todos os seus motivos pessoais. Talvez válidos, talvez não. Somos humanos afinal.

Fui até o quarto dela e entrei silenciosamente, enquanto a observava sentada na cama olhando para o infinito. Ela apenas notou minha presença quando me sentei ao lado dela e segurei sua mão. Ela me olhou com olhos tristes e profundos. E minha mãe nunca havia me parecido tão velha. Tão cansada.

Ela me olhava como se fosse capaz de me ler perfeitamente, como se visse tudo através de mim. Eu me senti tão pequena. Minha dor parecia ínfima perante a dela.

— Perdi a minha vida em um acidente que não era meu.

— Mãe, você se arrepende?

— Nunca. Mas confesso que eu teria feito diferente se eu tivesse a visão que tenho hoje.

E eu não sei como, mas eu simplesmente entendia. Assim como ela entendeu perfeitamente a minha pergunta. Assim como ela sabia, de tudo. Porque ela soube em algum momento no meio daquela vida. Ela soube que ele a amava e que ela o amava. Ela soube que era amor, e que não era um simples amor.

Então eu vi que sempre haveria coisas na vida que não teriam entendimento. Porque não era preciso. E então a última frase daquela carta me veio à mente, e quando eu percebi, eu já havia a pronunciado.

Diga à sua mãe que eu a amei. Por todo esse tempo. Que eu a amei por uma vida inteira. Talvez possa não ter sido o bastante, mas foi o suficiente. E que ela não precisa se preocupar mais. Eu vou me cuidar. Pode não parecer, mas eu já recolhi os pedaços.

Notas finais
Gostaram? Amaram? Deixem reviews. Odiara? Detestaram? Deixem reviews também. Só me deixe saber a sua opinião. Isso é muito importante. Mas e então? Enganei alguém com a capa fofa e com o banner fofo? *~* Ficou lindo não é? :') Mas enfim... Nem tudo é o que parece ser e bem... Amei essa fic do jeito que está ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!