Notas iniciais
E aqui estão os outros capítulos que conseguir escrever nessa semana, não fora todos os que planejei infelizmente.

você é

LIZ, 32 ANOS. CALUM, 11 ANOS.

—Qual o problema? — questionou Liz, sentando-se ao seu lado no colchão, mas Calum não ouviu.

Tudo que ele ouvia era "você não é um garoto."

"Você não é um garoto", Calum ouviu o idiota que havia chamado Julie de gostosa dizer isso a ele quando interrompeu.

"Você não é um garoto", Calum viu quando ele deu um sorriso maligno enquanto o olhava de cima abaixo, percorrendo seu corpo, suas roupas, seu corte de cabelo, com lábios dobrados em escárnio e os olhos brilhando em maldade.

"Você não é um garoto", repetiu, sentindo uma satisfação cruel enquanto Calum sentia sangue na boca, lágrimas nos olhos e uma queimação tão forte dentro de si que não ficou surpreso, apenas com raiva.

Uma raiva cega, uma raiva que queria fazer mal aquele "garoto" na sua frente, que queria mostrá-lo que ele era sim um garoto independente da sua opinião, uma raiva que o deixou tremendo e apertando as mãos em punho fortemente ao seu lado.

Uma raiva que não colocou para fora, porque não era o que tinha aprendido, agressão nunca funcionava, nunca era a resposta... E porque Luke chegou primeiro.

Antes que pudesse perceber — como ele havia chegado ali? — seu amigo estava socando o idiota e Calum sentiu uma satisfação cruel, seus próprios lábios se curvando em superioridade enquanto o idiota se curvava ao meio, e depois... algo... triste.

Vergonha de si mesmo por estar vendo aquilo; vergonha daquele garoto por estar naquela situação, por ser um idiota daquele jeito e por acreditar no que dizia; vergonha de si por um segundo ter acreditado.

Ele era um garoto.

—Nem um — respondeu Calum, respirando e sorrindo para Liz, que esperava sua resposta. — Não tem nem um problema. Eu sou um garoto.

—É — concordou Liz devagar, olhando-o estranhamente. — Você é um garoto.

—Eu sou um garoto! — exclamou Calum, levantando-se rapidamente.

—Você é um garoto — repetiu Liz, ainda sem entender o ponto daquela repetição. Declarar o óbvio não era com ela.

—Eu sou um garoto — chorou Calum, pegando-a de surpresa quando ele pulou em seus braços, abraçando-a.

E finalmente Liz entendeu.

—Está tudo bem — murmurou ela, passando as mãos em seus cabelos, em suas costas. — Escute, Calum — disse Liz, afastando-o e o mantendo perto ainda sim, para que ele entendesse aquilo e se lembrasse, para que ele nunca esquecesse, para que ele não estivesse longe de si. — Você é um garoto. Você é você e você não pode deixar que ninguém lhe diga o contrário. Você é um garoto — repetiu ela, tentando passar aquela certeza que tinha para ele, querendo que toda aquela dor que ele tinha fosse sua, que as lágrimas que ele colocava para fora fosse um ponto final naquelas dúvidas. Liz desejava que fosse uma boa mãe. — Você é um garoto.