Pedaços Transformados
198 Sentença?
sentença?
setembro, um dia depois
—Cadê Michael e Demi? — questionou Luke.
Às vezes ele sentia-se como se seu dever fosse guiar a conversa, guiar sua irmã e seu amigo, guiar todos, tudo, nada.
Às vezes Luke pensava no que deveria fazer, qual profissão seguir, e a única habilidade que conseguia pensar era nessa. Ele iria ser pastor de ovelhas? Luke não tinha nada contra, mas não gostava da idéia de viver em montanha, longe de tudo, de todos, da civilização.
—Oh, eles... — Julie balançou a mão, como se dissesse "não é importante". — Não sei.
Luke virou-se para Ashton.
—Na última vez que os vimos – ofereceu ele, bocejando — eles estavam distraindo a enfermeira para a gente passar. Plano da Julie.
—Claro que o plano era meu — zombou Julie, jogando os cabelos por cima do ombro. — Eu sou a garota dos planos fáceis e clichés, que sempre dão certo.
Luke revirou os olhos. Os planos fáceis e clichés da sua irmã ainda daria errado alguma vez e ele não estava ansioso para esse momento.
—Hã, sim, claro, Julie, eu acredito em...
A porta se abriu novamente e Luke fechou a boca, as palavras morrendo antes de serem formadas, porque ele acreditava em sua irmã, mas não acreditava em mais ninguém tão profundamente.
E, com certeza, ele não acreditava em alguém que veio recolher o sangue de Calum para dar uma sentença.
Seus dedos encontraram caminho para os de Calum e Luke sentia que eles formavam uma corrente estranha, com cada Hemmings segurando uma mão de Calum como se estivessem ancorando-se ao mundo, com medo de um forte vento que antevia a tempestade ou talvez do Ragnarok que os separaria.
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