segredo

setembro, dois dias depois

—E você, Kora? – questionou Julie quando ficou claro para si que seu irmão não diria. O que ele escondia dela?

—Hum. — Os olhos de Kora arregalaram-se. – Eu estou quieta – disse ela, confusa. Julie não atacava apenas se a confrontasse? Pelo menos foi isso que haviam lhe dito. – Eu estou bem.

—É, eu sei – zombou Julie. – Então que tal...

—Você parar – completou Michael. – Ótima ideia, Julie.

—Hum? – Julie virou-se confusa, sentindo-se que aquela não era sua casa e aquele era seu amigo.

—A melhor do dia – continuou ele, enlaçando o braço ao dela e puxando-a para a cozinha, até que estivesse fora de vista, dentro da despensa.

Cercada por comidas e por um Michael muito próximo, Julie só não o chutava porque não era a primeira vez – e, como não era a primeira vez, ela tinha um pouco mais de confiança nele do que na primeira vez que ele ficou tão próximo e não fez nada que ela o fez se arrepender.

—Qual é...

—Qual é o seu problema? – adivinhou Michael, levantando a sobrancelha de forma esnobe. – É, eu também queria saber.

—Qual é o meu problema? – repetiu Julie. – Qual é o seu – enfatizou, cutucando-o no peito – problema?

—Você sabe qual é ele – retrucou Michael. – Então que tal você parar desse joguinho? Guarde os segredos, Julie, e não saia jogando-os ao vento.

—Quem está...

—Você – interrompeu ele.

—Eu não...

—Então o que você estava fazendo?

Julie refletiu. O que ela estava fazendo? Nada... talvez. Quase nada? Quer dizer, ela podia perguntar qual era o problema de Calum e porque ele estava tão estranho ou questionar ao seu irmão o que ele escondia, certo? E com Kora... era apenas uma pergunta normal! Que ela fazia a qualquer um!

—O que você está fazendo? – retrucou Julie, mais por instinto e autopreservação do que desconforto. – Você não precisa estar tão próximo de mim assim para...

—Eu estou o que, Julie? – Michael aproximou-se ainda mais, até que seus narizes estivessem quase se tocando, mas não.

Julie revirou os olhos. Michael tinha um gosto estranho para fazer papel de anjo caído, como se fosse divertido o fato de cair. Ou de dar em cima de alguém que namorava.

—Afastando-se. Agora. E eu não iria dizer nada que comprometesse ninguém.

—Ah, não, você não iria derramar os segredos de todos, dizer que Luke nomeia todos os utensílios de cozinha ou que Calum treina mais um pouco quando todos vão embora.

—Ele está treinando mais do que deve? – Julie queria saber.

—Está. – Michael assentiu.

—E Ashton?

—Continua dando em cima de todas que aparecem.

—Hum.

—Ei.

—Hum? – repetiu ela.

—Qual é o segredo da Demi? – questionou Michael, num sussurro conspiratório.

—Oh, ela – murmurou Julie, aproximando-se dele mais um pouco para ser ouvida apesar do tom baixo. – Você não vai adivinhar, ela gosta de...

—Julie! – exclamou Ashton abrindo a porta. – Julie – repetiu ele, balançando a cabeça.

—Eu ouvi que se você disser mais uma vez, ela aparece – confidenciou Michael.

Julie sorriu para ele.

—Eu ouvi o mesmo.

—Saia daí. – Ash puxou-a para o seu lado, passando o braço ao redor dos ombros dela, enjaulando-a, prendendo-a, não a deixando livre. E fulminou Michael com os olhos. – Não dê em cima...

Julie acotovelou-o nas costelas como bem sabia que doía, machucava.

—Não saia me puxando e “defendendo” sua honra desnecessariamente. Michael e eu somos bonos amigos.

—Boons amigos – repetiu Michael, de acordo.

—Se você diz – rosnou Ashton.

—Se você diz – concordou Mike, lentamente com um sorriso traiçoeiro.

Ashton não acreditava nele nem um pouco.