por favor

setembro, hoje

—Julie – chamou silenciosamente, quando ela se acalmou, não a soltando, não a deixando se afastar. – Eu estou com medo.

—Eu sei – ela o reconfortou, correndo as mãos por suas costas. — Eu também — confessou.

Eu não quero vê-lo morrer cada dia um pouco na minha frente, pensou Luke.

Eu não quero vê-lo toda fé e esperança, acostumando-se com a dor e com o sofrimento e esperando a morte; aceitando-a, aceitando que esse seria o fim.

—Eu sei – repetiu sua irmã, ouvindo cada palavra não dita. — Eu sei. Eu também não.

Ela sabia, ela sabia, ela sabia... Luke tinha certeza que sim.

—Eu não quero perdê-lo. Por favor – pediu, sentindo-se tremer. – Por favor — clamou, como se sua irmã pudesse fazer algo. — Por favor — rogou, querendo que ela pudesse.

Eu quero dizer que o amor.

Eu quero ouvi-lo de volta mesmo que eu saiba que não vai ser da mesma forma.

Eu quero muitos e muitos dias ao lado dele, com ele, apaixonado-se cada vez mais e o amando ainda mais.

—Vai tudo bem — murmurou Julie. — Vai ficar tudo bem — prometeu ela.

E Luke acreditou nela.

Luke acreditou nela do fundo do seu coração, através da empatia geminiana que tinha ou o que fosse, porque ele confiava em sua irmã para todas as coisas que importava, para todo o seu coração, para toda a sua vida.

E Calum era uma parte dele e era outra da sua irmã, Julie era egoísta e não era mentirosa e tudo iria ficar bem.