esquecidas

setembro, uma semana depois

—Caaartaaass.

Elas abriam e fechavam as bocas, deslizando pela brecha entre as portas, caindo das chaminés, multiplicando-se e o afogando.

Elas eram leves, mas o impediam de se movimentar — uma juntava-se a outra e unidas eram peso de papel e não papel.

Seus cantos cortavam, faziam-no sangrar, o local de lacre grudava na sua pele e depois arrancavam um pedaço.

Elas eram seu pesadelo.

—Caaartaaass — gemeram novamente.

—Por que você não me abre? — uma se aventurou a perguntar.

—Por que você não me ler? — outra seguiu o exemplo.

—Por que você não me quer? — Calum finalmente ouviu o que não queria.

Elas estavam mais próximas, elas estavam cercando-o, sufocando-o — elas estavam em todo canto e ele...

Ele desaparecia.

Era esquecido.

Assim como elas foram.

Notas finais
É, sou um pouco louca.