Pedaço de mim
1 Abandono
Notas iniciais
Era dezembro, minha cabeça doía. Do meu nariz, saia sangue; na testa havia uma corte que parecia muito feio.
"O que estou fazendo com a minha vida?", pensava enquanto me arrastava para perto de um tonel branco de álcool buscando apoio.
Olhei para cima e uma estrela cadente passou correndo diante de meus olhos. Pedi a ela que me desse forças para levantar, e tudo o que eu senti foi uma falta de ar enorme quando recebi uma joelhada no estômago.
Foda a vida.
Depois da surra, era só eu e o tonel numa fábrica abandonada.
Eu abandonada.
O tonel abandonado.
Sangue não parava de escorrer. Descia pela testa e passava pelo meu nariz até a ponta, quando caia sobre meus lábios roxos. Era um gosto metálico, muito familiar. Minha respiração voltava ao normal e eu já caminhava para casa.
As ruas estavam desertas.
O ar era gelado e o sangue que escorria secava devagar.
"Merda! Minha vida é uma merda!", gritei.
Chutei com força uma pedra que estava no meu caminho. As lágrimas começavam a cair, e eu me sentia inútil,
um lixo,
o resto.
Foi então que eu acordei.
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