Pecados

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Avisos após o capítulo, boa leitura!

Os primeiros raios de sol daquela gelada manhã, mal serviam para quebrar a friagem dos ventos que corriam pelo Champ de Mars. Assim como eles, apenas alguns poucos casais enfrentavam aquela típica manhã fria do inverno parisiense nos gramados próximos a Torre Eiffel.

— Hum. Devíamos mesmo estar aqui?

Ela ajeitou-se no colo dele, que riu com a reclamação vaga dela. Havia perdido a noção de quantos dias aquela pequena aventura estava durando e nem mesmo imaginava como as coisas estariam em casa, àquela altura Jiraya já havia enlouquecido e deveria estar vasculhando meia Europa atrás dele. Não que isso realmente importasse.

— Você só diz isso nos últimos dias, mas ainda não vi você fazendo questão de voltar.

— Uma hora eles nos encontram... Só que eles não são os únicos que podem estar atrás de nós.

— É. Talvez, por isso, esses dias sejam tão importantes.

— Como assim?

— Quando Jiraya nos encontrar, teremos poucos dias até a sucessão. Então esses dias são os últimos da nossa “vida normal”, a Vongola está logo adiante.

— Hum... Naruto, você já pensou para pensar, em como realmente vai ser tudo isso?

Após o longo silêncio dele, ela o encarou por alguns segundos, os olhos azuis encaravam a paisagem um tanto quanto perdidos. Perdidos... Era a palavra perfeita para defini-los. Não eram nada mais que dois jovens inconsequentes, usando e abusando do poder que dispunham para buscar uma vida que jamais lhes pertenceria. Percebendo que ele estava realmente distraído, ela mudou de posição e apoiou as costas no peito dele.

— Sim. – ele respondeu hesitante. – Não sei o que esperar disso. Todas essas expectativas, toda essa pressão para que eu seja tão exemplar quando o Nono. Tudo que meu pai ganhou ao portar o anel do céu foi uma morte horrível. O que eu vou me tornar? Que efeitos todos aqueles poderes terão sobre mim? Sinceramente, não sei. Por sorte, tenho minha Pioggia por perto.

Ela escorregou pelo gramado para poder encará-lo, lá estava, o sorriso largo e radiante que tanto já a salvara de todos aqueles problemas. Para ele, o fato de tê-la ali, ao alcance de seus braços, onde pudesse acariciar aqueles cabelos de brilho azulado ou admirar aqueles olhos perolados, era uma das poucas coisas que ainda valiam a pena no seu mundo. Sem Hinata, ele sucumbiria rápido.

O despertar de Naruto veio como um choque. Ele levantou com o coração saltando no peito e a respiração exaltada, estava suado e tonto. Com seu instinto gritando, esticou a mão até o criado procurando sua arma e com um claro desespero, apontou a pistola para o quarto procurando por alguém que não estava lá. Quando Naruto percebeu que tudo era de fato um sonho, o mesmo sonho que o perseguia por anos, mostrando um passado que mais parecia uma ilusão. Ela não estava ali há anos.

— Mas que merda.

Era em momentos como esse que preferia dormir bêbado e desconfortável, isso sempre deixava seu sono instável e parecia apagar os sonhos, quando decidia deitar na cama e ter uma boa noite de sono, aquelas lembranças tomavam conta.
Naquela manhã, ele fora enfim obrigado a ceder as reclamações de Jiraya e melhorar o contato com a CEDEF, havia até mesmo concordado em ter um agente perto dele para repassar melhor as ordens e relatórios da Vongola. Todo esse problema se dava pelo fato da CEDEF ser praticamente uma segunda Vongola, era uma família secundária responsável pela segurança da alta cúpula da Vongola e pelo comando da família na ausência dos detentores dos anéis. Além disso, o chefe da CEDEF era o voto de minerva em caso de empasse na sucessão da família. E o chefe atual da CEDEF era justamente, Jiraya, padrinho de Naruto que fazia questão de sempre se opor as decisões do afilhado. Sendo contra o adiantamento das operações de limpeza pelo mundo, Jiraya também era contra a ida de Naruto para o Japão e as opiniões dele haviam degradado consideravelmente a relação dos dois.

Embora a mudança na Vongola tenha efetivamente começado com Jiraya quando ele era o Ottavo Vongola, ele nunca concordou com as atitudes do afilhado. Para ele, aquela não era a hora certa para tal empreitada e tanto Naruto quanto seus guardiões eram novos e inexperientes para lidar com toda a pressão que viria com as missões. E o que irritava ainda mais Naruto, era o fato do padrinho estar certo. Sasuke e Gaara eram incapazes de cooperar, Sakura era instável, podendo a qualquer momento, pôr sua vida e de todo o grupo em perigo. Nebbia não poderia participar das missões e Sole era outro problema a parte.

No entanto, um encontro inesperado acabou valendo a pena quando descobriu quem seria o agente da CEDEF designado. Fazia tempo que não via Tsunade. A esposa de Jiraya era uma mulher de beleza incompatível para sua idade, tinha longos cabelos loiros que agora viviam soltos. Ela era considerada por muitos, como a melhor médica das últimas décadas na Vongola e também era a responsável por todo o setor médico da família, além de ser professora de Sakura.

Nos primeiros anos sem os pais, Jiraya e Tsunade foram o mais próximo de uma família que Naruto teve e por mais complicada que fosse a relação dele com o padrinho, sempre teve bons momentos com Tsunade que mesmo agora era uma das únicas pessoas a conseguir influenciá-lo.

— Confesso que não acreditei quando Jiraya me contou. Não achei que você voltaria ao Japão.

— Eu não queria no começo. Não que eu me lembre de muita coisa sobre eles. Tirando aquele dia, as memórias já estão confusas. – ele sentou no sofá e ficou encarando a janela.

— Você e Jiraya. Como estão as coisas entre vocês?

— Difíceis. Mais do que o habitual.

— Vocês homens... – ela chiou. – Quando vocês dois vão parar com esse jogo de gato e rato? Você culpa Jiraya por muitas coisas, Naruto. Algumas com razão, outras totalmente equivocadas. Vocês precisam um do outro, quando vão entender isso?

— Um dia, eu espero. Jiraya é intransigente demais, Tsunade. É exatamente por isso que eu preferia que ele tivesse voltado para o comando da Vongola como Ottavo. Não posso assumir como Decimo e ficar sendo guiado a todo momento, aprecio os conselhos dele, mas não vou tolerar ser tratado como uma criança.

— Eu concordo. Mas você sabe que dessa vez, ele estava com a razão. Seus guardiões são um desastre se comparar com a Nona Generazione. São todos habilidosos é verdade, mas vocês são mais um bando do que um grupo. E sabe que eu sou contra Sakura continuar como a Pioggia.

— Nem mesmo você pode mantê-la segura, Tsunade. Sakura está jurada pelo alto comando da Bratva, e eu não confio na Varia. Eles estavam confiantes demais que teriam ao menos um membro dentre a Decima Generazione. Reconheço que minha decisão de forçar a entrada dela na família foi precipitada, mas não vi nenhuma solução melhor. Ela não é forte como Ino. Por falar nela, você tem algum relatório dela? Ela só os envia para você ou Gaara, como não estou com o mínimo saco de ficar consultando Nube, é melhor perguntar a você.

— Ela ainda está na Itália, está recuperando-se da última missão.

— Entendo.

— Bom, que tal irmos direto ao assunto? – ele apenas suspirou e fez sinal para que ela continuasse. – O que você está procurando?

— Nada.

— Não minta para mim. Você está tendo as alucinações outra vez, não está?

A afirmação dela o pegou de surpresa. Tinha certeza de que não cometera nenhum deslize nas últimas horas, por mais que estivesse tudo manchado de vermelho.

— Como você sabe?

— Eu te conheço. Sei que nunca irei substituir Kushina, mas posso dizer que te conheço tão bem quanto ela. – ele suspirou.

— É. Eu venho vendo esse maldito sangue outra vez. Para todo lugar que eu olho, ele está lá, manchando tudo.

— Quem é a mulher?

— O que isso tem a ver?

Por alguns segundos, Tsunade ficou em silêncio. Ela sabia que conseguiria tirar as respostas de Naruto, mas o que ela presava, não eram as respostas e sim a consequência que isso traria sobre ele. Precisava abordar o assunto da maneira correta.

— Eu não sei o que você planeja. Não faço a mínima ideia do que motivou a sua volta. Como aqui é o lugar onde você perdeu Minato e Kushina, pensei que jamais pisaria no Japão outra vez.

— Foi preciso, ainda existem respostas que eu preciso. E só vou consegui-las aqui.

Algumas horas após Tsunade deixar seu apartamento, Naruto comeu a primeira besteira que encontrou na geladeira, se arrumou e seguiu até a casa de Hinata graças a um pedido dela. Assim que chegou em frente ao apartamento dela, mal teve tempo para dizer um simples boa tarde, ela simplesmente o abraçara com um desespero e uma necessidade que não eram típicos dela.

— O que aconteceu?

— Apenas uma briga com a Hanabi...

— Está tudo bem?

— Está. Foi só um desentendimento.

— Um simples desentendimento não te deixaria assim Hinata.

— Por favor, não quero falar disso agora. Nós discutimos feio ontem e ela sumiu, deve estar na casa do nosso tio, mas se recusa a atender minhas ligações.

Por mais que ele tentasse esconder como se sentia, o peso do passado veio todo em suas costas quando ela abriu a porta. A memória fresca dos dias em Paris estava ali, rivalizando com seu julgamento, tentando a todo momento dominá-lo. E naquele momento, todos aqueles sentimentos estavam prestes a conseguir.

— Ela tem apenas vinte anos Hinata, dê um pouco de espaço para ela.

— É justamente disso que tenho medo! Hanabi é esquentada, Naruto. Eu tenho medo de que ela faça alguma besteira.

— Isso é apenas a mente neurótica que todo policial tem. Você precisa relaxar um pouco.

— Às vezes eu acho que você adora me repreender.

Sem esperar uma resposta, ela levantou do sofá e seguiu para a cozinha. Naruto a seguiu e, pegando-a de surpresa, a beijou. O beijo deixou Hinata sem fôlego e ela arfava enquanto ele trilhava beijos pelo pescoço dela.

— E... E o jantar? — ela perguntou.

— Não podemos simplesmente pedir algo depois? – ele a encarou.

Ao perceber o silêncio dela, ele deu um sorriso e, com um beijo, e a levantou, fazendo-a laçar sua cintura em sua cintura enquanto os levava para o quarto dela. Hinata não conseguia pensar direito quando estavam juntos, principalmente daquele jeito. A simples presença de Naruto a afetava de uma forma absurda, era como ter de volta algo perdido há muito tempo e isso a confundia. Não sabia o que sentia por Naruto, já tinha gostado antes de outros caras, mas nenhum dos poucos namorados que teve, a fez se sentir assim. Era assustador perceber o quanto ela estava se tornando dependente dele, como se sua presença fosse uma droga.

— Senti sua falta. – ele sussurrou enquanto a encara a profundamente. Hinata nunca entendia o motivo de, em alguns momentos, o olhar dele ser tão intenso. Mesmo que eles se gostassem muito, parecia que Naruto guardava algo mais profundo que o sentimento responsável pelo atual relacionamento deles.

— Eu também. Muito. – ela disse enquanto desabotoava sua camisa ansiosamente.

Quando finalmente acordou, Hanabi desejou continuar apagada. Sua cabeça latejava com uma intensidade absurda e um corte na testa apenas deixava tudo pior. Suas mãos estavam dormentes e amarradas as costas de uma cadeira, estava descalça, sentia os pés gelados e doloridos pelo aperto da corda. Não fazia a mínima ideia de que lugar era aquele, tudo que via era um cômodo escuro e pequeno, cheirava a mofo e marcas de infiltração manchavam as paredes e criavam poças pelo chão. Tudo que lembrava era de voltar para casa durante a noite, até ser abordada por alguém que a acertou uma coronhada na testa. Volta e meia sentiu a consciência retornar durante a madrugada, mas sempre voltavam a lhe apagar com alguma droga.

Enquanto começava a perceber a fome e a sede, finalmente a gravidade de toda aquela situação fazia seu coração mergulhar em desespero. Poucos minutos depois, uma porta abriu em frente a ela e a luz fraca que vinha de uma escada, iluminou um pouco o lugar enquanto um homem entrava trazendo outra cadeira. Com calma e sem dizer nenhuma palavra por alguns minutos, ele a estudou enquanto ela fazia o mesmo. Era ruivo, tinha um porte forte embora não fosse muito alto, mas não conseguia ver o rosto dele, fosse pela penumbra ou por sua visão estar embaçada.

— Desculpe meus modos rústicos. Mas as circunstâncias não me permitem ser gentil com você.

— O que você quer de mim? Se é dinheiro, pode esquecer.

— Eu nem mesmo pensei nisso. O que eu quero com esse nosso encontro, é apenas gravar uma mensagem na cabeça de uma pessoa. Ele logo vai estar aqui, então não se preocupe com detalhes.

Quando seus olhos finalmente se acostumaram a aquele ambiente, manter o contato visual com aquela pessoa revelou ser algo extremamente perigoso. O olhar dele era frio e imponente, além disso, revelava o quão irritado ele estava com toda aquela situação. Ele riu após Hanabi desviar o olhar, sabia que era a primeira vez dela perante alguém com aquela presença. Alguém que poderia matá-la simplesmente por uma diversão momentânea.

— Você é bem observadora. – ele virou a cadeira e apoiou os braços sobre o encosto – Desde o momento em que eu abri a porta, você observou tudo ao redor com uma calma surpreendente... Fruto das preocupações de sua irmã policial, creio eu. Mas você realmente não faz a mínima ideia de como o mundo realmente é, tanto que é a primeira vez a encarar alguém como eu.

— E quem é você? – ela arriscou.

A gargalhada de Sasori ecoou pelo cômodo, ele levantou e foi até ela, observou seu rosto de perto e analisou cada centímetro do corpo de Hanabi. Se apenas o olhar que ele usava para estuda-la já era repugnante e amedrontador, ele a fez tremer quando deslizou a língua pelo pescoço dela até sua orelha, onde parou a boca para sussurrar.

— Sabe, eu geralmente não cuido de situações como essa. É muito chato e entediante, não posso brincar muito com a presa, se não ela perde a utilidade. Uma pena, certamente você seria um ótimo brinquedo por algumas horas, talvez até um digno de fazer parte da minha coleção! Ou será, que vale a pena o risco?

Cedendo aos próprios impulsos, Sasori pegou uma faca que estava em sua cintura e lentamente, cortou a blusa e o sutiã de Hanabi. Sem nenhum pudor, ele desamarrou as pernas dela, arrancou-lhe a calça e logo em seguida, desamarrou os pulsos.

— Você tem uma chance, me mate e está livre para fugir. Do contrário, você será meu brinquedo pelas próximas horas.

Acuada contra uma daquelas imundas paredes, ela sentia diferentes sensações gritarem na sua cabeça. Mas a simples imagem daquele homem vindo contra ela, a desarmou completamente. Era o fim.

Notas finais
Algumas notas de tradução: Nona Generazione - Nona Geração, portadores dos aneis vongola anterior a Naruto e sua família. Decima Generazione - Décima Geração, corresponde a Naruto. Ottavo - Oitavo. Jiraya foi o Oitavo Chefe, Minato o Nono e Naruto o Decimo. Bom pessoal, acabei postando logo o capítulo pois terei esse resto de semana bem corrido, provavelmente não teria tempo de postar algo antes do fim de semana. Vale lembrar, o capítulo 6 será postado no sábado e a partir dele, é um capítulo por semana. Talvez o tempo de postagem seja mais curto, tudo depende do meu tempo livre para escrever.