Pecados

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Pessoal, post adiantado já prevendo a falta de tempo amanhã. Boa leitura.

A vida de Hanabi tinha enfim, chegado em um ponto totalmente sem volta. Não bastassem os eventos acontecidos a ela, todos aqueles sentimentos negativos e depressivos que iam corroendo ela por dentro, ainda fora obrigada a matar duas pessoas. Não que se sentisse mal por elas, faria de novo se preciso. Sakura tinha sido a única pessoa a tentar sempre puxar conversa nas poucas horas que ficou ao seu lado, e mesmo diante da recusa dela, a mulher simplesmente desatou a falar. E para a surpresa de Hanabi, ela era tão quebrada quanto ela, provavelmente até mais.

O quarto onde ela estava agora, era de longe, o cômodo mais luxuoso que viu na vida. Tinha pelo menos, metade do tamanho do apartamento da irmã, e todos os móveis dali deveriam ser incrivelmente caros.

Posso entrar? — a voz de Naruto chegou até ela abafada pela porta.

— Sim.

Sem saber exatamente o que dizer, ele entrou, sentou na mesa de leitura perto da janela e por alguns minutos, ficou em silêncio olhando para fora.

— Alguma notícia de Sakura? – foi ela quem quebrou o silêncio.

— Ainda não. A cirurgia deve demorar.

Observando melhor Hanabi, agora as marcas do que ela passou estavam bem evidentes. O braço engessado, o nariz ainda um pouco inchado e com curativos, assim como os vários cortes pelo seu rosto. Haviam tantas manchas roxas e pretas que era inútil contar e o corte no pulso ainda aparentava estar bastante dolorido. Percebendo que ele encarava seus machucados, Hanabi desviou o olhar e puxou a arma que estava debaixo da coberta. Como Sasuke dissera, ela se recusava a soltar a pistola, mesmo inconsciente.

— Você matou dois homens. Como está depois disso?

— Surpreendentemente bem. Não que fazer isso tenha me curado, mais fico feliz em saber que troquei duas vidas mal aproveitadas, pela a de Sakura.

Surpreso com a resposta, ele aproveitou a deixa para puxar a conversa e tentar fazer Hanabi falar um pouco. Para o espanto dele, ela focou justamente em tudo que acontecera nas últimas horas. Como Sakura tentou de todas as formas mantê-la fora da concha, como a confusão e os tiroteios começaram e como ela terminou se aventurando no meio daquilo tudo a procura de Sakura. Havia encontrado a guardiã ferida e quase inconsciente a poucos metros do seu quarto, com dificuldade e tremendo de medo de ser descoberta, ela arrastou Sakura até o quarto, fez o máximo de pressão que pode sobre os ferimentos dela e obrigou seu cérebro a focar nas memórias dos treinos do clube de tiro, que tanto gostava de fazer nos Estados Unidos.

Subitamente, o assunto morreu quando ela narrou a chegada dos dois guardiões e simplesmente voltou para o seu silêncio.

Até que, dessa vez, fora Naruto quem o quebrara.

— Você não deve se lembrar, tinha o quê? Cinco anos? Foi assim que nossas famílias foram para a Itália. Você, eu e Hinata estávamos explorando a pequena vila perto da cidade de Lucca. E subitamente, enquanto eu e Hinata estávamos maravilhados com os doces de uma padaria, você simplesmente sumiu por que era hora do seu desenho favorito e você queria voltar para casa. Só que você esqueceu –

— Que não estávamos no Japão. – ela continuou a frase e completou – Eu ainda não entendia todo aquele conceito e por que tinha que falar aquela língua estranha que sempre me ensinaram junto com o japonês. Me perdi depois de andar um bom tempo falando em japonês e indignada por ninguém me entender.

— E pensar que você se lembra... – ele deu um sorriso fraco e escondeu o olhar para Hanabi não perceber tudo que ele sentia – Hinata e eu quase enlouquecemos, você simplesmente desapareceu e logo começou a chover. Por alguma coincidência da vida, justamente um senhor japonês, já estava tentando ligar para o seu pai. Ainda me lembro da bronca que Hiashi nos deu e do castigo que tivemos.

— Não seria exagero meu dizer que foi muito mais doloroso, ter que me mudar para os Estados Unidos, do que tudo que aquele homem me fez passar.

Antes que ele pudesse dizer algo, ela rendeu-se a um choro pesado e desamparado.

— Essas memórias, por muito tempo eu achei que era apenas fantasia. Eu odiei Hinata por tanto tempo que aqueles dias com vocês dois pareciam uma ilusão! Foi cruel demais, foi desumano, foi pior do que ser violentada por aquele homem. Ele me estuprou por que eu fui fraca, não consegui me defender. Agora o passado? Eu era uma criança, acostumada à minha alegria rotineira com vocês e de repente eu estou em um quarto escuro, frio e sozinha!

— Você sabe que Hiashi queria o melhor para você.

— O melhor? – ela riu – Meu pai me abandonou. Com sete anos eu fui expulsa da minha casa, da minha família. Você sabia que eu passei o meu primeiro natal, sozinha em Boston? Que naquele dia eu chorei a noite toda, que eu soquei a porta com tanta força que esfolei minha mão? Eu imagino o quão difíceis foram as situações que você e Hinata passaram, mais vocês tinham um ao outro. Eu não. Eu não tinha ninguém, em uma idade em que você depende dos outros para tudo. Não quero me sentir fraca nunca mais. Você me deve por não ter me protegido, não apenas pelos últimos dias, mais pelo passado assim como Hinata. E eu quero o que é meu por direito, quero meu lugar na Vongola.

— Isso pode ser arranjado, eu já pretendia lhe dar um título de qualquer jeito, você tem direito e a partir do momento em que estiver conosco, a Akatsuki pensaria bastante antes de ir contra você. Foi por isso que tentaram pegar você novamente a todo custo.

Intrigado com toda a conversa, ele cessou um pouco o falatório e apenas encarou a garota. Não negava que seria uma aquisição interessante, ela era tão observadora quanto Hinata, tão inteligente quanto e tinha uma visão bem endurecida do mundo. Com um pouco de treinamento e experiência, a garota seria uma aliada poderosa.

— Você sabe que se entrar para a Vongola, você não poderá continuar perto de Hinata. – a observação pareceu desarmá-la.

— Seria arriscado demais, e irresponsável demais deixar uma iniciada sem treinamento em uma situação como essa. Hinata sozinha conseguiria se virar em uma emergência, com você do lado, não.

— É, eu já cheguei a essa conclusão.

— Sim. Se eu emitir o aviso, se o seu nome aparecer nos registros da família, você terá que se mudar daquela casa. Você está pronta para fazer isso?

— Não. Mas vou fazer.

Não demorou muito para o dia calmo de Hinata ir para o ralo. Pouco antes do almoço, uma pequena equipe foi montada a pedido de Danzou que dizia ter recebido uma informação sobre os atentados. A consequência disso foram cinco detetives de tocaia em carros diferentes espalhados em um distrito mais isolado de Tóquio. A área era bem conhecida por ser local de reunião de pequenas gangues, graças a um imbróglio judicial que degradou a área de um antigo complexo residencial, parcialmente demolido a alguns anos. Mas o que começou como mais uma operação frustrada e inútil, terminou sendo o palco de um encontro bem inesperado quando Hinata viu uma figura um tanto quanto conhecida entrar no complexo abandonado em um carro. Era a mesma pessoa que a desarmara dias atrás, o mesmo homem ruivo de antes.

Como Danzou tinha limitado o uso de rádios, a comunicação entre o grupo era feita visualmente quando um dos carros passava pelos outros checando a situação, ela hesitou em segui-lo por um momento, mas poucos segundos após, já estava fora do carro e correndo até a entrada do complexo. Depois de algumas checadas para garantir que não havia ninguém vigiando o lugar, ela entrou esgueirando-se entre blocos de concreto e pilastras que continuavam ali entre o esqueleto de um prédio que não foi demolido. O lugar era escuro, a partir de um determinado ponto o chão estava molhado e coberto por limo, tudo acompanhado com um cheiro de mofo e podridão. A surpresa maior foi quando Hinata entrou no que deveria ser a recepção do prédio, apenas parte das paredes permanecia ali, ela viu o carro em que o ruivo entrara, e mais à frente, cinco carros estavam parados no lugar, todos protegidos por capas pretas e em uma mesa comprida perto dos veículos, diversas malas pretas.

Imóvel e entocada em um canto escuro por alguns minutos, Hinata estava mais do que tentada a explorar o local, ver o que tinha nas bolsas e verificar cada um dos veículos, mas já tinha sido desarmada e facilmente derrotada por aquele homem antes, não arriscaria ficar à mercê dele em um lugar onde ele poderia matá-la sem que ninguém percebesse. Não tardou para que o homem reaparecesse após um tempo e começasse a mexer tanto nos carros quanto nas malas. Quando ele pegou a primeira e levou para um dos carros, ela ouviu um barulho pesado e metálico e na mesma hora percebeu que cada uma das sacolas estava abarrotada de armas. Cansada de esperar por reforços, ela deixou a cautela de lado e saiu do seu canto, de arma em punho, ela pegou o homem de costas e a uma distância segura, deu voz de prisão.

— Largue a bolsa, em seguida leve as mãos devagar até a cabeça. – ele o fez e em seguida ficou de joelhos.

No momento em que pegou suas algemas e estava prestes a prender uma das mãos do homem, Hinata viu que tudo sairia errado. Ela viu o movimento, extremamente rápido e preciso. Sem desperdiçar nenhum segundo, ele girou o corpo já ganhando impulso para levantar e antes que Hinata pudesse disparar, ele segurou a arma pelo ferrolho e a empurrou contra o punho de Hinata, fazendo a pistola cuspir a bala que estava na agulha e impedindo que ela o baleasse. Recuperada do choque inicial, ela largou a arma para que ele não deslocasse seu pulso e com um movimento rápido, prendeu uma parte da algema no pulso dele. No pequeno momento de hesitação que ele teve, ela acertou uma joelhada na coxa dele, mas antes que ela pudesse desferir outro golpe para derrubá-lo, ele a segurou pelo braço e a rodou usando as costas como alavanca.

O baque no chão molhado e lamacento a deixou confusa por alguns segundos, tempo suficiente para que ele tirasse as algemas da mão dela e com um giro do corpo, ela sentiu o ombro ainda contundido, enviar tantas ondas de dor para ela, que foi impossível segurar o grito.

Percebendo que a mulher estava prestes a desmaiar de dor, Gaara afrouxou o aperto e apenas debruçou-se sobre ela.

— Um aviso. Você tem poucos minutos para sair. – ele disse antes de abaixar ao ouvir um tiro e ver que Danzou vinha correndo.

Na dúvida entre seguir atrás do homem e socorrer Hinata, Danzou olhou para trás em busca de reforço, mas vendo que estava sozinho, praguejou alto enquanto ajudava Hinata a levantar. Uma vez que Danzou deixou-a do lado de fora, ele tentou correr para dentro do local, felizmente para ele, Hinata o segurou e o puxou na hora em que a primeira explosão detonou. O barulho da detonação, aliada a onda de choque que subiu em seu corpo por estar encostada no muro do lugar abalou os sentidos de Hinata por alguns segundos, obrigando os outros oficiais a puxar ela e Danzou para fora da zona de perigo. Por mais alguns segundos várias explosões secundárias foram ouvidas, provavelmente os carros, munições e granadas que estavam lá. Depois de quase cinco minutos com pequenas explosões e uma cortina de poeira fedorenta, Danzou mandou que a área fosse isolada ao ver as imensas rachaduras que subiam pelo prédio enquanto a construção ruía, era uma questão de tempo até aquilo vir abaixo.

Após quase uma hora, a área estava devidamente isolada e Hinata recebia atendimento médico enquanto ouvia Danzou bravejar com algum figurão do governo. Embora a dor lancinante de ter o ombro colocado no lugar tenha a deixado alheia a tudo por um tempo, aquilo não era nada perto da raiva que sentia por aquele homem e pelo fato de ter sido totalmente derrotada por ele duas vezes consecutivas, deveria ter simplesmente enfiado uma bala em cada perna do ruivo e o levado sob custódia, afinal agora, toda aquela dor e humilhação foram para nada: os veículos, as armas e qualquer prova possível pegavam fogo nos escombros do prédio prestes a ruir.

Depois de um relatório apressado de Gaara, Naruto continuou esperando no escritório da mansão por uma visita que não seria nada agradável. Conversar com Neji seria algo extremamente difícil. O que deveria ser uma simples conversa, começou bem complicada para Naruto, mal entrara no lugar e foi acertado em cheio por um soco no rosto.

— Eu devia te matar agora mesmo! Não importa quem diabos você seja na Vongola, não quero saber se você é o caralho do Cielo, ou apenas um merdinha qualquer que se acha o líder! Você me prometeu que as manteria longe!

Era a primeira vez que Naruto via Nebbia daquele jeito e isso o pegou de surpresa. Teria reagido ao soco, ao fato de estar quase sendo sufocado pelo colarinho de sua blusa, e as palavras de seu guardião, se ele não estivesse totalmente correto.

— O nosso acordo foi simples. Eu iria contra a vontade do meu pai, assumiria o anel da névoa e seria o seu espião. E nesses anos todos, eu cumpri meu papel com perfeição. Tudo o que você tinha que fazer era manter as garotas longe disso!

— Você está correto. Mais também está errado. Você, Itachi, Nagato. Até mesmo Orochimaru e Kabuto falharam em se infiltrar totalmente na Akatsuki. Eu não podia esperar eles deflagrarem uma guerra pública contra nós. Teríamos que encerrar tudo no Japão, e isso afetaria o nosso controle sobre a máfia em geral. Arriscar o acordo, fazer Madara se interessar, essa era a única forma de abrir brechas.

— Não me venha com essas desculpas. Você apenas sucumbiu aos seus malditos desejos! E como se não fosse suficiente envolver Hinata nisso tudo outra vez, fazê-la se apaixonar por você de novo, ainda acabou com a vida de Hanabi. E ainda a trouxe para a Vongola! – ele tirou a arma do coldre e apoiou o cano no peito de Naruto – Eu devia te matar aqui e agora.

— Sim devia. Na verdade, você devia ter me matado cinco anos atrás, Neji. Devia ter me matado quando ainda era da Varia, quando Madara te ofereceu a segurança de Hinata pela minha vida. Devia ter aceitado a oferta dele, traído a Varia e a Vongola e ido para a Akatsuki. E eu te amaldiçoo todos os dias por não ter feito isso, dessa forma eu não mancharia minhas lembranças, não colocaria Hinata em risco e obrigaria Hanabi a enfrentar tudo o que impuseram a ela, mas você pode colocar parte da culpa em Hiashi.

— De que merda você está falando?

— Fui uma surpresa quando descobri que sua prima mais nova sabia sobre nós. Sobre tudo. Pedi que Jiraya investigasse a fundo, e ele pressionou Hizashi. Seu pai recebeu um testamento diferente, direcionado apenas a Hanabi caso algo acontecesse a ele e a Hinata. Seu pai entregou o testamento a Hanabi assim que Hinata sofreu o acidente.

— Não, isso não pode ser verdade. Meu pai teria dito.

— Tanto não disse, como se recusou a comparecer sob ordem direta. A CEDEF vai fazer uma visita a ele nos próximos dias e checar se Hiashi não deixou mais nada suspeito para trás.

— Isso é loucura. É meu tio descumprindo regras, meu pai agindo pelas minhas costas, minha família ficando cada vez pior e minha prima quase pegando Gaara! Isso só pode ser o inferno. Eu quase me caguei quando recebi a informação na Interpol. Se Gaara fosse pego, se a Vongola fosse exposta, Hinata estaria morta. Danzou não pode nem sonhar em saber do envolvimento dela conosco.

— Por que diabos você está com medo daquela raposa velha e inútil? – perguntou Naruto confuso – Aquele idiota sempre tenta abocanhar mais do que pode, ele nunca vai chegar perto de realmente se meter nas nossas operações.

— Acontece que essa raposa velha, trabalha para a Akatsuki.

Notas finais
Como dito, optei por postar hoje. Por enquanto, tá dando pra seguir com dois capítulos por semana. Quanto a postagem do capítulo 10, provavelmente só domingo ou segunda. Se eu tiver um pouco de tempo hoje a noite, vou revisar e deixar agendado a postagem para o sábado. Até a próxima!