Pecados

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Olá pessoal! Estou de volta! Explicações e afins na nota final! Boa leitura.

A chegada em Ecaterimburgo foi apressada e um tanto quanto conturbada. Pela primeira vez nos últimos meses que Hinata ficou sozinha com Naruto, embora ela não esperasse que o modo como era tratada fosse mudar, surpreendeu-se quando entrou no espaçoso quarto que ele havia reservado para ambos e lá, haviam duas malas de roupas para ela. Mesmo no outono, grande parte da Rússia já estava pintada de branco, mesmo que Ecaterimburgo não apresentasse nada além de uma leve geada, o frio era semelhante ao que ela enfrentou na Sibéria. Poder usar as roupas mais grossas e quentes que encontrou nas malas foi um alívio.

— Já se informou sobre o nosso alvo?

A pergunta deixou Hinata desprevenida e antes que ela conseguisse responder, sentiu a língua embolar enquanto procurava as palavras.

— O que foi? Perdeu a língua?

O tom dele não era tão severo como habitual dos últimos tempos, mas também não era nada parecido com o qual ele costumava trata-la. Com um breve suspiro, ela apenas negou com a cabeça, pegou uma muda de roupas e seguiu para o banheiro.

Não muito surpreso com tudo aquilo, Naruto simplesmente ignorou o silêncio dela. Por mais que as vezes, algo gritasse dentro dele para não agir daquele jeito com ela, haviam ressentimentos demais, dor demais. Nos últimos seis meses Hinata fora tratada como uma mera sombra, um resquício de presença. Subitamente, ela se tornara indigna de qualquer mínima atenção. E ele só conseguia ajuda-la quando a situação caminhava para o irreversível. Como passaram praticamente todos os dias dos últimos meses viajando, cumprindo uma missão de infiltração atrás da outra, eram raros os dias em que ficavam em uma cidade. Com isso, nem sempre ela conseguia a própria comida, água, uma coberta e as vezes até mesmo roupas. Tudo para ela era difícil, roubar era difícil e conseguir roubar o essencial para sobreviver enquanto estavam realizando missões, era ainda pior.

Por vezes ele deu a ela a própria comida, atrasou missões o máximo possível para ela conseguir mantimentos.

— Pronto. – ela saiu do banheiro já vestida, indo direto para as malas procurar por um par de meias.

— O que você sabe sobre a missão?

— Não muito, pode fazer um resumo?

— Ficaremos um tempo por aqui, sairemos do hotel todos os dias e rodaremos a cidade como se fôssemos turistas. Mesmo que a minha cara seja conhecida pela maioria dos chefes da Bratva, os poucos que restaram não me conhecem. E eu duvido que eles tenham conseguido comprar informação sobre mim.

— E se Madara repassou a eles?

— Não descarto, mas acho improvável, ele vai preferir deixar os chefes no escuro, dessa forma eles se entocam e é mais trabalho para mim. Enfim, uma hora algum membro da segurança vai dar um mole, quando isso acontecer, basta encontrarmos o esconderijo, limpamos a área e damos o fora.

— Você sabe que existe a chance de nunca encontrarmos ele, não é?

— Sim. – ele a encarou por poucos segundos – Embora eu me recuse a acreditar que ele aceitaria essa “derrota”, não descarto a chance dele largar a máfia e sumir no mundo.

— E se ele já estiver fazendo isso? Quero dizer, veja a trilha de migalhas que estamos seguindo, ele virou fumaça.

A medida que as horas passaram e os dias devoraram a primeira semana, Hinata percebeu que, de fato, Naruto já estava além do limite. Desde que chegaram naquela cidade, a rotina deles era explorar a cidade, juntos ou separados, disfarçados como turistas. Localizar os alvos tornara-se absurdamente difícil, subitamente, não haviam mais capangas, movimentação financeira ou comunicação entre as quadrilhas. O silêncio em toda a Rússia era angustiante. Não haviam informações novas, nem avanços duradouros das equipes da Vongola. E Hinata era a única a perceber como o passar dos dias afetavam Naruto.

Era como observar uma bomba, cujo timer estava prestes a zerar. Haviam momentos menos densos, momentos em que ele se permitia fazer uma piada e rir dela. Haviam momentos, em que ele ficava horas de pé, na mesma posição, observando o céu ou a rua, o olhar impassível dominado pelo anel. E isso também a afetava. Se acostumara a usar o anel da chuva, eram raros os momentos em que a joia a atrapalhava ou a deixava desconfortável, na maioria das vezes, servia como um sexto sentido impecavelmente preciso. Mas agora, com o anel do céu por perto, a joia azul parecia ressoar no mesmo nível pesado. Quando Naruto sucumbia para o anel, ela sentia a loucura também tentar dominá-la, vinhas invisíveis lhe subiam pela mão e pelo braço, tentando chegar ao seu coração. Era uma sensação desagradável e morbidamente difícil de resistir.

E haviam também, momentos como aquele, quando ele simplesmente sentava na beira da cama com uma garrafa de uísque, um maço de cigarros e ficava ali por horas, perdidos em pensamentos que ela nunca conseguia sondar.

Momentos como esse, onde ele deixava a influência do anel de lado e mergulhava nas lembranças eram os piores para ela. Eram nesses momentos que o toque dele era impossível de ser recusado. A verdade é que, os curtos momentos que tinham juntos nos últimos dias, os beijos, o sexo, eram as únicas coisas naquela vida que a faziam se sentir humana outra vez. Não importavam os erros que ambos vinham cometendo, ou as pequenas traições, nem mesmo as mentiras. Afinal, a relação deles sempre fora assim, estranha e deturpada.

Tudo começou a piorar quando a segunda semana terminou. De repente, não haviam mais discussão sem sentido entre eles, nem os momentos de silêncio, ele passava a ficar cada vez mais tempo imerso na tentativa de rastrear os alvos. Quando a terceira semana chegou ao fim, ela viu Naruto apenas uma vez. Por alguns segundos, ela nem mesmo acreditou no que viu quando ele entrou no quarto. Ele fedia a vodka barata e sangue seco. O rosto estava inchado e com alguns cortes, não havia sinais do casaco que ele usava dias atrás, a blusa fedia a sujeira, sangue e bebida, além de ter vários cortes. Não bastasse o fedor e o estado dele, ainda haviam cacos de vidro agarrados nos braços e no peito.

A primeira reação dela foi simplesmente ficar atônita, até finalmente ir até quando percebeu que ele não diria nada.

— Você vai me dizer o que diabos aconteceu, ou vou precisar adivinhar?

— Não é difícil de imaginar.

— Minha imaginação está em falta. Se fossemos pessoas normais, eu diria que você entrou em uma briga de bar. – ela parou quando tirou os trapos da camisa, haviam cortes de faca e ferimentos a bala – Como eu dizia...

— Eu encontrei parte dos alvos.

— Simples assim?

— Não foi simples assim.

Ao perceber que ele simplesmente se calou, ela ignorou a vontade de iniciar a discussão e cuidou de limpar os ferimentos e suturar o que era necessário.

— Saí por ai deixando claro quem eu era.

— Muito sábio da sua parte! Fazer isso em território inimigo.

— Não me venha com sermão. Tentamos de tudo, esses malditos simplesmente sumiram no mundo.

— Então, quem foi que você encontrou?

— Apenas alguns peixes pequenos, o único problema, eu duvido que achemos mais alguém.

— Por?

— Eles desistiram, Hinata. Os homens que encontrei eram só iscas. A essa altura, o que restou do comando da Bratva deve estar bem longe, isso provavelmente vale para Madara também. A busca acabou. A Vongola vai continuar a busca, porém, com efetivo comum.

Assim como ele esperava, aquela notícia abalou Hinata. Não era apenas pela perspectiva de Madara escapar, era também por tudo que ela passou nos últimos meses. De certa forma, tudo foi em vão. E ele não tinha a menor ideia de como ela reagiria.

— Bem, vou tomar um banho. Partimos amanhã de volta para a Itália.

Foram precisas apenas algumas horas, para Naruto entender que aquela, seria uma das últimas vezes que veria Hinata. Ele entendeu cada uma das conflitantes emoções vindas dela, não foram precisos lágrimas ou um choro silencioso. Ele entendera pelo toque, pela batida fraca do coração. Era a última noite deles.

Pela primeira vez depois do acontecido a Hanabi, ela procurou verdadeiramente por ele, naquela única vez, o sexo não fora uma válvula de escape para o que eles sentiam e viviam. Havia calor nos lábios e na pele, haviam sentimentos correndo naquele corpo.

Um arrepio acordou Naruto pela manhã. O leve frio que invadia o quarto do hotel fazia a pele pinicar, assim como lado frio da cama onde seu braço estava esticado. Breves momentos de torpor fizeram ele levantar a cabeça e encarar o quarto confuso, não havia mais sinais de Hinata por lá. Foram se embora os cabelos azulados e o olhar violeta que o encaravam todas as manhãs, cada hora com sentimentos diferentes. Não havia o cheiro do café, nem sinal de alguém ter pedido serviço de quarto. Uma das malas desaparecera.

O torpor terminou quando ele sentiu o rosto esquentar. Ele riu quando sentou na cama e secou o rosto, então ele ainda era humano o suficiente para chorar?

Sobre o criado mudo, o anel da chuva repousava, cuidadosamente colocado em cima de um envelope. Lá estava a carta, a despedida. Um compilado de frases e sentimentos que ele jamais leria. Não havia porque, o “eu te amo” dela ainda estava fresco na sua memória. Ler aquela carta não a traria de volta, não o livraria de todo o sangue e morte. Não mudaria nada.

Três meses depois, Torino, Itália.

Uma total confusão havia dominado qualquer possível meio de comunicação. De um dia para o outro, o furo de reportagem que todo jornalista sonhava estourou. Quando o rumor que circulava por entre os editores dos maiores jornais do mundo, tomou contornos de escândalo e depois, rumou para um fato histórico, o mundo de fato parou. Subitamente, a palavra “máfia” era incansavelmente repetida, assim como “Vongola”. A internet praticamente caiu quando o alemão Bild, os britânicos Daily Mail e The Sun, assim como o americano New York Times, publicaram resumos de um dossiê. Em meio a vários terabyte de arquivos, vários jornais mundo afora entraram em acordo para saber quem publicaria o quê. Em uma semana, centenas de governos caíram, praticamente todos foram obrigados a rever o sistema político e executar reformas governamentais às pressas. Leis foram revistas, escândalos foram jogados ao vento, tudo por que um tal de Cielo, líder da tal Vongola Famiglia, revelou o mundo como ele realmente é.

Dezenas de milhares de penas de morte foram deferidas contra pessoas da mais variada classe social, tudo por que, a maioria esmagadoras dos acusados, usava o poder das próprias riquezas para alimentar os piores mercados negros do mundo. Atrocidades que muitos classificavam como mito e história. Todo o conceito de segurança do mundo fora modificado, subitamente, guerras religiosas e incursões contra o terrorismo foram extintas, afinal, haviam nomes no dossiê, nomes até mesmo de quem simplesmente servia café em uma cúpula de terroristas. Antes que um quinto do dossiê fosse publicado, a ONU fervilhava com reuniões, tratados e desmantelamento de blocos econômicos.

Dois meses atrás, quando Naruto expôs sua decisão para os outros guardiões, alguns foram contra, outros foram a favor. O mesmo aconteceu com os demais filiados à Vongola. O gatilho para a mudança, foi o fato de metade da família concordar com a decisão do chefe, dessa forma, a decisão de Naruto foi cumprida. Em uma semana, todos os membros não pertencentes a alta cúpula, já estavam espalhados pelo mundo, novas identidades e pequenas fortunas nos bolsos para recomeçarem a vida. Os mais revoltosos, e perigosos, tiveram suas identidades entregues à ONU para serem vigiados. Quando tudo que restava da Vongola, era a liderança da família, da Varia e da CEDEF, os anéis foram entregues ao tal ferreiro Talbot, dessa forma, se tudo voltasse para a bagunça de sempre, uma hora alguém acharia o velho e criaria novamente a Vongola. Todas as propriedades da família foram vendidas, noventa por cento dos bilhões arrecadados foram repassados para ONGs criadas pela própria Vongola, dessa forma, as mudanças iniciadas pela família, seriam mantidas e seguiriam o rumo planejado.

Após vários acordos na ONU, as identidades dos líderes foram extintas de todos os documentos e vias oficiais. Embora muito fosse falado sobre prisão perpétua para cada um deles, no final os antigos “donos” do mundo, simplesmente desapareceram, se mesclando entre pessoas comuns.

Agora, fazia um ano desde o hotel em Ecaterimburgo. Um ano inteiro desde que Naruto guardara aquela carta no bolso. Pela primeira vez, ele sentia uma necessidade mórbida em abrir o envelope e ver o que havia lá. De alguma forma, a vida lhe pregava peças, não haviam fotos, foram todas destruídas por ele mesmo após falhar em encontrar Hinata antes da dissolução da Vongola. Ele passara anos evitando as memórias dela, e durante esses anos, a imagem dela era nítida na sua mente. Agora, quando ele perdia horas e horas na internet a procura de um sinal dela, tudo estava desfocado. Os detalhes do rosto dela se perdiam, como era sua voz? Ou a sensação que tinha ao tocá-la?

Todas as noites, ele perdia horas pensando se morreria no dia seguinte. Havia deixado pontas soltas muito importantes, Madara ainda estava lá fora. Hinata estava lá fora.

Uma pequena mancha amarelada havia tirado parte da integridade do envelope, o papel molhara na chuva dias atrás. Ele abriu o envelope com um pensamento fixo, afinal, seria muito fácil lhe tirarem aquilo também.

Ao menos, vamos ler logo essa carta antes que isso também me fuja.

Notas finais
Bom meus queridos, Pecados está de volta! Vamos por partes. Esse autor que vos escreve, pegou a famigerada Zika. Doença malditinha que me deixou de cama por 4 dias apenas, mas largou dores articulares absurdas em mim nesse tempo. Façam de tudo para não pegar essa praga, é agoniante (principalmente para um escritor) não poder trabalhar pois os dedos doem com qualquer movimento. Resumindo: fiquei entrevado por um mês inteiro, agora que a dor tá ficando mais restrita e menos incômoda. Quanto a Pecados, como eu lhes disse, é reta final. Quando vai terminar? 29? 30? Menos. Eu vim testando vários assuntos para chegar no final escolhido, e nenhum deles ficou acima do nível "enchi linguiça", por isso, prefiro resumir e ir direto ao ponto. Além disso, é uma fic que me gasta muito tempo e quebra minha cabeça, para ser sincero com vocês, sinto que ela só vai sair 80% como eu quero, se a reescrever mais umas quatro vezes. E também, tenho outros projetos em mente, provavelmente farei mais uma ou duas fics no universo de Naruto antes de partir para outros rumos (livros!). Então... Quanto ao 24... Não tenho previsão para vocês, não vai demorar 2 meses, mas não vai ser um primor de rapidez. Vai terminar no próximo capítulo? Talvez. Vai ter final feliz? Talvez. Vai ter final triste? Talvez. De qualquer forma, até a próxima! PS: Eu peço perdão humildemente pelos erros de português, eu estou indo dormir agora, exatamente as 07:24 do dia 07/07/16! Meus olhos não conseguem revisar mais, se houver algum erro grosseiro, concerto quando acordar. PS²: Desculpem por não responder alguns comentários! Eu leio todos, ocorre que as vezes eu apenas leio o email que o Nyah! repassa, 90% das vezes faço isso na rua e sempre acabo esquecendo de vir responder quando estou em casa. PS³: Só pra não esquecer, sou autor gente, não autora ;-;