Pecados

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Pessoal, peço desculpas pelo atraso, tenham uma boa leitura e atenção a nota final!

Seis meses depois, algum lugar da Sibéria.

Hinata havia chegado a uma certeza, se o inferno realmente existe, ele é frio. Não importa o quanto ela gostasse da temperatura mais baixa, após um determinado ponto abaixo de zero, o tempo se tornava um senhor inimigo. O sol mal havia deixado o horizonte, e a temperatura já havia despencado de uma forma absurda. Era demais para aquela época do ano.

Levou pouco menos de meia hora para as roupas começarem a perder a efetividade. E considerando o quão mal vestida estava para um tempo daqueles, já era um milagre ainda não ter congelado. As incursões na Rússia vinham se mostrando particularmente improdutivas e na maioria das vezes, desperdício de tempo e recursos. Faziam três meses desde a chegada da Vongola ao país, e o que inicialmente seria uma busca pelos três líderes restantes da Bratva, acabou se tornando um jogo de gato e rato com o restante da máfia russa e da Akatsuki.

Embora fosse, de fato, a Pioggia da Vongola por quase sete meses, Hinata não era nada mais que uma sombra nas operações e por vezes, realmente era tratada como uma. As poucas informações que ela possuía, foram conseguidas com muito custo e graças a curtas explicações de Tsunade. Embora a guerra com a Akatsuki fosse inicialmente preocupante, o evento tornou-se mais um massacre do que uma guerra. Os principais efetivos da organização foram totalmente destruídos em poucas semanas e, nessa altura, apenas Madara, dois de seus homens de confiança e um punhado de capangas compunham a Akatsuki. A Vongola perseguiu seus inimigos com afinco por toda a Europa, mas quando finalmente era a hora de encurralar Madara e dar um fim a tudo, ele conseguiu escapar para a Rússia ao sacrificar os dois líderes restantes e parte dos seus homens. E uma vez que ele entrou em território russo, desapareceu como poeira ao vento.

A destruição da Bratva, assim como todas as mudanças que a Vongola impôs ao governo russo, haviam enfraquecido o país. Embora a economia e a vida do povo estivessem melhores do que nunca, foi a primeira vez que Rússia e Estados Unidos mantinham tantos acordos comerciais, tudo costurado pela Vongola e essa dependência por parte de ambos os países, havia enfraquecido a Vongola tanto na Rússia quanto nos EUA. Embora a família ainda tivesse livre acesso as fronteiras, havia perdido o acesso as redes de inteligência. Graças a isso, Naruto levou dois meses inteiros revirando meia Rússia para encontrar uma única pista sobre Madara.

E essa pista havia sido igualmente produtiva: nada, nenhum resquício de Madara.

— Se vamos invadir a maldita casa, é melhor você dar a ordem enquanto nossas pernas ainda funcionam!

A reclamação partiu de Sasuke, e embora Gaara tenha olhado de modo irritado para Tempesta, acabou concordando. Em silêncio, Naruto recomeçou a caminhada por entre as árvores, flanquear a casa em meio a neve, o frio e presença frequente de ursos era mais problemático que o imaginado. E quando finalmente chegaram na casa, encontraram mais do mesmo: nada. O lugar estava abandonado faziam anos pelo estado de poeira e sujeira acumulada.

Ignorando o que fosse que a parte masculina do grupo fosse fazer dentro da casa, Hinata se separou do trio e após juntar os galhos mais secos que conseguiu encontrar, fez uma fogueira sob o chão de pedra da varanda, tirou um grosso casaco da sua mochila e agradeceu a qualquer Deus que fosse lhe ouvir por não ter acontecido uma batalha naquele lugar. Estava enfiada naquela floresta faziam dias, não dormira direito, não comera direito. Juntando isso ao frio inebriante e ela jurava que seus reflexos estariam tão lentos quanto os de uma preguiça.

Por um momento, ela levou a mão ao bolso, mas hesitou e deixou o conteúdo guardado, já estava acostumada com a indiferença ao qual era tratada, não daria uma deixa para quebrarem o silêncio a enchendo de perguntas irônicas e comentários. Sua vida estava de fato, sendo o inferno que Naruto prometera, desde a cerimônia de posse que ele convocara no dia seguinte ao enterro de Hanabi, um leproso receberia mais compaixão e atenção em plena idade média, do que ela teria na Vongola. Fora obrigada a receber o anel da chuva enquanto cada membro da família lhe dirigia ofensas, xingamentos e cusparadas. Fora relegada de tantas formas que era quase absurdo, teve todos os seus direitos retirados por Naruto, ela não tinha acesso a praticamente nada. Nas três semanas que ficou em Torino, foi obrigada a se virar para conseguir comida, roupas e um canto para dormir.

Durante as missões, ela aprendeu que seria sempre ela a estar de guarda e dormir o mínimo possível. Mal recebia equipamentos e mantimentos, era obrigada a racionar e se contentar, também foi obrigada a descobrir como fazer as próprias suturas e curativos, assim como os medicamentos corretos para se tomar em situações adversas. Já havia ficado doente tantas vezes nos últimos meses que era um verdadeiro milagre ela estar ali. Ou era assim que preferia pensar, quando a situação era demasiadamente perigosa, por vezes Naruto acabava lhe salvando no último momento, fosse com os cuidados no ferimento nas costas que ela ganhou em Estoril, a forte pneumonia que tivera na Polônia ou o pulso que quebrou dois meses atrás em Moscou. Mesmo assim, noventa por cento dos seus dias, eram como aquele momento, relegada a própria sorte, sozinha e esquecida.

Subitamente, o sono a pegou de uma maneira tão forte, que ela só conseguiu despertar quando a lua já estava a toda no céu. Ela acordou no susto, preocupada com o frio e o seu estado, mas permitiu o esboço de um pequeno sorriso quando olhou ao redor. Uma manta fora colocada sobre ela, a fogueira foi mantida a toda e diversos pedaços mais grossos de madeira foram deixados ali, assim como uma garrafa térmica com café, outra com água e uma pequena dose de conhaque. Tentando fazer a menor quantidade de barulho possível, ela espiou dentro da casa para ter certeza que era a única pessoa desperta ali e ao ter a confirmação, retirou a pequena carteira que se tornou seu item mais precioso desde que recebera o anel da chuva. Lá de dentro, ela retirou uma foto antiga, caprichosamente revestida para que as intempéries do tempo não lhe destruíssem e, quando o primeiro olhar recaiu sobre o retrato, ela precisou de toda a força disponível para que o choro compulsivo dela não atraísse a indevida atenção do trio.

Ali estava impressa a única foto que conseguira surrupiar das coisas de Hanabi, e a que lhe causara mais impacto. Era uma foto antiga, estampava ela, Naruto e Hanabi dias após a mudança para a Itália durante a infância. O arrependimento havia a abraçado com tanta força, que apertava seu peito e seu coração. Faziam meses desde que ela amaldiçoava o fato de Naruto ter impedido a família de lhe matar, afinal de contas, uma semana após a cerimônia de posse, alguém, de alguma forma, havia conseguido a informação – mesmo que incompleta – da conexão dela com Madara e espalhado o fato aos sete ventos.

Torino, seis meses atrás.

Ela recobrou a consciência com um choque, o balde de água gelada fizera sua pele, seus músculos e seus nervos gritarem em desespero. Seus pulmões inflaram de uma forma tão rápida e abrupta que pareciam cheios de ácido. Levou alguns minutos para que ela conseguisse entender o que acontecia, até que o gosto de sangue que ia e vinha na linha e a visão limitada, a fizeram recordar. Pela forma como seu corpo havia se desligado, ela deveria ter continuado a apanhar por horas a fio. Mal conseguia sentir os pés e as mãos, embora não estivesse totalmente nua, a pele estava tão machucada que mal conseguia transmitir alguma coisa. Sentia os pulmões queimarem e um verdadeiro mar de dor a cada respirada, seria um milagre se alguma costela ainda estivesse inteira. Assim como grande parte dos seus ossos.

Hinata mal conseguira entender o que aconteceu. Estava quieta, sentada nos pés de uma árvore quando uma verdadeira comitiva da Vongola a aprisionara em um prédio antigo e começaram a surrá-la com gritos de “traidora” para todo lado. O entendimento de que Naruto ou alguma outra pessoa havia dado com a língua nos dentes sobre ela e Madara, veio após um tempo e junto com ele, aquela certeza de que iria morrer naquele prédio fétido.

Quando os socos e pontapés deixaram de ser efetivo, ela passou a ser submetida a choques elétricos até desmaiar, era então acordada a força para que a tortura começasse. E ela provavelmente continuaria, por horas afinco, até ela morrer ou ter várias partes do seu corpo decepadas. Continuaria, se não fosse a entrada incrédula e espantada de Naruto no local.

Inicialmente, o olhar estranho e frio que fora estampado nos olhos dele, causaram mais dor e pânico do que toda aquela tortura. A intervenção, no entanto, veio logo a seguir.

— Eu não me lembro de ter dado permissão para agirem como animais. – ele bradou em italiano.

— Chefe! O senhor não pode protege-la! Ela é uma traidora! Não bastou trair a própria irmã, nem mesmo esperou o cadáver esfriar para usurpar a posição de guardiã. Se o senhor –

— Se eu? Por favor continue monsieur Beauchamp. – puxando a resposta para o francês, idioma materno do homem que protestara, Naruto o encarou – Por favor, não se abata e vele sua ameaça. Só tenha certeza de que ela vai valer a pena, pois pode ser a última coisa que fará. – coçando a cabeça e resmungando, ele continuou – Eu entendo o ressentimento de vocês, obriguei a família a aturar uma Pioggia incapaz, e quando finalmente lhes entrego uma guardiã exemplar, ela é assassinada graças a uma traição idiota. Eu entendo, senhores, que a vida de vocês é muitas vezes, colocada na ponta da lança graças as ordens da cúpula, entendo sua raiva e incredulidade. Mas eu não autorizei isso, eu não corroborei a autenticidade da informação que vocês, de alguma forma, conseguiram. E mesmo que eu o tivesse, Hinata não foi julgada. Vocês sabem que a pena por insubordinação é a morte, e vocês cometeram esse crime ao agredir uma guardiã.

Claramente revoltado, Naruto deu um assobio e uma dúzia de homens armados invadiram o local, acompanhados por Gaara, Shikamaru e Tsunade.

— Vocês serão escoltados e detidos para julgamento. O futuro de vocês pertence ao juízo da CEDEF. E quanto a você – ele deu uma olhada para Hinata – Tsunade, faça apenas o necessário para que ela não morra, nada além disso.

Sibéria, dia atual.

Por mais que ela quisesse ter odiado a atitude simplista e fria de Naruto, os sentimentos que ele havia disfarçado, não passaram despercebidos por ela. Hinata sabia que a notícia da traição dela iria, uma hora ou outra, levantar perguntas, e quando a pergunta correta fosse feita, as decisões de Naruto em presar mais Hinata que qualquer outra coisa, abalaria o comando dele. E se por algum motivo, ele fosse destituído, ela tinha certeza de que a primeira morte, seria a dela. Foi por isso que, quando os responsáveis pela sua tortura, passaram com apenas uma advertência, ela optou por se calar e continuar sua vida.

Viver, se tornou a coisa mais difícil para Hinata. Naruto fora obrigado a rebaixá-la para um status pior que o de um pária, um mero mendigo teria mais privilégios na Vongola do que ela. Por isso, apesar de ser oficialmente a Pioggia da Vongola, ela fora proibida de carregar o anel da chuva e privada de qualquer benefício do título. Fora privada também, de qualquer benefício civil. Por isso, não podia se opor e não ir nas missões, simplesmente ficar em algum buraco, entocada e quieta era impensável.

Levou quatro dias para que eles deixassem a floresta e esgotassem qualquer chance de encontrar qualquer vestígio de Madara. E embora Hinata pensasse que inicialmente, ficariam um pouco em Moscou, o helicóptero que os buscou em um campo, nem mesmo rumou para a capital. Shikamaru havia reunido diversas outras pistas, desde as mais insignificantes e improváveis, até uma informação interessante, aparentemente, a unidade pessoal de Orochimaru na Varia, havia apreendido um estranho container em um navio que se preparava para deixar a Rússia em direção aos EUA. O container era, de acordo com um scanner, um pequeno cômodo de luxo blindado e refrigerado, cujo ilustre passageiro necessitaria de um breve esforço para ser identificado, já que se trancara no lugar. O que havia despertado a atenção de Orochimaru, era o fato do navio usado ser um dos mais usados pela Akatsuki para contrabando. Se fosse Madara dentro daquele container, a Vongola havia tirado a sorte grande.

Com essa perspectiva, Naruto despachou Gaara e Sasuke para a companhia de Orochimaru. Os dois guardiões seguiriam no encalço de Madara enquanto ele, acompanhado de Hinata, seguiria os traços do último chefe da Bratva que ainda tinha a cabeça no pescoço.

E a intuição de Hinata gritava que algo, de intensidade desconhecida, aconteceria com ela durante essa última investida.

Notas finais
Pessoal, desculpem pelo sumiço, eu ando totalmente sem tempo e estava sem internet também. Tentei postar pelo celular mais é um desafio que não consegui cumprir kkkk. Bom, teremos um capítulo por semana, aos sábados, na medida do possível, o capítulo 23 está só no esqueleto e eu tentarei completá-lo na segunda feira. Tudo correndo bem na semana, ele será postado no próximo sábado. Até lá! PS: responderei aos comentários do capítulo anterior e aos desse assim que tiver tempo!