Pecados

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Boa leitura!!

Antes que a cabeça de Naruto pudesse processar o que havia acontecido, e entender que parte da confusão se dava pela captura dos atiradores, ele deixou que o seu corpo simplesmente seguisse aquele caminho de desespero.

Ignorando quase tudo, o que chegou aos ouvidos dele foram os gritos de Hinata. E por mais que seu coração martelasse o corpo a cada batida, tentando ordenar que ele não visse o resultado daquela cena, seu cérebro se recusava a ceder. Era tudo uma mentira. Tinha que ser.

— HANABI!

O grito desesperado dela foi praticamente em vão. Não havia uma única pessoa capaz de fazer algo. Mesmo o lugar estando lotado de homens da Vongola que observavam, em choque, o desenrolar daquela fatídica cena. No momento em que Naruto chegou a poucos passos delas, seu corpo perdeu toda a força em um instante, e naquele pequeno segundo, sentiu as pernas ficarem bambas.

O sangue escorria pelo chão e pelo colo de Hinata. Sem pudor algum, sem misericórdia e retratando aquela verdade inegável. O corpo de Hanabi estava no colo de Hinata, cravejado por duas dúzias de balas, ele ainda presenciou a garota levantar inutilmente a mão na direção dele. E antes que a vida escapasse daqueles olhos, ele conseguiu reunir suas últimas forças para chegar até sua Pioggia.

Ela tentou murmurar algo, mas a hemorragia já havia lhe enchido a garganta de sangue. Conformada de que sua vida terminaria ali, em poucos segundos, Hanabi fez um último esforço para colocar a mão de Naruto sobre a de Hinata e com um singelo sorriso, ela se foi.

— Não...

A morte abraçou Hanabi em um instante. Ela se foi sem derramar nenhuma lágrima, deixando para trás, um sorriso e a esperança de que as coisas se acertassem entre as duas pessoas mais importantes para ela.

Nada disso, no entanto, foi suficiente para aplacar aquela dor. A mente de Naruto subitamente nublou. A dor e a raiva foram tão fortes, que seu corpo simplesmente travara, ele abraçou o corpo inerte de Hanabi com um choro tão denso e pesado, que nenhum de seus subordinados ousou se aproximar. Em uma situação normal, a prioridade seria tirá-lo dali, leva-lo para algum lugar seguro. Agora, no entanto, tudo que Hinata conseguiu enxergar no único momento que desviou os olhos do corpo de sua irmã, foram as dezenas de homens presentes naquele lugar, fecharem os olhos e em um choro silencioso, prestarem preces. Uma Vongola com um futuro brilhante havia caído.

Antes que demais lamentos pudessem ser prestados, ou qualquer singela palavra pudesse ser dita, nenhum membro da Vongola ficou no caminho. Fosse desde o mais desprestigiado capanga até seus guardiões, ninguém ousou se mexer quando Naruto levantou e revelou aquele olhar. Havia uma resposta intrínseca por de trás das lendas e misticismo envolvendo os anéis: tudo era verdade.

Ninguém jamais entendeu como, quando ou com o que, os anéis foram forjados, haviam historiadores de prestígio filiados à Vongola que as joias tiveram suas bases metálicas forjadas a partir de relíquias antigas e sagradas. Assim como cada uma das pedras. Embora os mais céticos refutassem isso e fossem descrentes das maldições que residiam cada anel, nem mesmo eles eram capazes de explicar as esporádicas e estranhas aparições do ferreiro Talbot, responsável por reparar os anéis em momentos de guerra. Grande parte da família defendia que “Talbot” era um título, passado adiante entre uma longa e antiga descendência. Isso, no entanto, não explicava a capacidade dos ferreiros em desaparecer totalmente do mundo, muito menos as habilidades absurdamente perfeitas, nem mesmo as mais precisas tecnologias foram capazes de reproduzir as forjas dos anéis.

Todos que chegavam a Vongola, encaravam as lendas como uma simples história para assustar, uma mera desculpa para criar uma corrente de medo ainda maior sobre os líderes da família. Embora cada um deles mudasse rapidamente de opinião quando estavam na companhia de algum portador, principalmente se o anel estivesse solto. A joia parecia sentir a descrença daqueles homens e a pressão que ela impunha ao ar era sempre maciça.

Hinata lembrara bem de como rira e se divertira com as histórias fantásticas que envolviam os anéis, poucos dias atrás, Naruto gastara horas e horas na clareira, tagarelando sobre o passado da família. E embora ela inicialmente acreditasse na versão mais simples, viu a mais complicada bater na sua porta. Pois aquele olhar e aquela presença, não pertenciam a Naruto.

Não era o olhar frio e desesperador que ele conseguia exibir nos momentos mais irritados. Era algo estranho, quebrado e deformado, como se aquele corpo, subitamente não tivesse uma alma como residente. E ela sentia a própria pele esfriar enquanto seu corpo mergulhava em um oceano de medo. A sensação era tão intensa, o ar havia ficado tão pesado e hostil, que por um momento, o corpo de Hanabi e todos os últimos minutos foram varridos da sua mente. Aquela... Coisa. Era perfeitamente capaz de matá-la por puro capricho, da pior forma possível, pelo simples fato de ter poder para isso.

Embora ela jurasse que ele mataria os atiradores, um olhar bem calculista os encarou e em seguida os ignorou. Ele simplesmente entrou no primeiro carro que viu e deixou o lugar em disparada.

A ausência de Naruto, parecia ter permitido o tempo correr outra vez. Antes que Hinata percebe-se, Sasuke havia lhe puxado para longe de Hanabi enquanto Gaara usava o próprio terno para ocultar um pouco o corpo.

— Escute. – Sasuke a chamou – Preciso que você desligue seus sentimentos um pouco. Precisamos impedir Naruto de fazer algo extremo, e embora eu tenha quase certeza de que nem mesmo você vai tirá-lo do transe, é a única cartada que temos.

— Para onde ele foi? – a pergunta saiu gaguejada em um sussurro.

— Uma cidade ao nordeste, Nairn. Madara tem propriedades por lá e parece que é o último recanto seguro dele após a Varia o encurralar.

— Que seja, não acho que eu vá ter alguma utilidade, mas vou mesmo assim.

O que nem Hinata, nem Sasuke nem qualquer um dos guardiões que perseguiam o rastro de Naruto, esperariam, era que com pouco mais de quinze minutos de vantagem, o Cielo da Vongola conseguiria fazer um estrago tão grande. Nairn era uma pequena cidade, e a certeza de que Madara estava no centro do lugar, reduziu a busca de Naruto de forma mortal. O prédio melhor vigiado foi o destino dele, e quando a Vongola chegou, tudo que viram foi um rastro de sangue e barbaridade. Havia pelo menos uma dúzia de mafiosos, e outra dúzia de civis que provavelmente, foram pegos no fogo cruzado.

Ver pessoas que não tinham a ver com aquilo, pagar pelas ações de Naruto, gerou uma revolta inesperada nela. Não era o desejo da Hinata policial, provavelmente era um dos seus antigos sentimentos, já que algo gritava na cabeça dela, precisava pará-lo antes que fosse tarde demais. Ela havia entendido nas últimas semanas, que o confuso código de ética da Vongola, colocava qualquer bandido em um patamar mais indigno que uma barata, um civil, no entanto, era alguém cuja segurança era inquestionável. Deflagrar uma atitude onde vidas inocentes fossem postas em risco, era algo grave, porém, agir ignorando tudo e ceifando tais vidas, era algo passível de morte. Daquele momento em diante, qualquer membro da Vongola, ativo ou inativo – o que incluía ela – estaria apto a matar o portador do anel do céu sem sofrer qualquer represália.

Enquanto uma verdadeira caravana de membros cuidava dos civis ainda vivos e feridos, Hinata entrou no prédio no encalço de Sasuke, Shikamaru e Gaara. E a cada pequeno avanço que os deixava mais próximos de Naruto, o cenário de terror aumentava gradualmente.

Quase na cobertura, Naruto avançava com tanta ferocidade e determinação, que ignorava os ferimentos acumulados naquela empreitada. Além das dezenas de tiros de raspão, algumas balas haviam lhe perfurado completamente. Três tiros haviam inutilizado seu braço esquerdo, pois danificaram os ossos do ombro, sua clavícula e seus tendões. Um quarto tiro havia aberto um rasgo no seu pescoço, embora não fosse grave, o ferimento incomodava. E um quinto tiro, havia se alojado no seu fêmur, que parecia prestes a se partir a qualquer minuto.

Nada disso fora suficiente para tirá-lo do controle do anel, sua mente e sua existência foram relegadas a um canto escuro e inundado de dor, arrependimento e sangue. Sangue inocente, sangue de Hanabi, sangue de cada boa pessoa que encontrou um fim pelas mãos dele. Um grito desesperado de Hinata, veio ecoando pelas escadas, e embora a lembrança dela tivesse quebrado um pequeno ponto naquelas paredes, dando a ele uma singela luzinha, o simples ato de tentar agarrá-la, havia trago todas aquelas pessoas de voltar. Mãos lhe puxaram quando ele tentou lutar, seus pais, os amigos que fizera na família e morreram por ele, Hiashi, os guardiões mortos da geração de seu pai, as vidas inocentes afetadas pelas atitudes dele e no topo daquelas mãos gélidas e ossudas, a pele ainda quente de Hanabi, o trancou de vez naquele lugar. Não havia mais luz. Ela não merecia mais ser aquela luz.

O progresso de Hinata e dos guardiões, cessou quando um andar inteiro de seguranças apareceu ainda atordoado. Embora Gaara tivesse tentado evitar, ele praguejou quando viu Hinata lhe escapar pelas mãos e se embrenhar entre os mortos e feridos, avançando despercebida pelas escadas. Ela rumou em direção a Naruto, totalmente desprotegida.

Antes que ele conseguisse enfim, chegar a cobertura. O grito ofegante dela fez seu corpo parar. Havia algo de perigoso na presença dela, algo que ele não entendia e não fazia a mínima questão de tentar se lembrar. Não importava mais, não agora, não depois de ver as suas decisões, lhe tirarem mais uma vez, alguém precioso. Ele não era capaz de proteger nada, muito menos alguém. Então por que se daria ao trabalho de se lembrar o que ela representava para ele?

Sentindo as pernas queimando, ela deu uma última e apressada corrida, postou-se em frente a ele, impedindo que ele se aproximasse da porta.

— Saia!

— Não! Já chega, Naruto, por favor! Você matou pessoas inocentes! Olhe o quanto você caiu, acha que Hanabi está feliz em ver o que o você está se tornando?

— Cale-se! Não ouse dizer esse nome!

— Por que? É doloroso demais encarar a verdade? Foi você quem a arrastou para isso tudo, foi você quem fez dela uma Vongola!

Embora a ideia inicial dela fosse simplesmente ganhar tempo até Sasuke e Gaara chegarem, as palavras simplesmente escorriam pela sua boca.

— Como ousa...

— Eu ouso! Você não percebe? Tudo está tão errado e mesmo assim você não enxerga?! Tem noção do quanto ódio eu carrego por você nesse instante? Se você não tivesse sempre tomado as decisões erradas, nada disso estaria acontecendo! Você optou por me abandonar, e depois, ignorando o correto, voltou para a minha vida, me usando como isca. O seu mundo perfeito custou algo muito mais precioso para mim! Por sua causa, sua, exclusivamente sua, Hanabi foi violentada, foi exposta a esse mundo tóxico e cancerígeno, por sua causa, ela está morta! MORTA!

O grito quase estourou sua garganta, colocara tanta força naquelas palavras que poderia jurar ter perdido a capacidade de falar. E nada disso parecia importar mais, não queria saber se estava errada, se estava certa. Ela odiava Naruto por ter trago Hanabi para aquele mundo, odiava ele por tê-la abandonado. E ainda mais, ela odiava, ter que carregar tantos sentimentos negativos, pelo homem que ela amava.

— Por favor, Naruto, apenas pare! Apenas desista! Que garantia você tem que é Madara que está atrás dessas portas? E se não for ele? Você vai conseguir parar e evitar prolongar ainda mais essa carnificina? Pare, antes que isso seja irreversível, você não é isso! Eu sei que não é!

Encurralada contra a porta, ela sentiu um medo quase irracional lhe abraçar quando ele avançou até ela, encurtando a distância e com um olhar totalmente estranho, Naruto parou a poucos centímetros dela e lhe abraçou. Um abraço frio e superficial.

— O que você –

O disparo ecoou pelo corredor, e antes que Hinata pudesse sentir a dor aflorar pelo seu abdômen, sentiu a visão embaçar e o corpo perder a força. Ele apenas sussurrou algo, que ela não entendeu, antes de avançar pelas portas.

Notas finais
Bom pessoal, cá estamos com o capítulo 20 postado e eu tenho alguns avisos: Primeiro, é quase certo que eu não poste o 21 no sábado, embora eu tenha escrito bastante, só tenho até o 23 pronto e como a minha rotina tá uma verdadeira bagunça, não quero arriscar manter o prazo curto de postagem e ficar sem capítulos prontos para uma emergência. Segundo, antes eu havia dito que Pecados deveria ter algo entre 30 a 35 capítulos. Pois bem, será menos, agora que já escolhi o final, a montagem do cenário ideal para ele deve levar a história até o capítulo 25. Dessa forma, com os 3 ~ 4 capítulos que abrangem o final, Pecados acabaria no 29. Essa contagem ainda não é permanente, porém, 80% certo de que tudo acaba entre o 28 e 30. PS: onde estão meus leitores ;-;! Sei que vocês estão ai graças ao contador de visita então não virem fantasmas seus danadinhos!