Peace in Hell - 2° Desafio Sherlolly Season II
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Para Sherlock Holmes o ensino médio era seu Inferno na Terra.
Definitivamente.
Podia listar várias razões para poder afirmar isso, entre elas estavam: ao seu ver, seu colegas de sala não passavam de um bando de bocós; a maioria de seus professores praticavam adultério e se achavam no direito de passar lição de moral; as repreensões que era obrigado a ouvir do diretor por desrespeitar (responder como merecia) um professor.
O Purgatório estava em débito com ele, sem sombra de dúvidas.
Não que ele fosse um crente e acreditava em toda a baboseira de Inferno, Paraíso.
O fato era, Sherlock odiava o ensino médio.
Maldito Mycroft que não fez uso da sua influência para que ele pudesse ir direto para faculdade.
Era mais um dia de provação no colégio, seu parceiro de laboratório John tinha faltado e não estava com um pingo de vontade de aguentar aquele professor explicando coisas que ele mesmo se ocupara em aprender sozinho, foi para seu refúgio favorito: a biblioteca.
A biblioteca era enorme como todas deveriam ser, na sua opinião o único lugar que valia a pena em toda aquela provação. Foi direto para onde ficavam os livros de química, anatomia, alguns que explicavam a ciência forense, escolheu um canto e encostou-se nele, pegou o primeiro volume ao alcance das mãos, abriu-o e colocou no rosto para que pudesse tirar um cochilo.
Estava quase caindo no sono quando ouviu passos pararem na frente de si.
— Ei! Você ai! – Sherlock não respondeu, se fingisse estar dormindo seria deixado em paz. Ouviu um suspiro, ótimo, quem quer que fosse tinha desistido.
— Estou falando com você! – sentiu livro sendo tirado de seu rosto, abriu os olhos e deu de cara com uma garota de cabelos castanhos claros, olhos castanhos, pelo uniforme deviam estar no mesmo ano, mas não se lembrava dela em alguma aula.
— O que você quer? – perguntou sem tentar esconder o mau humor.
— Você não pode dormir aqui.
— E quem disse que não?
— É uma biblioteca, se quer dormir vá para sua casa!
— E quem é você?
— Sou Molly Hooper, estamos na mesma classe nas aulas de química e biologia, mas claro que você Sherlock, é egocêntrico demais para notar outras pessoas a sua volta.
— Pessoas são entediantes, assim como as aulas e a perda de tempo nessa escola. Se não se importa eu gostaria de voltar a ficar sozinho, então se precisa de algum livro por aqui pegue-o e volte por onde veio.
— Eu vou pegar o livro, mas me sentarei aqui você querendo ou não. – Molly estava impressionada com o egocentrismo de Sherlock e de certa forma seu mau humor a divertia, não pretendia ficar ali, mas de pirraça iria ficar para ensiná-lo que o mundo não girava em torno dele.
— Por que aqui? Essa biblioteca é enorme!
— Porque essa é a sessão mais fascinante da biblioteca e como pretendo me tornar médica legista, quanto mais conhecimento eu tiver, melhor. E também, aqui é mais silencioso que na área reservada para estudos.
— Argh! – Sherlock resmungou e pegou outro livro a esmo para colocar em cima do rosto. — Já que vai ficar, finja que é mais um dos livros e fique quieta.
Sherlock recolocou o livro na cara e rapidamente pegou no sono, Molly as vezes o olhava por cima do livro que lia, do rosto só via a cabeleira cacheada dele, seu uniforme estava todo amassado e a gravata saia do bolso da calça, balançou a cabeça, não devia ficar prestado atenção naquele mau humorado.
Começou a sentir fome e pegou na bolsa o que trouxera para um lanchinho escondido, deixo o livro de lado e pegou os fones de ouvido e a caixa com donuts na bolsa, colocou uma música para tocar enquanto comida. Estava tão distraída que não percebeu que Sherlock estava lhe encarando.
— Quer um? – perguntou tirando os fones.
— Não, não quero ficar gordo.
— Você está me chamando de gorda?
Sherlock estava se levantando, mas parou o movimento e se aproximou de Molly, estavam cara a cara de maneira que ela não conseguia desvia seu olhar do dele, ele levantou a mão e com um movimento que acompanhou pela visão periférica, viu-o tirar alguns farelos de seu cabelo. Depois disse se levantou e saiu sem olhar para trás.
Molly passou a mão pelo rosto envergonhada, por quanto tempo ele a tinha observado sem que ela percebesse? Lembrou-se de quando tinha começado o colegial e nos primeiros quinze dias nutriu uma paixão platônica por Sherlock – tinha chegado até a pensar em se declarar! – e era com quem tinha acabado de passar um tempo, balançou a cabeça irritada, ele com certeza havia notado na época e tinha aproveitado para no final tirar uma com a cara dela. Na certa ele achava que ela ainda nutria algo por ele...
Egocêntrico maldito!
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Depois disso passou a ser habitual Molly e Sherlock dividirem aquele lugar na biblioteca, mesmo ele a achando espaçosa, e ela o achando um egocêntrico mau humorado. Molly ia lá estudar, comer seus adorados donuts – depois de um tempo os dividia com Sherlock – e também quando apenas queria relaxar.
Sherlock que estava acostumado a andar sozinho, exceto pela eventual companhia de John, pouco a pouco se acostumou com a garota espaçosa que insistia em ficar no seu lugar – ele tinha encontrado aquele refúgio primeiro – percebeu que a companhia dela ali lhe trazia certa paz naquele seu sofrimento terreno.
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Estava nevando naquele dia e Molly ia ter duas alas vagas, ela correu em direção à biblioteca, o vento gelado cortando seu rosto e a neve que entrava em seu sapato umedecendo suas meias, não sabia se encontraria Sherlock ali, mas assim que virou o corredor deu de cara com Sherlock, ou melhor um burrito de Sherlock.
— Sherlock?!
— Hm... – ele respondeu do meio das cobertas pondo a cabeça para fora.
— Isso é lugar para virar enroladinho humano?
— Está frio. – ele enfiou a cabeça teatralmente na coberta. Molly não disse mais nada, ele a ouviu suspirar baixinho e sentar-se ali perto. — Você está usando só essa blusa de frio?
— Sim, acordei atrasada e esqueci-me de pegar meu casaco.
Foi a vez de Sherlock suspirar baixinho e resmungar algo como ‘além de espaçosa é desleixada’, se remexeu e com um movimento estava sentado.
— Anda, venha se sentar ao meu lado.
Molly pensou em recusar, mas estava com frio e não queria começar a bater os dentes na frente dele.
— Obrigada. – sentou-se ao lado dele e relaxou o corpo aos poucos a medida que seu corpo ia aquecendo.
— Você está gelada! – Sherlock resmungou e para surpresa de Molly passou os braços ao redor dela. — Se você pegar um gripe, terei que aguentá-la espirrando e espalhando seus germes por aqui.
— Ha-ha. – apenas comentou sentindo o corpo aquecer e o sono chegar.
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Ainda fazia frio e às vezes nevava, Sherlock não esperava sentir falta de Molly ali na biblioteca, mas sentiu quando ela ficou praticamente a semana toda sem ir na aula. Fez com que John descobrisse o motivo da ausência através das amigas dela, Molly estava acamada por causa de uma gripe muito forte.
Naquele dia, saiu na hora do intervalo e passou numa padaria, quinze minutos depois batia na porta da casa da família Hooper. A mãe abriu a porta e deixou que ele entrasse, indicou o quarto da garota.
— Molly?! – disse pondo a cabeleira cacheada na porta.
— Hm. – agora era a garota quem estava enrolada nas cobertas.
— Burrito de Molly é ? – comentou entrando no quarto e se sentando aos pés da cama.
— O que você quer? Ser contaminado pelos meus germes? – Sherlock não respondeu, Molly sentiu que ele se deitava ao seu lado. — O que está fazendo?
— Eu trouxe donuts e já que você não me deixa em paz, também não deixarei que se livre de mim por causa de uma gripe.
— Arrã, sei. Me passa logo esse donuts.
Sherlock entregou a caixa para Molly e completou sua frase mentalmente, e também ele não ficaria sem aquela sua paz no seu inferno na terra.
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