Paz na Guerra
7 Sob suspeita
Notas iniciais
Desde o incidente com Stilinski na noite anterior, ele não havia mais falado durante o sono e nem demonstrado sinais de agitação, o que deixava Lydia cada vez mais preocupada, não somente com o estado do jovem soldado, que quando acordava somente tomava um pouco de água, comia algumas colheradas de sopa que as enfermeiras lhe davam e voltava a dormir, mas a ruiva continuava debatendo-se mentalmente sobre o fato dele ter falado em alemão.
-Stiles? – Perguntou ela em um dos poucos momentos que o rapaz estava acordado, ao notar que o olhar dele recaiu sobre ela, continuou. – Ontem a noite, você falou um nome, e parecia assustado, aconteceu alguma coisa?
O soldado foi pego de surpresa, sabia que havia gritado, chamado por Malia, mas não esperava que Lydia lhe direcionaria essa pergunta, não tão breve, muito menos de maneira tão direta. Ainda sob o choque do questionamento da ruiva, olhou-a atentamente e com uma breve reflexão sobre o que poderia falar, pôs-se a falar, ao menos um pouco do que poderia revelar.
-Chamei a Malia né? – Perguntou ele olhando atentamente os olhos verdes que estavam sérios e mediante a confirmação, continuou. – Ela é minha esposa, ficou em casa enquanto eu estou aqui, tentando um futuro melhor pra todo mundo.
-Sente falta dela? – Perguntou Lydia, ainda sem acreditar que o rapaz em sua frente, tão novo quanto ela, já era casado, o que explicava muito seu comportamento recatado perante a ruiva.
-Todos os dias, e me preocupo em como ela possa estar, o que pode acontecer comigo aqui e ela sozinha, sem proteção de ninguém afinal, não da pra confiar em muitas pessoas nesse mundo, e a Malia... – Ele parou, quando notou que lágrimas começavam a brotar dos olhos castanhos, não poderia falar o real motivo de seu medo, pois, colocaria tudo em risco simplesmente por sentir saudades da mulher que era apaixonado desde a infância e havia se tornado sua esposa no ano anterior.
A ruiva sabia que ele escondia alguma coisa, primeiro por ter falado em alemão, coisa que ainda não sabia como abordar e agora a revelação de ser casado, demonstravam que muitas coisas estavam a serem descobertas naquele lugar, e ele a intrigava, o olhar sempre distante, a forma como pensava antes de falar, o modo de caminhar e analisar ela e Alisson enquanto estavam na enfermaria, e nas raras vezes que Scott se fez presente o rapaz ficava muito quieto e somente ouvia “provavelmente ele possa vir a ser alemão mesmo, e está com medo por terem ameaçado a mulher, o que o fez vir para nosso acampamento em alguma missão suicida, se for isso e ele acabar sendo descoberto, ele está perdido, mas se eu não contar pro McCall essa suspeita eu estou perdida”.
-Falei algo errado? – Perguntou Stilinski ao notar o silêncio e confusão expressos nos olhos do enfermeira em sua frente, que o olhava de maneira intensa.
-Não. – Disse Lydia temerosa pela decisão que teria que tomar. – É que estava pensando que você ser casado explica muito as suas atitudes que eu vinha a achar estranhas, como o extremo respeito por mim e pela Alisson.
Stiles sorriu de maneira tímida com a constatação da ruiva, então, pensou em esquecer somente por um instante que era soldado inimigo da garota em sua frente, e decidiu falar um pouco mais.
-Sempre agi assim na realidade, acho que todas as pessoas merecem ser respeitadas como iguais, independente do que acreditam ou seguem, tanto que acho que essa guerra é completamente errada, pois, levam em questão o que alguns acreditam e pregam, e não o todo, o que é melhor para o mundo como um todo.
-Por que está participando dela então? – Perguntou Lydia, querendo saber mais sobre o soldado em sua frente, pois, se fosse mesmo espião, como estavam imaginando, conseguiriam se precaver contra qualquer ameaça.
-Basicamente, tem haver com a Malia, era uma das únicas formas de protegê-la. – Disse ele olhando para a velha parede em frente a sua cama. – As pessoas não entendem diversas coisas sobre ela, e podemos dizer que mediante as ameaças que ela vinha sofrendo, encontrei como alternativa a vinda para a guerra, como uma forma de proteção a ela mesma.
Lydia sabia que entre meias palavras o soldado de olhos castanhos se referia ao fato de Malia pertencer a outra cultura o que fazia a mesma ser caçada, ser vítima dos alemães, mas não podia demonstrar que sabia mais, não ainda, pois corria o risco de Stiles não confiar mais nelas e fugir levando as informações que havia conseguido até o momento. Mas uma coisa a ruiva não podia negar, não queria que Stiles voltasse para o lado alemão, muito menos que sofresse nas mãos de seus colegas soldados, o real motivo, não sabia, mas algo no rapaz a intrigava, e faria todo o possível para que ele conseguisse voltar ileso para sua casa.
-Stiles, acho que está na hora de você descansar. – Disse com um meio sorriso, o que fez o moreno retribuir. – Pode não parecer, mas você ainda está acabado, e é melhor estar bom logo para que quando a guerra acabe encontre sua esposa.
-Lydia, agradeço por cuidar de mim dessa forma. – Disse Stilinski com um meio sorriso. – Acho que nunca fui bem tratado em um campo de batalha.
-Se acostume então soldado. – Respondeu ela ao levantar-se da velha cadeira em que se encontrava sentada e se dirigir até a porta. – Pois enquanto eu ser uma das enfermeiras desse esquadrão, você será bem cuidado.
Mieczyslaw sorriu, pois, apesar da guerra, de estar longe da esposa e do caos em que se encontrava, em uma missão suicida que poderia acabar com sua vida, a presença de Lydia lhe passava segurança e ele sabia que nela, poderia confiar, por mais absurdo que isso fosse.
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