Paz na Guerra
5 Mate-a
Notas iniciais
Já fazia duas horas desde que o jovem soldado Stilinski havia saído em missão para o lado americano, mas mesmo assim, o capitão daquele campo, não confiava no sucesso do rapaz, afinal, sempre fora um bom soldado, mas muito sentimentalista, por isso, falara que havia capturado a mulher do rapaz, quando a verdade fora outra.
-Senhor Harris. – Chamou o mais novo. – Mieczyslaw vai conseguir triunfar nessa missão?
-Duvido muito. – Respondeu o homem enquanto prestava atenção nos mapas que haviam colocado no decorrer do caminho entre o campo americano e alemão. – Deve ter sido capturado já, o que nos permite finalmente matar aquela esposa dela.
-Mas foi combinado que não faríamos isso com ele, que a garota iria viver.
-Douglas, Douglas... – Começou ele com um olhar reprovador sendo dirigido ao loiro que estava ao canto do alojamento dos capitães, afinal, quase nunca saiam de lá, os soldados lutavam a guerra, eles, mandavam. – Quando vai entender que a mulher desse soldado em específico é uma de nossas maiores inimigas? HEIN?!
-Achei que o trato... – Começou ele ficando vermelho e assustado com a reação de seu superior. – O trato poderia... Ele estaria...
-O trato não tem validade. – Respondeu Harris voltando para a mesa enquanto dedilhava sobre o mapa onde constava a capital de seu país e coincidentemente a cidade onde Stilinski morava com a esposa desde o casamento, um ano antes. – Ainda mais quando sabemos que o soldado que mandamos para o outro lado não tem a inteligência necessária de se safar do McCall, semana passada, fritou em óleo fervente um inglês de sangue puro alegando que era espião, o que não fará com o jovem Stilisnki?
-Você mandou-o para a morte certa, sem dó nem piedade e ainda quer acabar com a vida da família dele? Isso não se faz nem para nossos maiores inimigos! – Exasperou-se o mais novo indo em direção ao superior. – Tratos são tratos! Não devem ser quebrados.
-Em uma guerra, não existem tratos Douglas, e o Mieczyslaw vai aprender isso da pior maneira possível. – Disse Harris impondo-se em frente ao mais novo, que o olhou de igual para igual, sabendo que o general não era tão ágil quanto ele. – Existem soldados espertos e soldados criados para se sacrificarem, o Stilinski é um sacrifício, pois, enquanto ele está tentando chegar ao campo americano...
-E quem alega que ele não entrou?
-Suponhamos que ele tenha conseguido entrar, ele nunca vai se safar com vida. – Disse Harris sorrindo de maneira debochada ao rapaz em sua frente. – O que ele vai fazer em seguida? Ele nunca foi espião, não saberia como lidar e descobririam o garoto em dois tempos.
-Por que o mandou então? – Falou Douglas indignado com tudo o que ouvia.
—Precisava de alguma isca, alguém que confirmasse nossos boatos, que realmente havia um espião em campo americano, e o Stilinski não me desce soldado, ele é certinho demais, diz que não queria machucar ninguém, mas isso é uma GUERRA! – Falou o homem com a expressão beirando ao ódio. –Vai dizer que nunca ouviu falar que o McCall é o melhor em descobrir traidores? Por isso o mandei para lá, vai ter o castigo merecido!
—Mas ficaremos em desvantagem!
—Não ficaremos não, afinal, sou precavido, o melhor general de nossas tropas e, por isso, tenho sempre um segundo plano, induzi um dos nossos a mentir no campo vizinho que os americanos os dariam exilio.
-Por que disso?
-Eles vem nos atacar, logo. — Disse o homem sorrindo. – E vão morrer nas nossas bombas e minas, por isso, já coloquei outro soldado, dessa vez no campo russo, esse está bem preparado e já está me passando informações, quando os russos souberem do “ataque” vão achar que o lado alemão está em desvantagem então, virão nos atacar.
-Mas isso não é bom pra nós, temos menos soldados! – Falou o mais novo assustado. – Além de que grande parte deles não é tão bem treinada e o batalhão do Stilinski, vai ser guiado por quem?
-Qualquer um pode guiar um monte de inúteis armados, só gritar umas coordenadas e seguem iguais idiotas, afinal, eles acham que fazendo isso, logo voltarão para casa e verão suas famílias nojentas. – Disse o homem com uma expressão que beirava o desprezo.
-Mas e quanto a batalha General Harris, não temos soldados suficientes, como saberemos quando eles estarão chegando? – O mais novo não compreendia tamanha segurança do outro a falar sobre o ataque dos russos, afinal, suas tropas estavam mal alimentadas, em péssimas condições, fora que a grande maioria estava com diversos ferimentos de bala, mas mesmo assim, em honra ao país que representavam, permaneciam ali.
-Que parte de “temos um soldado infiltrado no campo russo” você não entendeu? – Falou o homem exasperado. – O Raeken está passando informações a todo o momento, sei de todos os passos daquele campo, e quando planejarem nos atacar, tenho o plano perfeito, eles não saberão que estaremos de tocaia já, e mais uma vez, ganharemos uma batalha.
-Como você diz uma por vez. – Falou Douglas, contrariado, afinal, não concordava com os métodos e a maneira que o general guiava o campo e os soldados que ali estavam, mas como era seu subordinado sabia que qualquer deslize lhe custaria à vida. – E quanto ao Stilinski?
-Nessa hora, ele já está morto, então, podem executar a mulher dele. – Falou o homem com um sorriso cruel e os olhos brilhando de animação com aquilo, o que fez o estomago do jovem soldado revirar com aquela barbárie.
-Como vai ser essa execução? – Perguntou Douglas, temendo a resposta que poderia receber, mas algo dentro dele indicava que nada seria pior do que aquilo que o general sugeriria em seguida.
-Alguém como ela não merece nada além que a ida a um campo de concentração, morrer como todos os outros. – Falou com um sorriso cruel, seguido por um riso de por medo em qualquer um.
Douglas olhava atônito para o homem em sua frente, sabia que ele era mal e os métodos não eram dos melhores quando se tratava em lidar com as outras pessoas, porém, simplesmente concordou com a cabeça, saindo do alojamento e indo em direção aos caminhões, onde, finalmente poderia despejar toda sua raiva e mágoa e chorar em paz.
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