Paying My Debt
1 Unic
Notas iniciais
Enjoy.
Três anos.
Três. Longos. Anos.
Sim. 6 de março. Fazem três anos desde que você admitiu que andava brincando com os meus sentimentos.
E hoje é o dia em que eu paro de sofrer, Frank.
Para sempre.
Dói fazer isso?
Dói.
Mas vai doer menos no futuro.
Passei três longos anos sofrendo. Não vou conseguir sofrer mais do que já estou sofrendo agora.
Oh sim, Frank... Hoje é o dia da revanche.
Sim, eu sei, é meia noite e eu saio de casa a esse horário. Mas faz tudo parte do meu plano que eu revisei em todos os mínimos detalhes. Você, obviamente, está dormindo a esta hora, o que facilitará bastante meu trabalho. Claro, terei que acordá-lo um pouco para “brincar” com você como você “brincou” comigo. E não digo isso no sentido sexual, digo isso no sentido sentimental mesmo.
Se você soubesse de meu plano, provavelmente não teria pregado os olhos nesta noite. Provavelmente teria se mudado daqui. Teria ido para algum lugar longe daqui, bem longe. Porém, é óbvio que eu não te contaria meu plano. Não sou idiota, apesar de você achar isso. Eu sei planejar um assassinato.
E isso tudo sem deixar nem um rastro.
Oh, pobre Frankie, achou que sairia dessa impune!
Não ligo para os olhares dos vizinhos, afinal, eles nunca saberão o que está para acontecer, não importa quantas vezes olhem para meu carro andando rua abaixo. Tudo o que eu mais necessito esta dentro dele e bem escondido. Não tenho que me preocupar com vizinhos fofoqueiros ou pessoas curiosas. Não tenho que me preocupar nem mesmo com policiais.
E, a partir dessa noite, não terei que me preocupar com você.
Claro, se você tivesse sido mais bonzinho, quem sabe eu teria sido mais bonzinho com você também. Infelizmente, este não é o caso da história, não é, Frank?
Eu sei que você se lembra muito bem do jeito como me mimou, me tratou como se eu fosse a melhor coisa do mundo para depois dizer que estava apaixonado pela tal Jamia.
Se eu tenho raiva dela?
Por mais incrível que pareça, não.
Afinal, foi você quem escolheu me trocar, e não ela. Jamia foi simplesmente uma vítima sua, eu quase chego a ter pena dela.
Quase.
Sabe, sua casa foi a única coisa que não mudou ao longo desses anos, não foi? Continua a mesma casinha baixa cor de pêssego, com florzinhas enfeitado o parapeito das janelas. O mesmo telhado vermelho, o mesmo quintal arrumadinho. Parecia uma casa de filme americano. É, eu lembro que você fingia que sua vida fosse um American Pie só para ter um motivo pra sorrir.
Como se eu não fosse bom o suficiente.
A única coisa que me irrita nesta sua casa é a varanda da frente. Aquelas tábuas velhas fazem barulho demais para uma pessoa silenciosa como eu. Tenho sorte de conhecer bem aquela varanda e poder desviar das tábuas que fazem mais barulho. Contudo, é claro, ainda esbarro em algumas um pouco mais barulhentas.
Eu rio comigo mesmo por você não ter trocado a fechadura da chave, proporcionando-me uma facilidade enorme para entrar, já que eu ainda possuía a cópia de sua chave. É claro, se eu fosse você, também não teria trocado, afinal, na época, eu era só o Gerard Way, o desenhista e vocalista.
Porém, esta noite, eu sou só Gerard. Mas o Gerard com um objetivo muito importante, e que você logo descobrirá qual é, Frank. Assim que eu subir as escadas, você saberá qual é... E suponho que não vá gostar nem um pouco.
Mexi entre minhas coisas e peguei o que eu queria: Um calmante. Isso faria ele ter um sono pesado durante poucos minutos, mas poucos minutos era mais que necessário para o que eu estava prestes a fazer.
Subo as escadas com cuidado, tentando não tropeçar. Abro sua porta com cuidado, visualizando seu quarto amplo e bagunçado, como sempre. Desvio de todas as folhas e lápis jogados no chão, tomando um cuidado enorme para não acordá-lo, e finalmente consigo chegar perto de você. Tiro o calmante e, cuidadosamente, ponho na sua boca. Logo posso ver que dormes profundamente. Sorrio comigo mesmo e começo a tirar você da cama. Céus, como você é pesado! Ponho-o no chão, prendendo-o com simples tiras de couro e espero você se levantar.
Dez minutos mais tarde, começas a ganhar consciência.
–Ahn, onde estou... ? Gerard?! – seu espanto é simplesmente patético. Como se você não soubesse que eu viria em busca de vingança. Lanço-lhe um sorrisinho amarelo e começo a procurar o facão que deixei em minha mochila.
–Gerard... O que... O que você vai fazer? – perguntou, com a voz rouca, olhando para as tiras e tentando se soltar.
Patético. É tudo o que eu tenho a dizer. Você é patético.
–Não é sobre o que eu vou fazer. É sobre o que você fez. – finalmente achei o facão, debaixo de todas as coisas que eu possivelmente precisaria.
O olhar de dúvida que me lança me dá raiva. Nós dois sabemos que você não é burro, por que ainda se finge de ignorante?!
–Eu estou falando, meu querido Frankie... – começo a falar, meus dedos brincando levemente na faca – Do que você fez comigo. Me usou e me jogou fora poucos meses depois. Me deixou ali, com o coração partido, sem nem ligar para o que eu sentia ou deixava de sentir.
–G-Gee...
–Não me chame assim!
Você suspira, tentando engolir o choro. Mais uma vez: patético.
–Ok, Gerard... Por que faz isso comigo? Nós dois sabemos que você não quer fazer isso... Por que insiste em fazer uma coisa que não lhe é habitual?
–Este, meu bem... É o que você ganha quando deixa alguém sangrando. – falei, passando o facão levemente por seu braço, sorrindo ao ver sua careta de dor e vendo o corte sangrar. Cheguei perto de ti e depositei-lhe um beijo nos seus lábios vermelhos.
O último que daria em você.
–Boa noite, meu querido Frankie... – sorri. Era um sorriso lunático.
Dito isso, senti o facão percorrer seu peito. Sorrio mais uma vez ao ver sua face perder a cor e seu sangue jorrar em minha mão.
Fico naquela posição por vários minutos, apenas apreciando meu trabalho. De repente, o sorriso em meu rosto morreu aos poucos e comecei a ficar pálido.
–Ah não... O que foi que eu fiz... ? Frankie! – abraço-o, finalmente notando o estrago que fiz. Seus olhos vidrados e sem cor parecem julgar-me a cada momento que passa. Sinto lágrimas escorrerem com fartura por minha face.
Por que fui tomado pela loucura?
Não sei. Não acho que descobrirei.
Só sei que fiz a maior besteira de minha vida. E seria a última.
Pego o facão já sujo de sangue ao meu lado e começo a fazer pequenos cortes em meu braço, sentindo o sangue quente escorrer. De repente, escolho acabar com isso de uma vez por todas e faço um corte imenso e profundo em meu pescoço.
Isso devia dar um jeito em mim.
Começo a perder os sentidos e minha visão começa a ficar escura. Sorrio por dentro, afinal, era o único jeito de me perdoar. Sabia que, se eu ficasse vivo, nunca poderia perdoar-me totalmente. Não havia perdão para o que eu tinha acabado de fazer, senão a morte.
Sim...
Uma vida se paga com outra.
Adeus.
Notas finais
Beijo.
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