Notas iniciais
Boa leitura :D (Qualquer semelhança com a música Witch Hunte,ou só Witch,da Vocaloid Megurine Luka é mera concidencia... Ou não)

Como era bom voltar para casa, meu pai o Rei George, havia colocado na cabeça que eu já estava na idade de casar, fala sério eu tenho 12 anos! Bom, voltando ao assunto principal, como eu já estava na idade de casar, de acordo com meu pai, ele me mandou para vários reinos diferentes em busca de uma princesa para ser minha rainha quando eu crescesse.

Todas as princesas gostaram de mim, afinal eu sou filho de um dos mais importantes Reis do meu tempo e me acham fofo graças meu rosto infantil, mas como eu não queria me casar com nenhuma fiz de tudo para todas me recusarem. Por minha sorte meu pai não percebeu minhas artimanhas para não me casar, mas como ele ia saber? Ele me mandou sozinho com 30 homens de guarda e um conselheiro velho. O conselheiro, Druon, era velho, porém era meu querido tutor, e como eu sou bom em persuadir, consegui convencê-lo de contar nada a meu pai.

Viajávamos em uma carruagem, ou como eu gosto de chamar “carroça real”. Contava as horas para chegar ao castelo, e pelos meus cálculos faltavam alguns minutos, então a carroça parou, será que eu dormi demais do que havia pensado durante a viagem e já chegamos? Não, se não eu escutaria o portão se abrindo. Curioso para saber o porquê de pararmos, abri a porta da carruagem.

– Príncipe Valentim, aonde você vai? – Escutei a voz do velho Druon atrás de mim, mas apenas ignorei e pulei para fola da carruagem.

Certamente não estávamos no castelo, mas estávamos perto, ao longe conseguia ver o castelo, estávamos nos campos das redondezas do castelo, mais uma meia hora de viagem e eu já estava em casa. Toda a minha escolta de trinta homens haviam parado, como a carruagem ficava no meio da escolta tive que andar até a vanguarda. Quando passava pelos homens, como de costume eles abriam caminho sem questionar, pude ver dois garotos ruivos falando, na verdade gritando, com o capitão da escolta, eles pareciam desesperado.

– Por favor, ajude a gente! – Pude escutar um deles gritando.

– Posso saber por que paramos? – Perguntei com toda a autoridade que um garoto de 12 anos podia ter, o que na era difícil já que eu era um príncipe.

Em questão de segundos todos ficaram em silencio, os ruivos olharam para mim, então percebi como eles eram iguais, eles eram gêmeos. Seus cabelos eram igualmente bagunçados e seus trajes de plebeus eram praticamente iguais, a única diferencia que um tinha um tom mais verde do que o outro nas vestes.

– Meu príncipe, o que você está fazendo aqui? Devia estar na sua carruagem – Cesar, o capitão da minha guarda pessoal, falou indo até mim deixando os garotos para trás. – Vamos – Disse ele colocando sua mão em meu ombro e tentando me empurrar em direção a “carroça real”.

– Não – Disse tirando sua mão de meu ombro – Você não pode me dizer o que fazer, eu sou o príncipe — Depois me virei para os meninos – Então, por que precisam de nossa ajuda?

– É a nossa irmã mais nova – Disse um deles meios em ar

– Ela está sendo atacada por um urso – Completou o outro

Agora fazia sentido o porque deles estarem tão desesperados, os ataques de ursos estavam cada vez mais frequentes na floresta perto do castelo, essas pragas selvagens estavam matando muitos animais de fazendeiros, e em alguns casos, fazendeiros.

– Vocês já devem saber como matar um urso, vocês já têm 18 anos, têm idade para serem cavaleiros, podem matar um urso sozinhos – Disse César, já falei que não gosto nem um pouco desse cara.

– Me desculpe sir, mas somos apenas fazendeiros, não temos como nos proteger de ursos, não temos armas – Disse o que tinha a roupa de um tom mais verde.

– Ele está certo, sir, devemos ajuda-los – Disse me virando para alguns dos meus homens – César prepare sua espada, o mesmo para vocês Nolan e Dhiren. Daniel e Cador, preparem seu arco – Depois me virei novamente para os gêmeos. – Nos levem até a sua irmã

– Você também vai? – Perguntou Druon, que a essa altura também já tinha saído da carruagem.

– Claro.

– Então eu também vou, meu jovem senhor.

E assim seguimos, sem mais nenhuma reclamação. Os beijados pelo fogo adentraram na floresta, adentramos atrás. A floresta não era muito densa, mas era difícil de andar nela de qualquer jeito. Depois de uns 3 minutos de caminhada apressada sobre terra,raízes e pedras, escutamos um alto rugido, na verdade gruído de urso. Mas a frente havia um urso sobre duas patas com suas garras dianteiras no tronco de uma arvore, junto com o gruído também havia gritos.

Uma menina ruiva de cabelos compridos estava deitada em um galho grande da arvore em que o urso estava e seus braços e pernas abraçavam tal galho. Olhei para Daniel e Cador e assenti com a cabeça, logo eles pegaram uma flecha de suas aljavas e a prepararam, e com um segundo de mira eles atiraram com tamanha precisão que até me assustei, a primeira flecha atingiu o coração pelas costa, pelo menos se fosse uma pessoa teria atingindo o coração e a segunda flecha atingiu a cabeça do urso, que caiu morto no chão.

A menina ruiva desceu da arvore e se juntou ao seus irmãos, que a abraçaram fortemente, depois do abraço eles caminharam até mim.

– Obrigado, Príncipe Valentim – Disseram os três juntos. – Se pudermos fazer alguma coisa para recompensar... – Continuou a garota

– Salvar uma vida já uma recompensa para mim, mas tirando isso já que vocês sabem o meu nome, é justo eu saber os seus.

– Meu nome é Jackie, e eles são meus irmãos mais velhos Peter e Patrick.

– É um prazer conhecer vocês, agora se não se importam, eu irei voltar para o meu caminho. – Disse fazendo uma leve curvatura cortes para frente.

– Obrigada novamente – Escutei Jackie falar mais uma vez depois deu me virar e andar em direção a estrada, e por algum motivo eu estava sorrindo como um tonto.

Depois de voltar para a carruagem voltamos a andar em direção ao castelo, eu olhava por trás da pequena janelinha na lateral da carruagem, e por algum motivo àqueles cabelos ruivos não saiam de minha mente.

– Ela é mais velha que você – Disse uma voz me tirando de meu devaneio – Acho que uns três anos mais velha

– Do que você esta falando Druon? – Perguntei meio confuso, mas ao mesmo tempo me senti ficar vermelho. – Mas em resposta ele apenas sorriu misteriosamente para mim.

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– Druon me disse que você falhou em sua jornada – Falou o Rei, ele estava sentado em seu trono e eu esta em pé em sua frente.

– Ele está correto, e ele também disse que eu era muito novo para ir atrás de uma princesa para mim – Respondi, eu e Druon éramos um dos poucos que enfrentavam meu pai.

Depois de um minuto em silencio ele me mandou sair com um movimento de mão, me virei de costas e sorri triunfantemente, pela primeira vez na minha vida consegui provar que ele estava errado. Andei pelos corredores do palácio confiante, virei algumas esquerdas, algumas direitas, subi algumas escadarias e entrei em meu quarto. Infelizmente alguém e já estava lá, Druon, ele estava sentado em uma cadeira perto de uma mesinha e carregava um livro na mão e outro estava na mesinha.

– O que você está fazendo aqui? – Perguntei surpreso e um pouco rude.

– Eu sou seu tutor, é meu trabalho te ensinar.

– Mas eu... Nós, acabamos de voltar da viajem, não podemos só descansar? – Disse abrindo meu guarda roupa e pegando umas roupas.

– Aonde você vai? – Perguntou ele

– Isso importa? – Perguntei tirando minha blusa e colocando uma roupa mais antiga, ela era bege e estava um pouco suja, mas era perfeita para alguém de plebe.

– Importa – Disse ele ríspido

– Eu vou sair por ai, você sabe que eu sempre vou pra cidade de vez enquanto – Disse me preparando para retirar a calça – Da pra se virar? – E assim foi feito, então retirei a calça e coloquei uma bermuda marrom.

– Como seu tutor, conselheiro do seu pai e seu futuro conselheiro, eu lhe falo que não é uma boa ideia de você sair para a cidade sem o assentimento de seu pai e segurança.

– E como meu amigo, você me deixar ir sem contar nada para ninguém – Coloco uma boina da mesma cor da bermuda, para esconder meu cabelos loiros, e retiro meus sapatos.

Virei-me em sua direção, ele estava com os olhos fechados e sorria, sorri de volta e fui até uma parede de meu quarto, as paredes eram feitas de pedras, então eu empurrei certa pedra e uma passagem se abriu na parede. Eu tinha muito tempo livre para andar pelo castelo, então eu descobri algumas de muitas passagens secretas que havia no castelo.

– Até – Disse entrando na passagem secreta

A passagem era mal iluminada e estreita, mas como eu era pequeno e magro, para mim era fácil atravessa-la, a caminhada durava cerca de 5 minutos e me levava até o lado de fora da parte leste do muro do castelo. Empurrei outra pedra e a saída se revelou, coloquei minha cabeça pra fora e olhei de um lado para o outro, não havia ninguém.

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A cidade perto das redondezas do castelo não passava de um grande mercado, vários vendedores armavam suas barraquinhas do lado de fora de suas lojas e lá se encontravam gritando o que vendiam, o preço ou alguma promoção. O meio da estrada quase sempre tinha alguma carroça passando, assim forçando as pessoas que estavam andando a ficar nas laterais, pertos das lojas, os moradores de rua, na sua maior parte crianças órfãs ou abandonadas, andavam pelas ruas tentando roubar algo ou se escondiam em becos.

Hoje o mercado estava como sempre, movimentado, mal cheiroso e barulhento. Eu gostava de andar pelo mercado para saber a situação do povo e para pensar, por algum motivo sair do castelo era libertador. De vez em quando eu até dava um pouco de dinheiro para os meninos de rua. Era difícil perde a postura de nobre, por isso andava de cabeça erguida, o que as vezes me trazia alguns problemas, mas dessa vez foi uma benção.

Ao longe consegui vez longos cabelos ruivos na multidão, e como mágica um nome apareceu em minha mente, Jackie. Andei o mais rápido possível na direção dela, mas era difícil ir atrás de alguém nessa multidão toda. Então sem outra escolha tive que empurrar varias pessoas que estavam na minha frente, murmurando alguns sinto muito, que provavelmente só eu escutava. Depois de um tempo correndo atrás dela pude vê-la a menos de 10 metros de mim, e ela ia em direção a uma entrada a esquerda.

Virei a esquerda e para a minha surpresa ela havia sumido, dei mais alguns passos para frente e olhei em volta, nada. Então senti uma lamina fria encostar-se a meu pescoço, e um braços me enlaçou por trás me prendendo.

– Por que você estava seguindo a minha irmã? – Disse uma voz familiar atrás de mim

– Meu deus Patrick, ele é só um garoto o que ele pode fazer de mais? – Disse outra voz familiar, mas dessa vez veio de minha frente, Jackie.

Jackie e o outro irmão dela, Peter eu acho, apareceram de trás de uma carroça parada que estava no quanto da estrada e agora vinham em minha direção, Jackie estava com uma blusa branca com um vestido bege claro e Peter estava com a mesma roupa de antes. E quando a vi, por algum motivo, eu ri, não saiu um som muito alto, mas meu corpo tremeu com a risada.

– Por que esta tremendo? Está com medo? – Disse Patrick

– Ahn... Patrick, ele esta rindo – Disse Peter meio sem graça.

– Sério? Por que você está rindo quando esta sendo ameaçado de morte? – Disse Patrick encostando mais a lamina em meu pescoço.

– Eu? – Me fingi de bobo, rindo – Só acho engraçado, que eu tenha salvado a vida da sua querida irmã hoje mais cedo, e agora você esta me ameaçando de morte.

– P-pri-princípe? – Gaguejou Patrick enquanto retirava a adaga de meu pescoço.

– O próprio – Disse retirando minha boina revelando meus cabelos loiros. Mas em seguida os coloquei novamente.

– Príncipe Valentim, me desculpe por tudo isso – Disse ela arrumando o cabelo.

– Eu desculpo você e seus irmãos, se... Você me acompanhar um pouco Jackie.

– É claro – Disse ela dobrando um pouco os joelhos e puxando a saia com as mãos, como faziam as mulheres de corte, e senti meu rosto esquenta – Peter,Patrick, vocês continuam as compras sem mim? – Eles apenas assentiram e voltaram para o mercado – Então, para onde vamos?

– Surpresa – Disse puxando a sua mão

Caminhamos juntos por uma meia hora, em minutos de caminhada já havíamos saído da cidade e andamos por uma trilha na floresta pelo resto do tempo.

– Príncipe, já estamos chegando? – Perguntei Jackie atrás de mim, ela parecia mais criança que eu.

– Calma já estamos chegando – Respondi com um sorriso no rosto, depois de mais cinco minutos, pude ouvir o barulho de água caindo, já estávamos chegando. – Fecha os olhos já estamos chegando. – E assim foi feito, na verdade ela colocou as mãos nos olhos.

Os próximos passos eu a guiei as cegas, não foi muito fácil, pois o senso de direção dela era horrível. Cada passo que dávamos o barulho ficava mais alto, então chegamos.

– Pode abrir os olhos agora – Então ela retirou suas mãos dos olhos e seu sorriso apareceu.

Estávamos na Cachoeira das Lágrimas, era um lugar que poucos conheciam, a lenda daquele lugar dizia que minha bisavó, avó de minha mãe, chorou aqui por uma semana sem parar sobre essa cachoeira. A cachoeira não tinha mais que cinco metros, mas era bela, ela caia em um pequeno lago de água cristalina que era cercado por flores de todas as cores, arvores grandes com folhas verdes davam frutos de aparência apetitosa e de vez em quando alguns animais, como cervos, iam beber água lá.

– É lindo – Dizia ela com seus olhos brilhantes

– Sim – Concordei – Minha mãe sempre me trazia aqui antes de... Morrer. – Por que eu a trouxe aqui? Por que eu estou falando sobre isso? Eu mal a conheço, mas, por algum motivo, eu sinto alguma coisa especial por ela.

– Sua mãe era uma ótima Rainha, e uma ótima mãe.

– Eu sei – Disse melancolicamente, sentia uma lagrima tentando sair ”um príncipe não devia chorar diante a plebe”. Tarde de mais, sem perceber lagrima caiam de meus olhos.

– Príncipe... – Ela estava sem reação, um príncipe chorava diante ela, o que ela devia estar pensando?

– Desculpe – Disse secando as lágrimas que persistiam em cair.

Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas em seguida a fechou, então me abraçou, surpreso com o abraço arregalei os olhos e me paralisei, mas logo me acalmei e encontrei minha cabeça na sua.

– Está tudo bem, você não devia ter medo chorar, nem esconder suas lágrimas, só deixa tudo mais doloroso – Aconselhou ela em meu ouvido. Então se separou de mim – Obrigada, Príncipe, obrigada por me trazer aqui, realmente é lindo – Então ela aproximou seu rosto do meu, eu tenho certeza que eu corei, pois ela sorriu, e em seguida beijou minha bochecha.

– Valentim – Disse ainda meio envergonhado

– O que?

– Pode me chamar apenas de Valentim

– Então, Valentim, acho que devíamos voltar agora.

Assenti com a cabeça e tomamos o caminho de volta, e mesmo sem perceber, todo o caminho de volta nós estávamos de mãos dadas.

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Depois do dia que eu a levei na cachoeira nos começamos a nos ver com frequência, quando eu não tinha aula no dia, ou quando as aulas de Druon acabavam, eu iria para o mercado para tentar encontra-la, um dia eu fui até a casa dela, a mãe dela era adorável, mas o pai não estava em casa, por algum motivo.

Já haviam passado semanas desde o começo da nossa amizade, eu estava no castelo, tinha acabado de comer o desjejum e ia para o meu quarto, mas quando eu entrei lá Druon estava sentado naquela cadeira novamente, mas em vez de carregar o livro de quando ele me dava aula, ele carregava uma expressão seria e triste ao mesmo tempo.

– Druon? Hoje não tem aula, algum problema? – Perguntei após notar sua expressão

– Valentim, eu sinto muito – Sua voz estava pesada.

– O que aconteceu? – Ele estava me deixando preocupado

– Sabe aquela menina que nós ajudamos? Jackie, eu acho. – Por algum motivo senti um aperto no coração.

– Sei, nós nos tornamos amigos, por quê? – Perguntei me sentando em minha cama

– Ela foi acusada de bruxaria – Disse ele – Ela vai ser queimada na fogueira hoje a tarde, ordens do Rei junto com o clero.

Senti como se meu coração fosse explodir, Jackie? Bruxa? Impossível! Sai de meu quarto deixando Druon plantado no tal, corri pelos corredores do castelo indo até a sala de meu pai. Abri a porta da sala de meu pai de uma vez, causando um grande barulho quando ela bateu na parede.

– Ela é inocente! – Gritei no meso estante que abri a porta.

Todos da sala olharam para mim assustados, inclusive meu pai. Lá além do Rei, estavam Arthur, Capitão da Guarda Real e James, o sarcedote mais importante do clero.

– De quem você esta falando? – Perguntou meu pai

– Não se finja de bobo! A Jackie não é uma bruxa!

– Meu senhor, acho que a bruxa... – James começou a falar, mas foi cortado por mim

– Ela não é uma bruxa!

– Quieto! – Mandou meu pai – Prossiga James

– Acho que a bruxa enfeitiçou seu filho

– Não! É mentira! Ela não é uma bruxa! – Gritava desesperado

– Sir Arthur, leve meu filho para seus aposentos e fique de vigia, não o deixe sozinho – Depois se virou para mim – Não pense que eu não sei que você sabe das passagens secretas. Podem ir. — Já estava sendo levado quando meu pai voltou a falar – E o leve para o executamento.

Fiquei paralisado, alem de saber que ela vai ser queimada viva, vou ser forçado a assistir tudo sem pode fazer nada. Fui levado para o meu quarto a força e algumas lagrimas caíram no caminho. Quando chegamos a meu quarto fui jogado na cama, em seguida Arthur se sentou na cadeira.

– Ela não é uma bruxa – murmurava para mim mesmo, porém acho que Arthur escutou.

– Sendo ou não sendo, o seu pai acha que sim, e ele não vai perdoar ninguém que possa ser uma bruxa, ele vai queimar uma por uma – As palavras saíram tão sombrias da boca do cavaleiro que até senti um arrepio passar por meu corpo.

– Por que você diz isso?

– Ninguém te contou? – Respondi negativamente com a cabeça – Jura? Achei que Druon ou o seu pai havia contado – Disse ele depois de uma pausa – Bom, acho que não faz mal te contar, sua mãe a Rainha.

– O que tem ela? Ela está morta – Respondi friamente

– Sim, mas como ela morreu? Você sabe?

– Si... – Já ia responder quando percebi que ninguém nunca havia me contado. – Não

– Foi uma bruxa – Senti um calafrio quando a palavra bruxa foi pronunciada – Uma bruxa enganou sua mãe e a envenenou, ela morreu por causa do veneno quando você tinha um ano. A bruxa foi pega e queimada, mas seu pai ainda não superou a morte de sua mãe e busca vingança a qualquer custo.

Depois de saber sobre a morte eu fiquei em silencio, não sabia o que dizer, será que a Jackie seria uma bruxa? Não, bruxas são más, e a Jackie não era má, ela me tratou de igual a igual para mim, foi gentil, amigável, eu tinha certeza, ela não era uma bruxa, mas ninguém mudaria a ideia de meu pai eu não podia fazer nada.

As horas foram passando e o pior momento da minha vida ia se aproximando, e o que quatro horas pareceram a eternidade, mas infelizmente o momento chegou. Três batidas na porta foram o sinal, Arthur segurou o meu braço e me levou até a carruagem, nela já haviam três pessoas, meu pai, o Rei Geoger, ao seu lado James, na frente de James, Druon e ao seu lado um espaço vago, obviamente me sentei ao lado de Druon, assim ficando de frente para o meu pai.

– Isso é um erro – Disse quando a carroça começou a andar – Ela não é uma bruxa

– Chega de blasfêmias – Avisou meu pai.

– Não estou falando blasfêmias, você que está sendo cego! – retruquei – Só porque a mamãe morreu por causa de uma bruxa não quer dizer que qualquer pessoa acusada de bruxaria devesse morrer, e se ela for inocente? Voce estaria sendo um Rei tirano e cru... – Fui interrompido por um tapa de meu pai, foi tão forte que meu rosto virou até eu ficar cara a cara com Druon

– Sem mais uma palavra – Ameaçou meu pai friamente, com medo obedeci.

O resto da viagem foi um silencio total, não ousei nem respirar muito alto, meu rosto ardia muito e provavelmente estava vermelho, depois mais um tempo finalmente chegamos e no momento em que sai da carroça senti uma dor no coração. Ela estava presa em um tronco e em volta do tronco estavam varias palhas secas e galhos de arvores cortados. Lagrimas saiam de meu rosto sem parar. E o pior de tudo, cercada por uma multidão enfurecida cheia de idiotas cegos, que a um dia atrás podiam ser amigos delas a um dia atrás.

Logo que saímos da carruagem, fomo para as “nossas posições”, ou seja, um lugar mais afastado com vários cavalheiros em volta com uma visão privilegiada. Então um carrasco apareceu e olhou para o meu pai, e Jackie fez o mesmo, mas pousou seus olhos em mim.

– Me desculpe – Disse sem pronunciar nenhum som, somente abrindo a boca.

Depois de ler minha mensagem ela se voltou para a multidão novamente, seus irmãos e sua mãe também estavam lá, os três estavam chorando, será que eles também foram forçados a assistir? Então pelo canto do olho vi um movimento ao meu lado, meu pai havia feito o sinal para executa-la. Porém antes que possam colocar fogo na fogueira, Peter e Patrick saíram da multidão para tentarem proteger a irmã, péssima ideia. Nem eu, muito menos Peter viu a faca que o atingiu, foi bem no peito, ele simplesmente caiu de repente, logo em seguia um homem atacou Patrick por trás, fazendo-o cair também. Enquanto isso alguém havia começado a fogueira e Jackie estava sendo queimada, e assim as três pessoas que eu já cheguei perto de fazer amizade morreram diante mim, sem eu poder fazer nada.

– Mors est super nos* – murmurei em latim

– Disse alguma coisa? – Perguntou meu pai

– Nada

– Bom mesmo – Virando de costas para mim – Você vai a pé para casa, sem cavalo, sem guardas. Boa sorte. – Avisou ele, então esse era o meu castigo, eu sabia que apenas me bater era pouco, ele nem ligava se eu fosse assassinado, roubado ou se eu fugisse, para ele tanto faz, era só ele achar outra rainha e ter outro filho.

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Já estava de noite e eu ainda estava no mesmo lugar, olhava sem piscar para onde ela estava ninguém havia tido coragem para tirar o corpo de Jackie ou o de seus irmãos, todos haviam se retirado, até a mãe deles, embora é claro, ela tenha sido tirada a força.

Como não havia mais ninguém no local, resolvi me aproximar, embora a aparência e o cheiro de queimado da Jackie estivessem repugnantes, eu não sentia nada mais que tristeza. Então eu escutei um barulho, atrás de mim, por instinto eu olhei para trás, havia um corvo e uma pomba branca no chão atrás de mim. Mesmo achando estranhos esses dois pássaros juntos eu os ignorei e me voltei para Jackie e seus irmãos.

Mas então escutei outro barulho e me virei novamente, não havia mais pássaros lá, agora eram duas pessoas, um menino de cabelos, roupas negras e com uma cartola negra, e uma menina de cabelos loiros e um vestido branco.

– Quem são vocês? – Perguntei assustado com a aparição repentina de ambos

– Já que você consegue nos ver, acho que podemos dizer o nosso nome – Disse o menino com um sorriso melancólico no rosto

– Como assim, conseguir ver vocês?

– Nós somos os espíritos da Vida e da Morte – Disse a garota

– Espíritos?

– Exatamente isso – Disse o menino se aproximando do corpo de Peter – Coitados morreram tão cedo.

– Já que vocês são espíritos da vida e da morte, vocês podem trazer eles de volta? – Essa pergunta veio em minha mente e não pude evitar

– Sim e não – Respondeu o garoto

– Nós podemos transforma-los em espíritos, assim eles podem vagar por ai e representarão alguma coisa, mas só quem acreditar neles poderia vê-los. E isso teria um preço

– Qual?

– Sua vida – Disse o garoto sem demonstrar nenhuma emoção.

– Não o assuste morte – repreendeu a outra – Sim, você morreria, mas também se transformaria em um espírito.

– Eu aceito! – Digo sem pensar

– Tem certeza? – perguntou a menina

– Sim

– Se é o que você quer... Mas só tem um problema, são três mortos, e você só é um, terá que escolher quem quer salvar. – Falou o garoto fingindo uma cara triste

Fiquei um minuto em silêncio, minha escolha era obvia, mas valia a pena? Sim valia, por algum motivo Jackie foi uma pessoa muito especial para mim.

– Eu escolho a Jackie!

Notas finais
*Mors est super nos significa "A morte está sobre nós" em latim Eu sei!! Ficou grande!! Mas não dava para diminuir a história e eu queria fazer uma one-shot então saiu esse monstro D: Bom espero que tenham gostado ^^ Deu bastante trabalho escrever isso aqui ao mesmo tempo que escrevia o 1 capitulo de Life and Death sem passar do período de 4 dias que eu combinei de postar os capitulos Então até o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!