Depois de tanta conversa cada um subiu para o seu quarto para fazer o que tinha que fazer e depois descer, já que nós iríamos conhecer o estádio. Quando chegamos eu fiquei apavorada. Era enorme e, para piorar, um funcionário nos disse que os ingressos estavam quase esgotados. E vale dizer que o estádio tinha capacidade para dez mil pessoas. Fiquei um bom tempo imersa em meus pensamentos, tentando imaginar todas aquelas pessoas ali, gritando e imaginando qual seria a reação delas ao saber que não Amy havia se aposentado e que não voltaria a cantar tão cedo. Mas, mais uma vez fui acordada de meus pensamentos. Mas, para a minha surpresa, dessa vez não foi Josh quem me acordou e sim um grupo de adolescentes que provavelmente eram um pouco mais velhos que eu (eu pude perceber pelo tamanho deles), e adivinha só o que eles queriam... Pois é, autógrafos. Todos diziam já estar à par de que eu era a nova vocal, disseram que viram uns vídeos dos shows que fizemos nos EUA e que me adoraram. Eu fiquei super contente e foi bem mais fácil de conversar com eles, já que eles falavam português (estávamos em Portugal), diferente dos rapazes da banda, de Josh e do resto da equipe, que só falava inglês. Mas para a minha sorte sempre tive facilidade com tal língua, então não tive problemas.

Ficamos por aproximadamente uma hora conversando, sentados no chão, formando uma pequena roda. Josh logo veio me perturbar dizendo que precisávamos ensaiar as músicas e depois os anúncios que seriam feitos. O que me despertou certa curiosidade.

- Por que nós temos que ensaiar os anúncios? — perguntei.

- Você não quer falar qualquer coisa na televisão, quer? — perguntou ele com aquela cara de “é óbvio”.

- Como assim televisão? — agora sim eu estava assustada, do que ele estava falando? Não acredito que ele quer que façamos os anúncios na televisão.

- Ué, você achou que nós faríamos eles onde? — me olhou novamente com aquela cara, que somente Josh tinha.

- Tá, tudo bem então. — eu respondi me levantando e me despedindo dos meus mais novos fãs — Bom pessoal, preciso ir, vejo vocês no show? — perguntei.

- Lógico!... Claro!... Com certeza! — eram as respostas que eu ouvia bem feliz e saltitante sendo guiada por Josh até um corredor imenso.

Entramos em uma sala enorme com uns sofás e umas mesas. Imaginei que ali seria nosso camarim. Nos sentamos todos uns grudados nos outros, à pedido de Josh, que começou a dizer o que deveríamos dizer na entrevista. Confesso que fiquei bem assustada quando ele disse entrevista. Afinal, o que eu iria dizer? Que só estou aqui por causa de um concurso? E que eu nem ganhei? Que era considerada a herdeira mais rica do mundo e meu pai o homem mais rico do mundo? Eu não tinha respostas para quaisquer que fossem as perguntas.

Dois dias antes de começarem os shows, fomos à uma emissora de TV super famosa na Europa, onde supostamente daríamos a tal entrevista e faríamos os devidos anúncios. Eu estava com uma roupa super simples: uma calça jeans, uma bata roxa que caía no ombro e uma bota curta preta de couro. O cabelo solto e com uma maquiagem super básica também. Josh me avisou de que teríamos tempo para nos arrumarmos nos bastidores.