Passionné
28 Lar doce Lar? PARTE I
Notas iniciais
Lar doce Lar ? (PARTE I)
― Mamãe ligou. ― comentou Emma enquanto passava rapidamente a toalha por meu cabelo úmido, dando uma secada rápida. Olhei para ela.
Rapidamente, ela havia me levado para o que seria a casa da verdadeira Sandra, onde aparentemente, ela vivia com a irmã mais velha, um pai agressivo e velho e um cachorrinho de um olho só. Bom, ao menos, foi o que eu entendi dando uma olhada rápida nos familiares em uma foto e prestando atenção nos comentários de Emmanuelle.
― É mesmo? ― estava na duvida do que falar e falei apenas isso.
― Sim e disse que estava ótima sua viagem; que viria nos ver em setembro... Ou agosto, ela não tem muita certeza. ― concordei enquanto via Emma sair andando até um banheiro amarelado, saindo da minha vista. ― Ah! Ela também disse que havia ganhado uma grana preta no cassino de Vegas.
― Sério? ― perdi-me em pensamentos enquanto caminhava até a janela e via através da janela um homem alto, musculoso e barbudo, repleto de tatuagens do outro lado da rua. Ele estava escorado em um poste, mas quando percebeu meu olhar sobre ele, ficou reto e sorriu longamente, assinalando com a cabeça algo a mim. Então, eu entendi. Era aquele filho da Maphalda, o que havia colocado a faca no pescoço de Cora e que também, havia sido esfaqueado pela mesma.
― Sandra! ― virei-me quando a garota gritou irritada. ― O que você tem hoje? Está hipnotizada em algo a cada cinco segundos!
― Ah... É nada, eu estou apenas... ― pensei em algo coerente. ― Distraída.
― OK. ― Emma forçou-se a aceitar e concordou.
Suspirei aliviada quando ela virou as costas, voltando para o banheiro. Olhei novamente para a janela e vi o rapaz parado ali. Seu sorriso aumentou mais ainda e seus lábios se moveram silenciosamente:
Você está horrível, Isabelle.
Bufei irritada e olhei para o banheiro, vendo Emma concentrada em tentar arrumar a torneira que pingava excessivamente. Rapidamente, peguei aquele antigo casaco que Emma havia me dado quando me encontrara na rua e desci as escadas correndo e para minha surpresa, não tropecei ou algo do tipo. Meus movimentos foram ágeis e definidos, rápidos e curtos.
Abri a porta e saí, correndo mais lento até o outro lado da rua. O “barbudo” sorriu mais longo ainda.
― Justo essa garota, Isabelle?
― O que você está fazendo aqui... ― parei de falar por não saber seu nome. Ele me avaliou criticamente e sorriu outra vez.
― William Wat...
― Watson... Já sei. Filho da Maphalda. ― revirei os olhos e ele riu, sua voz era rouca e grossa, certo ponto, galanteadora.
― Vamos? ― cruzou os braços sobre o peito musculoso a vista devido à camiseta social aberta, o deixando com um ar desleixado e sexy (não mais que Jack).
― Para onde? ― franzi a testa dando um passo para trás.
― Para casa docinho, temos muito que conversar com a chefona. ― avaliei aquilo por um segundo.
― Maphalda? ― chutei ainda na duvida.
― Sim...
― Achei que ela fosse sua... ― ele revirou os olhos.
― Ter me parido não significa que eu dê termos carinhosos a ela. ― ri por um segundo. ― Vamos logo garota. ― William passou a língua pelos dentes e caminhou um Jipe próximo de nós. Era grande e verde-oliva. William abriu a porta, pulando para dentro do carro. ― Pode vir gatinha, não mordo.
Dei quatro passos até chegar ao Jipe; William esticou-se sobre o banco e abriu a porta para mim, indicando com a cabeça que eu entrasse logo. Quando fui entrar, pude escutar um berro vindo da porta.
Por um segundo pensei se entraria naquele Jipe, mas meus pensamentos foram atrapalhados:
― Sandra! Aonde você vai? ― arfou Emmanuelle em um grito rouco e curto.
― Humm... Já volto! ― prometi enquanto entrava no Jipe de William, fechando agilmente a porta e ele dava a partida, indo na velocidade máxima.
Enquanto dirigia, William mantinha o silêncio no carro, deixando apenas o som dos pneus na estrada fazerem barulho. E durante esse silencio duradouro, minha mente foi mastigando, absorvendo e compreendendo tudo que eu fizera e que acontecera comigo, destacando-se uma coisa: eu havia matado uma garota.
O remorso começava a me consumir lentamente e eu dava-me conta do que havia cometido, de que eu havia estragado a vida de uma garota jovem que teria todas as outras possibilidades.
― Relaxa gatinha. ― William atrapalhou meu devaneio e virou o rosto, sorrindo longamente. ― Já matei mais do que eu posso contar, você é novata e irá se acostumar em matar...
― Eu não quero me acostumar em matar pessoas! ― o cortei e William franziu o cenho e riu desdenhoso, virando o rosto para frente novamente.
― Você irá. ― finalizou a conversa com um tom de ordem.
Fechei a cara sentindo uma pontada de irritação misturada com birra me invadir da cabeça até os pés, fazendo até meus lábios amargarem. Eu não queria estar ali, mas seria melhor do que ficar fingindo ser uma garota que eu mesma matara.
Em alguns minutos, William me olhou de relance enquanto dirigia quieto, mas no final, quem cortou o silêncio fui eu (estava tensa demais para conseguir manter o silêncio e agora uma onda de curiosidade me atingia):
― Por que estamos indo para sua casa? ― William sorriu mais longo do que em qualquer momento desde que eu ficara sabendo de seu nome. ― Só para conversar com sua mãe?
― Talvez. ― William me olhou malicioso ― Ah, não ser que você queira outra coisa... ― seus olhos vibraram e sua mão direita foi parar na minha coxa enquanto a esquerda comandava a direção ― Você é gostosa na sua Pele real, até demais. ― minha garganta basicamente rasgou-se com o rosnado que atravessou ela. William riu mais desdenhoso do que nunca e tirou a mão da minha coxa, virando o rosto para frente novamente.
― Você é o que William? Um cafajeste bêbado que passou a mão em todas as da sua casa? ― William ergueu as sobrancelhas surpreso com meu comentário.
― Bom, tenho meus romances por aí, mas não pratico nenhum tipo de incesto... Transar com primas conta como incesto? ― questionou curiosamente.
― Eu não vou responder isso. ― ele riu outra vez e fez uma rápida baliza, deslizando no chão. William ainda rindo roucamente desceu do carro, batendo os pés no chão molhado e fechando a porta com tamanha brutalidade que tremeu o carro. No outro segundo, minha porta havia sido aberta por ele:
― Docinho...
― William. ― a voz de Maphalda soou da porta do Albergue como um comando. William fechou o rosto e tremeu por um segundo, virando-se para a mulher morena que continuava na porta; e observando isso, pude ver como eles poderiam ser irmãos ao invés de mãe e filho. ― Acho que chega de ironia, não é?
― Sim, senhora. ― William contraiu uma careta amarga; não segurei a risada com a cena. William rosnou e me olhou ameaçadoramente.
― Vai descer ou...
― Nada de grosserias com ela. ― Maphalda estava ao lado de William agora, sussurrando em seu ouvido. Ele mordeu o lábio inferior enraivado e concordou.
Fale com o autor