Notas iniciais
Já estamos na metade da história, senhoras e senhores. Apenas pra avisar mesmo. Boa leitura sz

– O que houve, Ella? – Will me perguntou assim que nos afastamos do chalé 3.

– Só me diga que não está tramando nada. – lembrei das palavras do Nando “algo grande e ruim”. – Nada grande ou ruim.

– O que? De onde tirou essa ideia, meu amor? – ele chegou mais perto e colocou meu cabelo para trás da orelha.

– É que o Nando... Ah, esquece. Espera. Você me chamou de que?

– Meu amor. — ele abriu um sorriso malicioso, que era o meu favorito.

Sorri de volta e ficamos nos encarando em silêncio por alguns segundos.

– Eu posso me acostumar com isso, sabe?

– Isso? — ele acariciou minha bochecha com o polegar.

– Isso. — o beijei.

Acho que consegui pegá-lo de surpresa, o beijo começou devagar e apaixonado, mas logo foi se tornando mais intenso, Will tinha uma das mãos em minha nuca e a outra ao meu redor, me pegando pela cintura e me puxando para ele — tomando cuidado com meu ombro machucado -, colando os nossos corpos.

Parei de beijar e olhei nos olhos dele, um pouco assustada, mas ansiosa, ele ainda tinha aquele sorriso malicioso, que me fazia ficar estática, eu só conseguia pensar no quanto eu me sentia feliz em seus braços. Eu não precisava do passado. Eu tinha um presente perfeito bem na minha frente.

Ele me empurrou, me colocando contra uma árvore, ficando colado à mim e me beijando com mais intensidade que antes, suas mãos estavam acariciando meu quadril, levantando minha blusa.

Minha mão esquerda arranhava a nuca dele enquanto ele me beijava e eu retribuía da forma mais apaixonada possível considerando meu braço impossibilitado.

Soltei sua nuca e comecei a puxar a camisa dele com força, ouvindo estalos e gemidos do Will, que mordeu minha boca de leve. Abri meus olhos e vi que eu havia queimado a camisa dele e parte da sua pele.

– Achava que nem todos os filhos de Zeus pudessem usar os raios — disse Will, sorrindo para mim.

– Opa... Desculpa — respondi o sorriso, ele respondeu com outro sorriso malicioso.

Continuamos a nos beijar intensamente, ouvindo mais estalos entre os nossos beijos e decidindo ignorar. Só paramos de nos beijar quando ouvimos uma voz que eu conhecia muito bem.

– O que isso significa, Ella? — Nando segurava o arco e a aljava com força, um em cada mão.

Ele olhava fixamente em meus olhos, ignorando a presença do Will. Seus olhos não estavam cheios de raiva, mas de decepção. Desapontamento e um pouco de... Não, não podia ser.

Eu abri a boca para falar, mas nada saiu.

– Algum problema, Nando? — Will perguntou, arqueando uma sobrancelha, num tom... seria desafiador?

– Nenhum... Vou embora. — Nando cuspiu as palavras e foi embora, a passos largos.

Enquanto ele ia, Davi vinha, Nando o ignorou quando ele ofereceu um "High Five", então depois veio direto a nós, olhando para trás.

– Gente, eu ... — ele interrompeu a frase quando olhou para nós, então se virou, limpou a garganta e voltou a falar — Er... Vão anunciar os vencedores do campeonato... Achei que gostariam de saber.

– Muito obrigado, Davi. Estamos indo.

...

Embora eu estivesse magoada com o Nando por ter desconfiado do Will e do Lyu, eu entendia o porquê de ele ter inventado tudo aquilo. Quando o Nando me viu com o Will, eu percebi nos olhos dele que ele gostava de mim. Gostava não. Era apaixonado por mim. E isso encaixava no quebra-cabeças perfeitamente. Ele queria me afastar do Will mas não sabia como, e inventou aquilo.

Apesar de tudo, eu não deixava de gostar do Nando. Ele era um cara legal, só meio sem noção. Já o Will, era o homem da minha vida. Okay, talvez nem tanto, mas era perto. Com ele eu me sentia feliz e segura, e, com meus dedos entrelaçados nos deles a caminho da praia para o anúncio dos vencedores, eu me sentia mais feliz ainda, porque sabia que ele sentia o mesmo por mim.

Logo após o anúncio, Will me explicou, todos iriam para o refeitório comemorar com os vencedores. E almoçar também.

A praia estava lotada, mas eu não conseguia prestar atenção em ninguém, pois Will era o centro das minhas atenções.

Nos sentamos na areia assim como todos e deitei minha cabeça em seu ombro, seu braço direito abraçando minha cintura. Fechei meus olhos e me concentrei apenas no barulho do mar, me lembrando detalhadamente de cada cena.

O beijo intenso e apaixonado. Sua mão em minha nuca. Seu braço contornando meu corpo, me puxando mais para perto. Seu sorriso lindo e malicioso que só saía de seus lábios quando ele os usava para me beijar ou me morder. Suas mãos pulando para meu quadril, me deixando ofegante. Minhas unhas cravando em sua nuca. Sua blusa se queimando, revelando sua completa indiferença à dor. Espera. Meu sorriso se desfez. Indiferença? Ele havia sido queimado e simplesmente sorria. Do mesmo jeito que sorriu quando levou três flechadas na coxa no caça. “Talvez ele apenas tenha uma resistência muito boa”, uma voz sussurrou em minha cabeça. “Tem algo de errado nele”, sussurrou outra.

Afastei esses pensamentos da minha cabeça e voltei a pensar no que havia acontecido. Mas não pensei no Will, e sim – involuntariamente – no Nando. Lembrei de sua expressão ao me ver com o Will e ...

Abri os olhos. A praia já tinha bem menos pessoas.

– O que houve? – perguntei.

– Achei que você estivesse dormindo. – ele respondeu, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.

– Não, só estava pensando.

– Pensando em que?

– Em você – sorri.

– Por isso o sorriso então. – ele disse e me beijou.

...

O refeitório estava lotado. Completamente lotado. Cada uma das mesas tinha uma ou duas cadeiras sobrando, no máximo. Fazia sentido, porque os campistas do Júpiter ainda estavam por lá, permitindo também, que campistas de chalés diferentes se sentassem juntos. As pessoas riam e gritavam e cantavam comemorando com os vencedores.

Will ganhou três provas, mas não prestei muita atenção a quais foram, mas várias pessoas nos paravam para parabeniza-lo.

O almoço passou como um flash – sem trocadilhos, minha gente – que eu nem percebi.

Depois disso, o Will e eu tivemos que nos separar pois ele tinha aulas para dar na Arena de Combates.

– Um guerreiro nunca dorme, amor. – ele disse.

– Não quero que durma. Quero que fique comigo. – respondi, fazendo beicinho.

– E vou ficar. Assim que sair de lá, volto direto para você.

– Promete?

– Claro, meu amor.

E outro beijo intenso e apaixonado. Dessa vez nem nos soltaríamos se a Madu não tivesse pigarreado. Aparentemente ela me queria, digo, queria passar a tarde comigo.

– Achei que vocês nunca desgrudariam, credo.

– Desculpa. É que ele é tão lindo e carinhoso e apaixonante e....

– Tá, já entendi. – ela me interrompeu.

– Desculpa. – eu ri.

– Então, como o Champs vai embora depois do jantar, queríamos ficar juntos essa tarde, e ele pediu que eu te chamasse.

– Ele... Pediu?

– Pediu. Ele pode ser arrogante às vezes, mas é um cara legal.

Ela nos levou até a parede de escalada, que era enorme. Nem chegava a ser uma parede, eram quatro. Ao invés de pedras incrustadas, das paredes saíam canos de ferro, que não pareciam nem um pouco seguros. Eles eram vários e na diagonal, na vertical e na horizontal. Haviam mil tipos de armadilhas que apareciam e desapareciam rapidamente e os canos mudavam de posição. Aquilo não era uma parede de escalada, era a morte certa.

Champs e Pablo estavam lá, aparentemente esperando alguém. Me dei conta que nos esperavam.

– Quem vai tentar o suicídio? – perguntei, arrancando risada de todos.

Percebi que perto do Champs meu humor simplesmente melhorava. Eu me sentia hilária.

– Era pra todos nós tentarmos, mas você se safou, Mioja.

– Bendita seja a Deb. Acho que vou até agradecer a ela.

– Eu não disse que era pra tentarmos. – Champs falou. – Disse que era pra vocês tentarem. Eu vou subir.

– Está aí o carinho, amor e humildade de sempre. – falei.

Ele me dirigiu um olhar feroz e se aproximou de mim até nossos narizes praticamente se encostarem. Não, não me afastei. Eu não tinha medo dele.

– Você duvida que eu consiga? Consigo até te carregando nas costas, nanica.

– Duvido. – não era que eu duvidasse, só queria desafiá-lo.

– Pula aí. – ele se virou de costas para mim, indicando que eu deveria me agarrar às suas costas.

– Eu não. – respondi e ele se virou para me olhar – Não vou ficar abraçada com você, me desculpe.

Ele corou. Pelo menos achei que tivesse corado, mas ele logo desviou o olhar e não pude ter certeza.

– Senta aí e assiste então.

Sentei no chão e vi cada um dos três se dirigindo a uma parede diferente.

O Champs era visivelmente experiente, e por mais que eu nunca admitisse na frente dele, era incrível a facilidade que ele tinha em pular os obstáculos e não cair mesmo sem ter equipamento de segurança.

Obviamente foi ele o primeiro a chegar ao topo, e logo dirigiu a mim um olhar de satisfação. Madu chegou logo depois e Pablo, por mais que eu tivesse achado diversas vezes que cairia, chegou mais depois.

– Foi divertido. – Madu falou, assim que eles chegaram no chão. – Você perdeu, Ella.

– Nem tão divertido assim, eu quase caí umas dez vezes! – Pablo riu.

– Na verdade, o chão estava bastante agradável. – respondi.

– Imagina se seu querido pai ouve isso. Ou pelo menos um deles. – Champs sussurrou a segunda frase.

– O que quer dizer com isso?

– Quero dizer que assim que seu braço melhorar, faremos uma aposta, eu e você. Quem vencer... Já sabemos quem vai vencer mesmo.

– Claro que sabemos. Seu enorme ego não nos deixa mentir.

Pelo olhar que ele me dirigiu, achei que ele fosse me bater, mas ele apenas deu um sorriso malicioso, se virou e saiu andando em direção ao Anfiteatro.

Notas finais
Gostou? Não? Dê um comentário, me xingue, sei lá