Passado Esquecido
3 Capítulo III
Notas iniciais
Os malditos raios de sol batiam no meu rosto. Eu odeio acordar cedo. E a porcaria do despertador ainda toca aquela musiquinha irritante, eu tinha que arrumar a porcaria da mudança e amanhã eu teria que trabalhar no centro de pesquisas. Droga de vida!
Levantei-me lentamente, estranhando Koron não está latindo atrás de sua ração, outro fato que foi bastante estranho foi o fato de Takanori não estar deitado na cama. Onde aqueles dois haviam ido? Eu ainda tinha aqueles sonhos circulando a minha mente, penso se aquilo realmente foi real... Estou começando a acreditar que sim.
Caminhei pelo corredor procurando os dois com meus olhos, e me deparei com uma cena que jamais me esquecerei. Takanori estava sentado no chão, Koron estava deitadinho ao seu lado, o pequeno acariciava a cabeça do cachorro constantemente, os cabelos antes ruivos agora estavam loiros e chegavam a altura da cintura.
A yukata que ele vestia não era a mesma que eu tinha lhe dado, esta era lilás e era feita com um tecido bastante fino. No seu pescoço jazia um colar dourado, no formato de um coração. Um baú que eu nunca tinha visto estava ao lado de Koron... Ele tinha ficado absurdamente perfeito daquele jeito.
Tentei me aproximar, mas fui surpreendido por sua voz, esta num tom perfeito cantarolava alguma música que eu não conhecia. Maravilhado com tudo aquilo, andei lentamente até onde o pequeno estava sentado — bem no meio da minha sala- ouvindo as palavras doces que ele cantava.
- Taka! Que voz linda!- Contemplei-o. — Onde aprendeu a cantar assim?
- Obrigado e bom dia. — Disse eufórico.- Antigamente você gostava de me ouvir cantando.
- Eu ainda gosto. — Comentei.- O que aconteceu com seus cabelos? E que roupas são essas?
- Ah! Esse era o baú que eu costumava guardar minhas coisas, fiquei feliz em saber que você ainda o tinha aqui. E o meu cabelo... Etto... Ele simplesmente mudou de cor e de tamanho, assim que eu coloquei o colar. — Explicou.
- Isso é um colar mágico?- Indaguei incrédulo, eu tinha visto tanta coisa anormal nesses dias.
- Claro que não, essas coisas não existem. — Respondeu, levantando-se do chão.- Apenas mudou de cor, ele compreende o modo que o xogum quer me ver.- Ditou puxando-me para a cozinha.- Você gostava da minha comida, também! Me ensina a usar aquelas coisas?
- Chibi, eu tenho muito o que fazer... Vamos nos mudar... E eu tenho que arrumar as coisas. — Cortei-o.
- Meu xogum vai querer minha ajuda?
- Preciso de toda a ajuda possível. — Aceitei.
Foi quando ouvi meu celular tocando, Taka gritou assustado e começou a olhar em volta, procurando de onde vinha o barulho; Eu fiz um sinal com os braços, fazendo um sinal de que estaria tudo bem, peguei o telefone na sala e por fim finalmente o atendi, sobre os olhares curiosos de Takanori.
- Shiroyama... — Bufei ao ouvir a voz do outro no telefone.- O que você quer agora?
- Akira?- Ele indagou receoso.
- Não. É o pônei voador. — Respondi revirando os olhos.
- Kami-sama! Aki-chan fez os pôneis voarem?- Takanori intrometeu-se com um sorriso infantil no rosto.
- Não!- Eu disse segurando o telefone.
- Vem para a casa da sua avó agora! Cara... Tem muita coisa aqui, você não faz ideia de quanta coisa ela tinha... Tem muita velharia, mas dá para usar ainda. Kouyou praticamente enlouqueceu quando viu essas tralhas aqui. — Aoi contou.
- Não são tralhas. — Um grito de Uruha fez-se ouvir, mostrando que o loirinho estava junto do moreno.
- Onde você conseguiu a chave da casa da minha avó?!- Grunhi raivoso.
- Ontem. Você estava falando sobre o seu fantasma sexy... E eu peguei a chave.
- Fantasma sexy? Ok. Onde você está?
- Reita? Sou eu... É que eu quero te pedir para vir aqui de verdade... Yuu me contou a história do garoto e... Talvez realmente seja verdade. — A voz de Kouyou me chamando pelo meu antigo apelido me trouxe à realidade.
- Depois vocês vão me explicar essa história de invadir a casa da minha avó. — Concluí, desligando o telefone sem me importar se o rapaz ainda estava me ouvindo na linha.
- Reita? Por que deixou essa caixa te chamar de Reita?! Ah! Por quê? Por quê? Por quê?- O baixinho gritou em desespero.
- Hey! Calma... Shiii... Calma. — Pedi.- Você escutou o que meu celular dizia? Estava tão alto assim?- Eu estava com medo de que ele realmente pudesse ter uma audição muito avançada ou algo assim.
- Celular é? Eu vou matar esse celular e dar seus restos mortais para os porcos!- Disse em escárnio, avançando para a mesinha onde eu tinha deixado meu celular.
- Chibi! Isso é só uma ''maquininha'' que agente usa para falar com as pessoas, eu estava falando com o Kouyou, um amigo meu e. — Ditei enquanto tentava impedir o pequeno de chegar perto do celular.
- Kouyou é? Só deixo se ele Kouyou for o Uruha. — Resmungou, dando os ombros.
- Conhece o Uruha?
- Ele era um de seus irmãos. Esqueceu até de seus irmãos, meu xogum?- Perguntou incrédulo. — Seu problema de memória está me deixando confuso.
- Não vamos discutir agora, preciso ir com você até um lugar. Espere-me aqui enquanto tomo meu banho. — Pedi, correndo até o banheiro.
Tomei o banho mais rápido que pude, coloquei as primeiras roupas que encontrei no meu guarda roupas, tomei bastante cuidado para não deixar que o baixinho entrasse no meu quarto... Não seria bom se ele me visse tomando banho... Isso me deixaria constrangido e... Não vou falar mais disso.
Assim que voltei à sala, Takanori estava do mesmo jeito que antes, sentado no chão cantarolando uma música qualquer. Eu sabia que passear com ele vestido daquele modo não seria muito bom, felizmente eu estou de bom humor. Mas, não sei se vou continuar com esse humor daqui a pouco...
Eu sei, eu sei. Aoi me mete nas piores situações possíveis, e eu provavelmente vou matá-lo por roubar a chave da casa da minha avó.
- Vamos. — Chamei o pequeno, abrindo a porta.
Takanori assentiu positivamente, mas não manifestou nada enquanto esperávamos o elevador, apenas assoviava no mesmo ritmo da música que ele cantara. O meu celular não tocou mais, e eu agradeci a Kami por isso; Eu pensava sobre o sonho que eu tive talvez o antigo ''eu'' estivesse certo e eu fosse descobrir a verdade hoje.
- Ele tá demorando. — Taka resmungou, referindo-se ao elevador.
- Calma chibi. Para que essa pressa?
- Quero ver o Uruha, ele vai resolver seu problema de memória, ele nos prometeu isso. — Revelou, batendo palminhas e sorrindo.- Quero tanto ter meu Aki-chan de volta! Aí você vai se lembrar do meu apelido para eu poder te chamar pelo seu.
- Como?
- Eu prometi antes de morrer que não te chamaria de Reita na sua nova vida, só quando você se lembrasse de mim. — Ditou calmamente.- Mas, eu não preciso mais te dar explicações... O Uru-chan vai resolver nossos problemas.
- Tudo bem, se não quer falar não fale. Além do mais quando nós do...
- Chegou! Vamos para baixo! Ehhh!!!- Ele gritou em demasia, entrando no elevador pulando. — Como essa vida nova é boa! Valeu a pena esperar tanto... Mesmo assim o melhor de tudo isso é ter meu xogum do meu ladinho. — Terminou sua fala, me envolvendo com os braços e beijando minha bochecha.
Devia estar sendo muito difícil para ele, eu não saberia o que fazer no lugar dele. E pensar que há algumas horas eu estava pensando que ele era um maluco que deveria ser internado. Não posso me culpar muito por isso, eu acho que minha profissão também nunca me deixou acreditar nessas coisas.
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Cheguei à antiga mansão com vontade de voltar para casa, eu queria vender aquele lugar, mas eu tinha que viver ali no mínimo dez anos como dizia no testamento que a minha avó deixou. Takanori estava radiante, ele parecia estar feliz com aquilo, e eu estava sentindo meu estômago roncar... Eu não tinha tomado meu café da manhã.
O pequeno desceu do carro rapidamente, correu pelo enorme jardim que tinha a grama incrivelmente bem cortada, eu achei estranho, pois me disseram que o lugar estava abandonado. Taka abraçou-se com uma enorme cerejeira, e depois mergulhou seu rosto num laguinho que estava ao lado da árvore.
- Eu senti tanta falta daqui... — Sussurrou com a voz triste.
Digamos que eu fiquei emocionado ao ver o garoto assim, e postei uma de minhas mãos em seu ombro; ele logo sorriu em resposta, eu não sei explicar direito o que aconteceu, apenas sei que automaticamente puxei o corpo pequeno para perto do meu e beijei os lábios macios.
Primeiramente foi só um selar, mas eu pude ver que Taka ficou surpreso com a minha atitude, e retribuiu o beijo, abrindo seus lábios para dar espaço para minha língua. Levei minhas mãos a sua cintura e comecei a explorar aquela cavidade molhada, sentindo os dedos dele segurarem os meus cabelos.
- Que bom que vieram!- A voz de Kouyou me trouxe a realidade, eu me separei do pequeno e virei-me na direção da voz de meu amigo. — Senti saudades de você, Takanori.- Ele falou com um sorriso no rosto, abrindo os braços para abraçar o ruivinho... Loirinho agora...
- Uru! Eu sabia que você se lembraria de mim!
Os dois abraçaram-se calorosamente, Aoi apareceu na porta sorrindo sínica mente, observando os dois loiros se abraçarem carinhosamente. Kou agia como se conhecesse o menor mais tempo, mas eu via nos seus orbes chocolate o completo desespero em atuar, somos tão amigos que eu sabia notar isso nele.
Acho que me esqueci de comentar que o Kou odeia atuar, mentir ou agir a favor da mentira. Ele era um homem correto e não gostava de farsa e mentiras, porém ele estava tão bem naquele fingimento... Até uma yukata ele tinha vestido para ir falar com o meu ''fantasma sexy''.
- Faz o Akira se lembrar de mim... — Taka pediu assim que o abraço se findou.
- Ah! Isso é um assunto delicado! Vem, eu vou te fazer um chá e vou te explicar sobre esse assunto. — Kouyou delicadamente o interrompeu, mostrando o caminho para a velha casa.
Assim que eles passaram pela porta, eu vi que Takanori infantilmente tinha estirado a língua para Aoi, eu sorri vitorioso por dentro, e também entrei naquela casa. Com esperanças tolas de que eu pudesse findar toda aquela confusão ali mesmo.
Foram esperanças em vão.
A sala era grande, um pouco maior que o laboratório de pesquisas, os móveis antigos estavam em bom estado, e haviam muitos livros jogados pelo chão, pergaminhos antigos abertos e lançados pelos diferentes móveis. A poeira cobria muitas coisas ali, e foi por dar a falta dela que eu notei que a bagunça de livros e pergaminhos havia sido feita recentemente.
Não duvidava nada da curiosidade e interesse do Kouyou por história, ou do prazer absurdo que Yuu deve sentir quando deixa algo desorganizado. Principalmente quando esse ''algo'' me pertence ou tem alguma relação com a minha pessoa.
- Reita... Eu acho que poderíamos conversar... O Kou está com o garoto agora... Tenho que ti dizer muitas coisas... — O moreno alto começou dizendo, ele parecia estar assustado e perdido, sem saber o que me dizer.
- Estou te escutando. — Eu anunciei, procurando um lugar não tão empoeirado para me sentar. Acabei encontrando um banquinho de madeira, não tive dúvidas e sentei-me sobre o objeto.
- De madrugada eu liguei para o Uru, contei tudo que você me disse, então ele me avisou que voltaria para Tóquio, e que ia tentar resolver esse problema. — Parou, suspirou e continuou.- Eu tinha pego a chave da casa da sua avó apenas para fazer uma brincadeira... Mas ela acabou sendo útil... Bem, assim que o Uru chegou a Tóquio e que eu contei sobre a chave ele me pediu para trazê-lo até aqui. No caminho ele me disse que vinha tendo uns sonhos estranhos...
- Que tipo de sonhos estranhos?!- Gritei em desespero, será que era o mesmo sonho que eu.
- Ele disse que sonhava comigo, com você e com mais dois meninos; Nos sonhos ele era seu irmão, eu era o amante secreto dele, você estava apaixonado por um kagema e havia outro garoto... Esse outro garoto o ajudava em tudo, como um servo ou algo do tipo... Isso acontecia anos atrás... E tudo para ele passou a fazer sentido, depois que eu contei sobre o Takanori.
- E então? O que vocês fizeram?
- Bem, o Kou vasculhou todos os pergaminhos e livros daqui, ele disse ter lido seus sonhos nos pergaminhos... Ele disse que o conjunto de todos eles formam um diário... O seu diário... Estou tentando dizer... Que ele sabe de tudo que aconteceu, e sabe como fazer com que nós nos lembremos de tudo... E se nós não nos lembrarmos...
- O que? O que vai acontecer?
- Morreremos da pior forma possível.
Notas finais
Kissus para todas.
P.S:Não foi betada, sorry pelos errinhos.
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