Passado Esquecido
4 Capítulo IV
Notas iniciais
Queo agradecer em particular para a Srta Kaulitz que me indicou um anime que me animou bastante para escrever esse capítulo... Agora sim, boa leitura... Gente eu espero seus lindos reviews.
Malditas perseguições contra a minha pessoa! A voz de Aoi rondava a minha mente, também não era para menos, aquele idiota havia anunciado a minha morte, simples assim. Se bem que se eu morrer ele morre junto, estamos em uma estúpida reação em cadeia.
Fechei meus olhos com força, sentindo que de repente tudo ficara escuro e que eu não estava mais naquela sala discutindo com Aoi. Não sei explicar o que exatamente aconteceu, mas assim que ele terminou de falar tudo ficara escuro e eu me via perdido em meus pensamentos num mundo paralelo...
Ou talvez eu tenha desmaiado como uma estúpida garota.
Por que eu conheço o meu estupendo organismo frágil para imaginar a minha situação, já posso até prever as caras de riso do Uruha e do Aoi e Taka ia me defender e dizer que estava tud... Ei! Desde quando quero saber dele? Merda! Essas coisas só acontecem comigo.
Repentinamente eu estava em uma praia deserta, o sol cegava os meus olhos — por isso eu nada via — e a areia estava morninha, o som das ondas invadiram meus ouvidos e o cheiro peculiar invadiu minhas narinas. Uma mão gelada tocou-me a testa, e eu pude começar a ver o que estava ao meu redor.
Um moreninho que eu não reconheci sorriu para mim, mostrando-me suas covinhas, seus cabelos pretos voavam com a brisa, seus olhos brilhavam; ele trajava uma yukata cinza e trazia nas mãos um pequeno saquinho na tonalidade roxa. Fitei aquela figura tão peculiar, demonstrando curiosidade.
- Bom dia, Akira. — Cumprimentou-me, como se fôssemos amigos de longa data.
- Onde eu estou? — Indaguei ao notar que ele apenas sorria, como um retardado mental.
- Oh! Seu mau humor matinal não mudou, não é?- Rebateu humoradamente, começando a rir de minha cara.
- Te conheço?- Cortei sua risada irritante e... É! Ele tem uma risada estranha...
- Pelo visto todo o mundo sabe e você não? Que ironia! O grande xogum dessas terras, que julgava ser o próprio imperador sendo privado das coisas! Excluído por todos os seus seguidores fiéis, menos por aquele kagema que tanto amava... Eu acreditei e ainda acredito que não merecesses o amor do jovem Takanori. — O estranho revelou, sentando-se sobre minhas pernas
- Se vai me dar lição de moral... — Ditei erguendo o meu punho, eu estava doido para tirá-lo de cima de mim.
- Saibas que graças a mim você vive estúpido mortal. — Fuzilou-me com o olhar, levantando-se.- Meu nome não interessa, me chame de Kai e eu o atenderei.
- Vamos parar com esse joguinho estúpido. Você me conhece e eu só sei seu nome, agora quero voltar para casa de minha avó e...
- A casa que me pertence, que mandei construir anos atrás com o pagamento que você me deu. — Riu, parecendo lembrar-se de algo.- Akira, seu amigo deve ter falado de mim, sou o garoto tímido que ajudava o Uruha... Provavelmente ele não disse que fui eu que fiz a feitiçaria que te salvou, bem... Digamos que eu tenha descendência com aquelas pobres mulheres que foram queimadas na idade média... Algumas delas eram inocentes, mas minhas ancestrais decididamente eram bruxas e... A ignorância mortal as matou...
- Não preciso de aulas de história, odeio história!- Grunhi. — Odeio dramas históricos, não preciso saber do que Hitler fez com as suas ancestrais! Além disso...
- Hitler?! Sabe quem foi Hitler por acaso? Pelo amor de Kami eu estou falando da idade média!- Ele resmungou surpreso. — Hitler não sonhava em nascer na idade média, poupe-me de sua ignorância! Você odiava história, mas... Isso é de mais não?
- Ele matava pessoas, não?- Perguntei, arrependendo-me do que acho que foi uma besteira! Às vezes eu falo demais.
- Ele mandava matar. E eu não tenho descendência com ninguém ligado a ele, quando Hitler nasceu eu já tinha nascido, quando o primeiro Akira nasceu eu já tinha nascido. — Falou.- Todavia acredito que isso lhe foi cobrado em provas, por acaso algumas vez desejou esquecer o que aprendeu nas aulas de história?
- Claro, assim que consegui um emprego no centro de pesquisas... Odeio história, não preciso dela para nada, sou um cientista e tenho a internet ao meu favor!- Contei minha vitória.
- Interessante, mas se eu lhe perguntasse de Darwin... Ou de Galileu Galilei? Talvez Newton... O ''grande'' cientista saberia me dizer quem foram? Kami! Acho que encontrei a solução do problema.
- Claro que eu sei quem eles foram, preciso do estudo dos três... Por que essa pergunta estúpida?
- Acho que você pode controlar suas memórias, Akira, cheguei finalmente a uma conclusão... Quando o feitiço foi feito, sabia que um de vocês controlaria a memória... Só não sabia quem...
- Nani?
- Volte para sua casa, conte a Aoi que quando você quiser você se lembrará de tudo, diga a Ruki que ele logo terá seu amante de volta... Mande um abraço para Uruha.
- Eu não me lembrei de nada!
- Se esforce você tem esse poder.
- Que piada...
- E assim que eu puder, minha forma humana os visitará... Agora tente se lembrar e... Tenha bons sonhos. — Ao dizer isso, o tal Kai sumiu, junto com toda aquela minha visão da praia.
Eu estava sozinho, no escuro, novamente.
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Acordei deitado sobre os pergaminhos espalhados e abertos da sala, minha cabeça doía e parecia que ela fosse explodir a qualquer minuto, uma grande estante de madeira estava derrubada sobre o chão, o relógio da parede marcava exatamente meio dia... Merda! Há essa hora minha mudança deveria ter começado.
Caminhei por entre os pergaminhos, meu corpo todo reclamava de dor... Quando eu digo o corpo todo, não estou me referindo a ''aquele'' lugar, para quem está pensando besteiras... Droga! Agora estou brigando com o meu próprio subconsciente! Muito bem Akira, talvez aquele psiquiatra que era amigo de sua avó possa ajudar... Era o... Etto... Nem o nome dele eu me lembro.
Senti algo molhado se mexer para frente e para trás, lambendo-me, abaixei a cabeça e qual não foi a minha surpresa ao ver o pequeno Koron com seus olhinhos brilhantes abanar o rabinho para mim. Sorri de lado, estendi meus braços para carregar o pequeno animalzinho com os braços.
- Koron-chan... O que você está fazendo aqui, pequeno? Quem te trouxe até aqui?- Afaguei sua cabecinha, perguntando coisas que eu sabia que um cachorrinho não poderia me responder.
- Hime-chan! Hime-chan!- A voz assustada de Takanori tirou-me de meus pensamentos, principalmente quando ele entrou na sala correndo, tirando Koron de meus braços angustiadamente. — Hime-chan, nunca mais me assuste assim!- Resmungou para Koron... Desde quando ele está chamando meu cachorro macho de ''hime''?
- Ruki. — Chamei-o pelo nome no qual Kai havia se referido a ele''diga a Ruki que ele logo terá seu amante de volta... ''Se Aoi já tinha seu amante e Uruha também... Não ficou difícil de deduzir isso.
- Você lembrou!- O pequeno berrara, lágrimas finas começaram a escorrer de seus olhos. — Uru me prometeu que você se lembraria... Lembrou-se de mim... Meu xogum... — Ele não falava coisa com coisa, vi Koron ser colocado no chão lentamente, e logo o loirinho estava nos meus braços.
Retribui o abraço bastante confuso, ele dizia palavras bonitas enquanto se referia a mim, o que era uma coisa rara tendo em vista que todos me chamavam por palavrões ou por adjetivos nada invejáveis, sem falar que eu sei que Aoi deve reclamar do quando eu sou sério pelas minhas costas.
Não posso culpá-lo, se eu me tivesse como amigo eu também faria isso. Kouyou reclama do quando eu sou sério e não gosto de brincadeiras, o próprio Kai disse na praia que eu não era digno do amor de Takanori. Talvez eu não seja mesmo, nunca namorei ninguém por que as garotas não me suportam.
Se disser que nunca transei estarei mentindo, no entanto eu tive que pagar as moças... E uma vez um rapaz, confesso, para fazer isso comigo.
- Kai disse que eu posso me lembrar de quando eu quiser... Mesmo assim eu não me lembrei de nada, pequeno. — Sussurrei baixinho, eu não queria desfazer aquele abraço tão bom, eu senti ele suspira pesadamente, tirando seus dedinhos de minhas costas.
- Pelo menos o Kai apareceu, estava com medo de que ele não nos procurasse. — Desabafou.
- Sabe, eu posso não ter me lembrado o que aconteceu com nós dois anos atrás, por que a única coisa que eu vi foi o modo cruel no qual você morreu. — Comecei meu discurso, ele fitou-me curioso e franziu o cenho.- Mesmo assim eu sinto, eu senti sua falta enquanto conversava com o Kai, eu tenho que admitir que pensei em você diversas vezes, que você mexeu bastante comigo a ponto de eu te levar para minha casa sem nem ao menos te conhecer.
- Akira... — Taka resmungou baixinho, mas ele continuava com seus olhinhos cravados em mim.
- Chibi nessa vida eu te conheço há muito pouco tempo, mas sinto, apenas sinto que já te conheço há mais tempo. E parece que esse meu sentimento está corretíssimo. Não sei se posso dizer que te amo, mas sei que sinto algo por você... Simplesmente não posso dizer exatamente o que é; se é um carinho, se é amor mesmo, se é ódio ou simplesmente é pena.
Taka ficou paralisado, parecia estar processando as informações que ele tinha acabado de receber, sua expressão não queria dizer muita coisa. Ele estava pensativo e de fato ele estava pensando no que eu havia lhe dito, demorou um pouco até que ele respondesse:
- Meu xogum nunca teve pena, desde pequeno foi ensinado a não sentir pena de ninguém, por que as pessoas traçam o seu caminho e nem o imperador é digno de pena. — Comentou, sorrindo.- Meu xogum sempre disse que ninguém era digno de seu carinho, apenas Uruha devido ao laço de sangue que vocês tinham na época.- Prosseguiu.- Resta ódio e amor... Eles são bem distintos entre si, acho que é bastante fácil escolher entre os dois, pois em nada estes se assemelham.
- Eu te acolhi, cuidei de você e você não sai da minha cabeça... Provavelmente acho difícil ser ódio. — Refleti em voz alta, esperando para ver a reação que ele ia ter.
- Tem toda a razão, como sempre você tem razão.
E dizendo isso ele aproximou-se de mim, ficando na pontinha dos seus pés, fechando os olhos num pedido mudo para que eu o beijasse. Não pensei duas vezes e puxei o corpo dele para perto do meu, permitindo que minha língua invadisse aquela cavidade molhada, tendo um contato leve com a língua dele, deixando um pouco de sua saliva escorrer pelo canto de sua boca.
Ouvi passos se aproximando, Taka também deve ter ouvido, pois ele se afastou de mim rapidamente, sorrindo largamente, segurando Koron nos braços, dirigindo todas as atenções para o cachorrinho que lambia as mãos pequenas e delicadas de Taka. Delicadas como as mãos de uma mulher.
Meu humor havia melhorado consideravelmente.
Aoi e Uruha entraram de mãos dadas, o loiro segurava na outra mão um saquinho semelhante ao que Kai havia segurado durante toda a nossa conversa estranha em nada divertida. Porém o que o meu amigo tinha em mãos era bem menor, todavia eram da mesma cor.
- Não posso acreditar que pulei um muro enorme e cai no laguinho da casa do Kouyou, e ainda tive de encarar um bando de samurais furiosos e bem armados... E eu estava parecendo um pinto molhado nesse dia! Acredita nisso, Akira?- Aoi perguntou contendo o riso, já o loirinho ria escandalosamente da situação.
- De que está falando?
- Você estava lá... Por acaso não se lembra? Kai não falou com você?
- Conhece o Kai? Espere um minuto! Estamos falando daquele bruxinho metido de risada esquisita que me disse uns desaforos mais cedo?- Como uma metralhadora, eu perguntava tudo que desejava saber, sem dar tempo para que essas perguntas fossem respondidas.
- Estou falando do Kai, um bruxo muito poderoso e simpático que com suas mãos geladas nos fez lembrar de absolutamente tudo que eu precisava saber... Ele tem uma risada estranha sim... Ele é muito amável, duvido que tenha coragem de dizer desaforos a alguém. — O moreno respondeu, ficando sério.
- Ele foi muito bom, simpático e teve bastante paciência comigo, já que eu tive uns efeitos colaterais quando o encontrei naquela praia... Ele me ajudou a superar tudo, agiu como se fosse um verdadeiro amigo meu, se bem que depois de me lembrar de tudo... Eu o considero assim. — Uruha completou o momento de ''tributo'' para aquela criaturinha de covinhas.
- Akira, pelo amor de Kami... Me diz que você encontrou com o Kai em uma praia...
- Encontrei! Encontrei um rapaz que queria me dar lições de moral, então eu dei um fora nele e ele começou a falar asneiras, depois disse que eu era diferente de vocês, que eu podia me lembrar quando eu quisesse! Foi exatamente isso que ele mandou dizer para você, Aoi. E mandou um abraço para você, Uru.
- Ótimo, mas você se lembrou? Sim, por que o prazo está acabando...
- Não, eu não me lembrei de nada!
- Está dizendo que é como se estivéssemos na estaca zero?!- Uruha gritou em desespero. — E agora? Eu não quero morrer!
- Ele está querendo dizer que temos que fazê-lo lembrar, nem que para isso temos que jogá-lo no chuveiro frio ou enterrá-lo vivo. — Aoi o corrigiu.
- Que palhaçada é essa? Como é? Não vou ser enterrado vivo!- Cortei-os, fuzilando aquele moreno de ideias brilhantes.
- Nada disso! Ele tem que provar que me ama para se lembrar novamente, Kai havia me dito isso dias antes de minha morte... Eu só não sabia o que dizer para o Akira e durante anos pensei nessa questão... Agora tudo é óbvio, tudo faz sentido! Akira, para você recuperar suas memórias, temos que fazer amor como fazíamos nos velhos tempos. — Taka se pronunciou.
''Como fazíamos nos velhos tempos... ''
Agora sim, eu estou com problemas.
Notas finais
P.s:Não foi betada, sorry pelos erros 8D
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