Partituras Avulsas

1 Capítulo 1: Apenas um produto.


Notas iniciais
Primeira fic! Como estou nervosa em posta-la!
Eu realmente espero que gostem!
Por favor, comentem de possível.

A quanto tempo eu estava naquela secretaria silenciosa, mesmo? Dez minutos? Vinte? Meia hora? Definitivamente não fazia ideia.

Eu realmente não queria estar aqui.

Tudo bem, sempre existia a possibilidade da fuga, fugir de colégios normais era relativamente fácil, mas aquilo – eu me recusava terminantemente a chamar a Fairy Tail Music Institution de escola – estava mais para prisão do que outra coisa.

Era um colégio interno!

Certo.

Eu poderia ser expulso. Mais ser expulso em menos de meia hora era demais até para mim.

E, bom...

Ainda tinha o fato de que eu – e isso era o mais esquisito da situação toda – estava lá por escolha própria. A primeira vista isso podia parecer incoerente de minha parte, mas eu tinha meus motivos. Quer dizer, eu preferia muito mais estar nessa escola para aspirantes a músicos arrogantes do que continuar naquele lugar.

Bufei de raiva.

- Senhor Fullbuster? – A secretaria, ou quem quer que aquela mulher de coque apertado e terno preto fosse, falou – O diretor Markarov pediu para que entrasse em sua sala.

Hesitantemente girei a maçaneta. Um senhor de idade, com baixa estatura e uma expressão cômica me encarava de trás de sua mesa imponentemente arrumada.

- Com licença, senhor – Murmurei.

- Sente-se senhor Fullbuster – Pronunciou assim que eu entrei em seu escritório, seu dedo indicador apontava para uma cadeira confortável.

Sentei.

- Em primeiro lugar quero avisar que não me importo se sua família toda tem talento para musica e é mundialmente conhecida. Tanto faz – Ele continuou. Tinha um olhar presunçoso – Por isso não vá esperando um tratamento especial ou coisa do gênero. Aqui o que importa é o seu talento e, mesmo que você o tenha, não será diferenciado de ninguém.

Assenti, indiferente.

Por algum motivo estava gostando dele.

- Nós possuímos regras aqui e elas tem de ser obedecidas. Primeiro, é terminantemente proibido garotos entrarem na ala feminina e virce-versa. Segundo, o toque de recolher é as nove horas em ponto. Terceiro, nada de drogas ou álcool, fui entendido?

- Foi.

- Bom, seu quarto será o 201, você o dividira com uma pessoa. Assim que sair daqui a secretaria lhe dará sua chave, um mapa, seu horário e um MacBook, para que o use nas aulas teóricas – Pausa – Cada aluno tem direito a escolher um instrumento para se aprofundar – Ele olhou por alguns minutos para um papel – Você escolheu o piano, certo? – Concordei – Suas aulas começam na segunda feira, boa sorte.

- Obrigado – Me levantei – E, diretor? Eu não esperei nem um tratamento especial desde o principio e muito menos quero – Sai da sala.

...

Mesmo com um mapa nas mãos e tendo ouvido atentamente as instruções da secretaria me perdi em alguns momentos do percurso até meu quarto.

Como a maioria dos colégios internos a Fairy Tail era grande e com o adicional, o que era pior, de ser cheia de detalhes. Agradeci mentalmente por um funcionário ter levado minhas bagagens até meu quarto enquanto eu conversava com o diretor.

Suspirei aliviado assim que cheguei em frente a meu dormitório. Com a respiração acelerada devido ao longo caminho feito abri a porta.

O dormitório era grande e bem mobiliado. Tinha dois andares. No primeiro encontravam-se duas camas de casal, ao lado de cada cama havia uma escrivaninha e prateleiras. No segundo andar tinha dois closets e um banheiro.

Encaminhei-me até a cama onde estavam minhas coisas – que, para minha felicidade, era a do lado da janela – e me deitei. A viagem do Japão até aqui não era longe, mas estava cansado.

E só de pensar que estava longe de meu irmão meu corpo automaticamente relaxava.

Tirei os sapatos e me deitei. Coloquei um braço em cima de meus olhos e deixei um joelho levantado.

Geralmente eu não gostava de fazer isso. Quando eu fazia esse tipo de coisa, por algum motivo, começava a pensar. E, sinceramente, para mim a pior coisa que poderia acontecer era pensar, porque era nessa hora que eu refletia e me fazia perguntas.

Refletia sobre minha responsabilidade para com minha família.

Refletia sobre como era praticamente impossível superar meu irmão.

Refletia que não adiantava eu fugir, uma hora a responsabilidade e meu fardo viriam a tona.

O que, afinal, eu queria da vida?

Qual era meu sonho?

` Quem eu era de verdade?

E chegava as seguintes constatações devastadoras.

Eu era só um mero produto de minha família.

Eu não tinha capacidade para superar.

Eu era um covarde.

Eu não tinha expectativas.

Eu não tinha sonhos.

Eu não era ninguém.

As reflexões. As perguntas. As constatações. Tudo. Me matava. Me feria.

Em meus dias mais depressivos me pegava desejando ser Gray. Apenas Gray.

Mais não importava quantas tentativas eu fizesse para me tornar individual. No final eu sempre seria apenas o produto.

Fullbuster.

Só.

Tirei a mão do rosto. Me sentei. Balancei a cabeça como que para espantar os pensamentos ruins. Eu me recusava a ficar remoendo isso. Me recusava. Só fazia com que as coisas piorassem.

E, afinal, um dos motivos – mesmo que eu não gostasse de admitir – para eu estar ali não era conhecer a mim próprio? Que outra chance eu teria?

Foi então que, ente meus devaneios, aconteceu algo inesperado.

Meu quarto fora invadido por um furacão rosa conhecido.