Parfaite

9 Capítulo 9 - I promise.


Notas iniciais
Bem pessoal, vou ser rapidinha aqui, mas quero, POR FAVOR, que vocês leiam as notas finais. Capítulo escrito ao som de Rise Against - The Good Left Undone. Como sempre, betado pela linda da Meei ♥ Boa leitura e muito obrigada pelos primeiros 100 reviews *-*

[Uruha’s POV ]

Não tinha muita idéia do que estava fazendo até ter o olhar de Yuu sobre mim daquela forma. As íris tinham medo, mas tinham vontade. Ele tinha prendido a respiração e suas costas estavam fortemente apoiadas na parede atrás de seu corpo.

Senti meu rosto queimar.

Só notei o quanto a situação estava sugestiva quando já tinha chego num ponto onde ele estava esperando de mim mais do que seria o certo, entre dois homens, sendo eles um gay e um hetero. Ou talvez, eu é que estivesse esperando demais dele.

Seja lá qual verdade prevaleça, me afastei, puxando seu braço junto comigo, como se sequer tivesse ciência da situação em que havia nos metido, colocando sua mão embaixo da torneira da pia, abrindo-a para que a água caísse em seus dedos conforme eu pegava o necessário em meus armários para fazer um curativo.

Senti seu olhar me seguindo o tempo todo em que perambulei pela cozinha. Aquilo estava me deixando nervoso... Quer dizer, eu era enfermeiro e vivia para meu trabalho. Quando existia sexo na minha vida, era com pessoas que eu sequer perguntava o nome, sabendo que não teria tempo para uma relação mais duradoura.

O único ex-namorado que tinha ainda presente em minha vida era Akira.

Não considerava um erro ter namorado com ele, mesmo que fossemos melhores amigos desde sempre. Só percebemos que éramos melhores apenas como melhores amigos depois de quase um ano juntos. A relação só serviu para nos deixar ainda mais íntimos, ao contrário da maior parte dos namoros fracassados.

Mas voltando ao olhar de Shiroyama em cima de mim enquanto eu desinfetava o ferimento, passava pomada cicatrizante e fazia o curativo com gaze e esparadrapo... Bem, era difícil não voar em pensamentos com um trintão tão lindo quanto ele na minha frente, principalmente depois de termos, inconscientemente aberto possibilidades para que algo tivesse acontecido e eu impedi que acontecesse.

Ele era heterossexual.

O filho dele estava no hospital em estado grave.

E eu era enfermeiro deles.

Totalmente antiético não importa por que lado encare a situação. Estava precisando parar de pensar nessas coisas ou iria ter um ataque.

- Precisa trocar o curativo todos os dias. Não fure as bolhas, deixe que elas estourem sozinhas e sequem. Já que vai estar no hospital, eu cuido de você. É só deixar quietinho que não vai doer, nem incomodar, até estar tudo bem de novo. – Falei, mantendo a voz firme, sem engasgar. Eu não queria que ele soubesse que eu tinha percebido. De vez em quando ser inocente ajudava e eu definitivamente era, na maior parte do tempo.

Reita me chamava de criança.

Pelo simples fato de que eu só percebo que uma situação está passando de romântica para sexual quando tem alguém puxando minhas calças para fora do corpo e coisas assim. Sou desligado. Sei perfeitamente disso.

- Obrigado, Kou. – Ele respondeu com euforia gritando no olhar, porém, parecia estar voltando ao normal. O desejo, a vontade, ou seja lá o que eu vi brilhar nas íris negras tinha ido embora.

- Não foi nada. É meu trabalho. – Lhe ofereci meu melhor sorriso, levantando-me para pegar o chocolate quente e nos servir. – Vou arrumar o quarto de hóspedes pra você. Dormimos até a tarde e depois voltamos para o hospital, ok?

Shiroyama assentiu, retribuindo meu sorriso.

Acho que agora, tudo tinha voltado ao normal.

•••

Quando voltamos, Touya estava acordado comendo alguma coisa que lhe trouxeram, leve o suficiente para que ele conseguisse ingerir sem ter nenhum efeito colateral. Aparentemente, ele estava bem melhor.

Bem melhor para os padrões atuais, o que não era grande coisa perto de uma pessoa saudável, mas era o suficiente para recuperarmos os ânimos e esperar a próxima recaída enquanto o doador não aparecia.

Ao seu lado, na cama, Sati falava empolgadamente sobre alguma coisa enquanto o Shiroyama mais novo lhe dava pedaços de sua comida entre as falas, deixando a baixinha de cinco anos toda alegre.

No canto do quarto sentado numa poltrona, Akira fazia de conta que lia um jornal enquanto, por cima da página, vigiava a filha como um cão de guarda, como se Touya fosse roubá-la dele.

Fui até ele, sentando-me no braço se sua poltrona, aproximando minha boca de seu ouvido, sussurrando.

- Ela só tem cinco anos, Touya não vai pedi-la em casamento. – Brinquei, rindo do olhar mortal que o loiro me lançou.

- Mas ela vai crescer e ele também, se não morrer nos próximos meses. E só a menção dessa idéia me enlouquece, porque ela me atazanou a semana inteira pra ver esse moleque. – Eu acabei tendo de segurar a risada ou iria chamar atenção desnecessária para nossa conversa.

- Pare de exagerar, Aki, ela só gosta dele, isso é perfeitamente normal, não quer dizer que daqui a alguns anos eles vão ir para o altar. – Tentei amenizar o ciúmes daquele médico ciumento.

- Sati é autista, Uru. Se ela se apega, não tem nada que a faça largar de uma pessoa. Se ela se apaixonar por esse filinho de papai, vai continuar apaixonada. Mas se chegar ao ponto de eu achar que a merda tá grande demais, vou fazer questão de errar na dose da morfina e fazer esse menino morrer aqui mesmo. – Dessa vez não consegui conter a risada tão bem. Obviamente Reita jamais conseguiria fazer algo assim. Ele não conseguia matar nem uma formiga sem ficar com remorso, mas era a primeira vez que eu o via com um ciúmes tão acentuado sobre alguém.

- Ok, papai ciumento, pare de arrancar os cabelos em antecipação. Repetindo: ela só tem cinco anos. Deixe a menina crescer antes de querer pular no pescoço de Touya. E trate de ajudá-lo a viver o suficiente para vê-la crescer, sogrão. – Agora eu estava pentelhando mesmo. Sendo que levei um tapa ardido em uma das coxas.

Soltei um muxoxo, aquilo ia deixar uma marca.

Yuu ainda não tinha atravessado o batente da porta, preferindo ficar apenas a observar o filho conversar com a menininha espoleta ao seu lado. Parecia gostar do que via, com aquele sorriso brincando em seu rosto de maneira tão sutil.

Alguns minutos depois, Ruki bateu pediu licença ao moreno, entrando no quarto e vindo para o lado do amante, ficando de pé, em frente ao loiro ainda sentado no canto do quarto.

Akira pousou uma mão na parte de trás de cada coxa do chibi, parecendo se acalmar com a presença do ruivinho, que passou a deslizar os dedos nos fios descoloridos do namorado.

- Meu turno já terminou, vamos embora, ou você ainda tem trabalho hoje? – Eles não moravam juntos, mas... Bem, era muito mais fácil encontrar Takanori na casa do Suzuki do que na sua própria.

- Vamos sim, Sati já se divertiu o suficiente por aqui e eu já estou de bobeira há horas. – Assim, levantou-se indo até a cama e estendendo as mãos para a filha, que apesar do bico e da manha, acabou cedendo dando um beijo de boa noite em Touya e indo embora com o pai e a... “mãe?”.

Só depois que saíram, Yuu resolveu entrar no quarto, sentando-se ao lado do filho, que lhe sorriu, tentando provar que estava bem.

- Não sabia que gostava de crianças. – O pai comentou como quem não quer nada.

- Não costumo gostar. Eu gosto dela, é diferente. Sati vê as coisas de uma maneira diferente. Ela não precisa de futilidades para gostar de alguém, apesar de ser tão nova. – O mais novo respondeu calmamente, dando de ombros.

Yuu passou os dedos pela bochecha do filho, num carinho, antes de se levantar, deixando-o mais confortável na cama. Ele parecia ter ouvido o que queria. Fiquei pensando o que estava se passando pela cabeça de Shiroyama.

- Precisa de alguma coisa? – O mais velho perguntou, recebendo uma negativa do filho, que parecia ter tudo que precisava, por enquanto. – Bem, vou descer para comer alguma coisa, volto daqui a pouco, certo? – Então, aquelas duas esferas negras cravaram-se em mim. – Me acompanha?

- Em dois minutos, te encontro lá embaixo. – Afirmei, vendo-o sair, deixando-me a sós com Touya. – E então, como você está, de verdade?

Tomei minha posição, sentando-me na cama, deixando-o apoiar a cabeça em meu colo. Quando comecei a fazer um leve cafuné, senti falta dos cabelos sempre tão macios, para embrenhar meus dedos.

- Minha cabeça parece que vai explodir, não pára de doer, o tempo todo. Meu estomago também, me odeia desde que a quimioterapia começou. Eu estou cansado, vinte e quatro horas por dia sinto como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Estou com cegueira noturna faz uns dias e todos os meus reflexos já eram. Até andar está difícil, mesmo que só até o banheiro. – Suspirei. Sabia que não estava tão bem quanto aparentava.

- Infelizmente, não há muito que possamos fazer em relação ao seu estômago. As dores de cabeça... Vou pedir para aumentarem as doses dos remédios. A cegueira noturna só vai melhorar quando sua anemia passar e para isso, você tem de parar a quimioterapia, o que não é uma opção até conseguirmos um doador. Seus reflexos vão continuar assim até você ganhar peso e recuperar a saúde. Quanto a andar até o banheiro... Podemos colocar uma sonda em você e não precisará mais sair da cama, mas por enquanto, é uma escolha sua. – Decidi ser sincero... Ele se provou forte o suficiente para merecer isso de mim, sempre.

- Não... O dia em que eu não tiver mais motivos pra sair da cama... Eu não vou viver o suficiente para ver o dia seguinte nascendo. Minha mãe dizia isso. Eu concordo com ela. – Senti um de seus braços laçar minha cintura, segurando minha camiseta. Seu rosto se afundou em meu abdome. – Você tem cheiro de canela. O mesmo da...

- Sua mãe. – Completei, com um sorriso. – Seu pai disse a mesma coisa, uns dias atrás.

- Meu pai gosta muito de você.

- Eu também gosto dele. – Afirmei e seus olhos acinzentados se cravaram nos meus, como se procurassem alguma coisa. Não sei se encontrou, porém, desviou o olhar.

- Naquele dia, não me respondeu se vai cuidar dele. – Touya mudou completamente de assunto.

- Eu espero que você esteja aqui para cuidar dele e... – Dessa vez, quem me cortou foi ele.

- Não respondeu minha pergunta, de novo.

- Vou cuidar dele. Prometo. Por mais difícil que seja. Mas só se me prometer que não vai desistir até o último minuto da prorrogação.

- Eu prometo. Agora tenho um motivo a mais para não desistir. – Não entendi em relação ao que ele estava falando aquilo.

Mas tinha uma boa idéia.

Notas finais
##Ok, agora vou explicar como as coisas vão funcionar daqui para frente, e espero que me desculpem por isso ;; Minhas aulas voltaram. O que isso quer dizer? 7:30 às 11:55 - Terceiro ano do ensino médio. 13:00 às 18:00 - Trabalho. (08:00 às 13:00 de sábado) 19:00 às 22:55 - Técnico de Meio Ambiente. Já entenderam né? Meu tempo se reduziu em um monte de nada. Ou seja, eu só vou poder postar de fins de semana. Dai pretendo que saiam dois ou três chappies por semana. É menos do que agora, mas é o máximo que eu vou conseguir. Não sou feita de ferro. Agora, em relação aos reviews, eu tenho certeza de que vou me atrasar, mas vou continuar respondendo a todos, ok? Só preciso de paciência. Espero que vocês não me abandonem, não deixem de comentar e não deixem de me mandarem sujestões ou de virem falar comigo no msn/twitter. Agora, deixo aqui uma enquete pra vocês sobre a força das potências QQQQ Quem deve ser seme? Aoi ou Uruha? Quero saber desde já porque o clime já está pintando po aí Q E mil desculpas a todas que ficaram bravas pela parada do último capítulo, foi proposital. E era muito cedo pra eles se beijarem né? Só capítulo nove *foge das pedras* Em compensação, quando eles se beijarem, vai ser um vulcão entrando em erupção, por causa de toda a tensão que eu estou criando entre eles Q Esperem pelo menos um lemon alok selvagem FTW. MAAAAAS, só se eu tiver apoio e incentivo de vocês /CHANTAGEM. Bem pessoal, é só isso mesmo, espero que vocês entendam meus motivos e não queiram me bater. Para quem está perguntando, o Kai vai aparecer SIM e deixo mais uma pergunta: querem ele com o Nao ou com o Myiavi? Ok, chega de perguntas por um capítulo. Agradecimento especial à Ino, a linda que postou o último capítulo pra mim ontem e que me aguenta dando surtos no msn. E à Jigoku_Geisha, que me aguentou a noite toda falando dos meus planos para uma continuação dessa fanfic, mas isso é assunto pra mais tarde. Mereço Reviews? *-* Beijos seus lindos :*