Parfaite

3 Capítulo 3 - I have another confession to make.


Notas iniciais
Já que vocês são umas lindas, eu já vou postar o terceiro capítulo hoje. Esse chappie é bem uma "calmaria antes do furacão", espero que aproveitem Q A Meii linda acabou de betar, então, estou repostando ♥ Mais lá embaixo :*

[Aoi’s POV ]

I got this icebox where my heart used to be

[Icebox ]

Não minto, eu chorei.

Na verdade, acho meio ridículo esse conceito de que homens não choram. Eu já chorei o suficiente pra uma vida inteira antes dos trinta. Homens têm tanto sentimentos quanto uma mulher ou uma criança. Ou até mais, já que meu filho chorou bem menos do que eu na morte da mãe.

Eu só não me lembro de ter chorado tanto nos últimos cinco anos quanto chorei depois que saí do quarto de Touya no hospital.

Acho que nunca havia me dado conta de que já não existia mais nada ali. Não éramos mais pai e filho. Ele não me considerava mais seu pai por mais que eu nunca fosse deixar de vê-lo como filho.

Nem tanto por ele me chamar de Yuu – Touya fazia isso há muito tempo -, mas sim por, mesmo num leito de hospital, doente, ele não me querer por perto. Qualquer um, menos eu. A única coisa que rondava meus pensamentos era que erro, exatamente, eu tinha cometido.

Onde? Quando? O que eu fiz de tão errado que desencadeou tudo isso?

Quando Kouyou voltou para o corredor, eu tive de cortar um soluço no meio, sentado com as costas apoiadas na parede.

Adiantando-se até mim, o enfermeiro colocou as mãos em meu rosto, fazendo-me encará-lo... Era engraçado o quanto ele parecia com um anjo, não apenas na aparência. A simples maneira como ele passava os dedos por meu rosto, tentando limpar minhas lágrimas, acabava por me acalmar.

- Yuu... – Ele mordia os lábios, em nervosismo, levando um sorriso triste aos meus.

- Eu já deveria ter me acostumado... Perdão. Obrigado pela preocupação. – Ele pegou minhas mãos, ajudando-me a levantar e antes que eu conseguisse colocar os pensamentos em ordem, senti seus braços me envolvendo, num abraço firme.

Fiquei sem reação por vários segundos, quer dizer, essa era a última das ações que eu esperava dele, nós mal nos conhecíamos, entretanto... Acho que fui meio tapado nesse sentido, ele parecia ser o total oposto de tudo que queriam que ele fosse. Do que a sociedade pregaria como adequado.

Retribuí o abraço por fim, sentindo-o tirar um peso dos meus ombros com aquele simples gesto. Acho que eu deveria me mudar para o Brasil. Gostava demais de contato físico para conseguir lidar bem com as pessoas que me cercavam.

- A culpa não é sua, certo? – Kouyou falou por fim, afastando-se ligeiramente de mim, com aquele sorriso iluminado no rosto. – Meu turno acabou... Tem um café aqui na frente, a essas horas da noite não deve ter quase ninguém por lá, quer me acompanhar?

“Quer dizer... Touya precisa dormir um pouco, descansar e você precisa se acalmar, acho que esse dia exigiu demais de vocês dois. E... Me desculpe pelo abraço, tem muita gente que não gosta de mim por isso, só que... Eu não consigo evitar, você estava com cara de quem precisava de um e...”.

Eu o calei, colocando um dedo em cima de seus lábios, vendo-o paralisar.

- Eu agradeço por você ser tão abusado. Estava mesmo precisando de um, há um longo tempo. – Estava cansado, estada destruído e totalmente perdido, entretanto, agradecia por tê-lo ali. Um total estranho que me fazia confiar que tudo podia terminar bem. – Adoraria te acompanhar.

Assim, acabei seguindo-o até um café/lanchonete que ficava dois quarteirões para frente do hospital. Era bem acolhedor mesmo.

- A verdade é que eu não almocei, nem jantei, estou vindo aqui principalmente porque estou morrendo de fome. – Ele confessou, corando levemente. Estar com ele me fazia esquecer dos problemas, eu não sabia até que ponto isso era bom, contando pelo fato de que eu tinha um filho que me odiava, numa cama de hospital, nesse exato momento.

Uma garçonete se aproximou, anotando o pedido de Kouyou. Tinha acabado de comer, não queria mais nada. Nunca fui de comer muito.

- Sinta-se à vontade. Só não te acompanho porque você já me forçou a comer. – Problemas rondavam minha cabeça como fantasmas, porém eu me recusava a deixar eles se aproximarem muito agora. Iria precisar de toda a força quando voltasse para lá; para mais uma rejeição.

Só que nada teria me preparado pra ver a QUANTIDADE de comida que ele tinha pedido. Não tinha prestado atenção ao pedido, só que de repente, uma chuva de comida começou a vir encher a mesa onde estávamos.

Dois lanches, uma porção de batatas fritas, milk-shake, um salgado e pra completar, um petit gateau.

Me limitei a ficar olhando-o como se ele fosse um alienígena. Pra onde ia tudo aquilo?

Quando ele tinha começado a comer o primeiro lanche, finalmente me encarou, corando automaticamente. Eu estava naquela posição ridícula de cabeça inclinada para o lado e olhar abobado.

- Ahm... Acho que... Bem, você acabou de descobrir pra onde vai 80% do meu salário. Eu como muito, desde pequeno. Desculpa. – O loiro deu de ombros, voltando a comer.

- Não... Não precisa se desculpar, nem nada. Só estou me perguntando pra onde diabos toda essa comida vai. – Pra ser mais sincero do que isso só se eu dissesse um “PUTA QUE EU PARIU, QUANTA COMIDA”.

- Ah... Boa pergunta, eu nunca engordo... Minha mãe dizia que era de ruindade. Minha irmã falava que tudo ia pras minhas coxas... Quando morava com meus pais, minha mãe sempre fazia comida pra um batalhão. Comecei a trabalhar cedo pra ajudar com o gasto na despesa. – Fiquei pasmo.

Não sei qual era o tamanho de suas coxas, porém, se fosse algo anormal o suficiente pra abrigar toda aquela comida, eu teria notado. Era ruindade mesmo. Concordava com a mãe dele.

- Se eu fosse sua mãe, também teria te expulsado de casa. Cozinhar deve ter ficado muito mais fácil depois que você saiu. – Brinquei, fazendo-o rir entre uma mordida e outra. – Mora sozinho ou é casado?

- Casamento gay não é permitido no Japão, Yuu. – No momento em que disse isso, ele largou o lanche, colocando as duas mãos na boca, com o ar mais assustado e arrependido que já vi. Seu medo era palpável.

Não falou mais nada depois disso, provavelmente pensando que poderia estragar mais se tentasse consertar, só que... Eu realmente não me importava.

- Mas então, pode não ser casado, mas mora com alguém? Ele é bonito? – Continuei o assunto normalmente, pensando que essa seria a melhor maneira de não deixá-lo se sentir mal.

- Eu... Ah... – Suas mãos saíram de sua boca, mecanicamente, parecendo ainda mais assustado por eu não me importar do que por ele ter se assumido na minha frente. – Não... Já morei, mas... Ahm, digo... Sim, agora eu moro sozinho.

- Entendo. – Estava perfeitamente confortável com a conversa. – Ei... Não é porque eu sou um viúvo, pai de um adolescente que eu tenho de ser preconceituoso, ok? Não me olhe com essa cara.

- Desculpa é que... Eu não saio falando sobre a minha sexualidade por aí. E muito menos sou tão bem aceito dessa forma. Normalmente as pessoas ficam com nojo de mim e eu já quase perdi o emprego uma vez... Como se eu fosse atacar sexualmente os pacientes do hospital, dá-me paciência. – Kouyou resmungou, voltando a comer tranquilamente.

Aquele enfermeiro tinha picos de humor tão opostos quanto às subidas e descidas de uma montanha russa.

Ficava me perguntando se era isso que o fazia ser tão... Não sei, algo entre fofo e singular.

Depois de alguns minutos numa conversa amena, onde ele comia e eu o via devorando quantidades astronômicas de alimento com uma facilidade impressionante, finalmente, o assunto voltou a ser mais sério.

- Touya passou por alguns exames, a maior parte deles só vai ficar pronto entre amanhã e depois de amanhã. Só rotina mesmo, pra ver se não tem nada de errado com ele. Vou tentar falar com ele, ver se aceita te ver... Vá pra casa depois daqui. Sei que isso pode parecer meio absurdo, porém, ter você por perto pode deixá-lo num estado de nervos não muito favorável.

“O preferível é que ele fique longe de estresse depois de um coma leve, então... Yuu, descanse em casa, ok? Quando os resultados chegarem, eu volto a te ligar caso algo dê errado. Ou, se ele receber alta antes dos exames, eu também te aviso. Seu filho não vai sair sem você vir buscá-lo. O que me diz?”

Não soube o que responder de imediato, o assunto me deixando cansado, bem mais do que eu gostaria. Drenando-me.

- Tenho outra opção? Meu filho não quer me ver e eu não quero que ele piore. – Me senti derrotado. Irremediavelmente derrotado.

- Ei Yuu... – Senti sua mão sobre a minha, seus dedos afagando os meus como se fossemos... Amantes, não sei. Só sei que o contato me fez bem. – A culpa do mundo não é sua. Pare de tentar pegá-la toda pra você. Quando menos esperar, as coisas vão começar a dar certo.

“Promete pra mim que vai ficar bem?”

- Só se prometer que vai continuar sorrindo dessa forma pra mim.

Notas finais
##Bem, eu tenho 16 leitores e só conheço 11.Gente, eu não mordo, KD vocês para darem seus reviewzinhos e me fazerem feliz? ;; Estou até respondendo eles. Vocês são uns lindos, mas com o número de reviews diminuindo, eu acho que estou fazendo algo errado e acabo perdendo o ânimo. Se vocês não me deixarem desanimar, essa fanfic vai seir rapidinho, mas do contrario... Acho que vai terminar como todos os meus outros trabalhos /chantagem Bem, como eu disse, aproveitem a calmaria desse capítulo, porque a partir do próximo, as coisas vão pro inferno Q Bem, eu quero a opinião de vocês, pode ser? Só posto se esse chappie tiver pelo menos 12 reviews ;; Beijinhos :*