Paredes de ar

15 Silêncio e, então,


um barulho.

Mas barulho de quê?

Não se sabe, sabe-se que foi barulho, que ocupou o silêncio, que consumiu tempo e amargou o suco de limão. E só. Mas só o quê? Não se sabe, porque no intervalo de tempo em que o silêncio se abalou surgiu algo que veio e sumiu, sem rastros, um criminoso perfeito que, no entanto, não cometeu crime algum. Por quê? Porque o silêncio continua, inteiro, como se em momento algum tivesse sido substituído por outra coisa. E no entanto em um momento ele morreu. E voltou.

Ah!

Outro barulho.

Do quê?

Não se sabe...