Paredes de ar

25 Medo do escuro...?


... e o que poderia dizer quando sua voz tinha sido confinada ao silêncio assim como seu corpo ao escuro?

No escuro, aprendera que as sombras eram atemporais: na falta de definição não havia passado, presente ou futuro, tudo era simultâneo e eterno e passageiro. Um desconhecido onde tudo cabia.

No escuro, aprendera o que era ser ilimitado, e o ilimitado era tão grande que não cabia em seu corpo, e por isso mesmo ampliava sua mente e o tornava uma existência superior.

Porque se outros temiam o desconhecido do escuro, aprendera que nele tudo podia existir e, ao invés de temer essa infinitude, a abraçou, e fez do desconhecido seu amigo.

E a partir de então ele deixou de temer e passou a ser temido.