Notas iniciais
Primeira fic de GOT, espero q vcs gostem ;)

As paredes da Torre da Alegria a sufocavam aos poucos. Cada dia que passava pareciam mais fechadas e mais cinzentas, como se a luz, assim como tudo o que conheceu, fosse se esvaindo aos poucos daquele lugar. E a cada dia, respirar o ar abafado de Dorne se tornava pior.

Lyanna imaginou por muito tempo como seria Dorne. Queria conhecer os Jardins de Água e Lançassolar, ver as crianças bastardas brincando com os nobres, conhecer as Serpentes da Areia, cavalgar no deserto e na beira da praia, tudo isso, de preferência, com a Víbora vermelha ao seu lado.

Seus planos nunca incluíram ser presa numa miserável torre por um príncipe dragão beirando a loucura. Não queria sonhar todas as noites com seu amado pai e seu confidente irmão morrendo pelas mãos de um louco. Não imaginava que teria seu ventre inchado com uma criança, rudemente colocada ali. No fim, para si, Dorne era somente paredes cinzas e um calor insuportável.

Agora ela só queria estar em sua casa, em suas terras regadas com a neve e o frio, onde nem o verão consegue chegar. Ela queria correr com os lobos selvagens, cavalgar em seu cavalo até os limites da grande muralha, respirar o ar gelado das manhãs em Winterfell, ouvir as histórias da velha ama e rir de seus irmãos. Sentia saudades até dos sermões de seu pai.

Mas nada nunca mais seria como antes, ela jamais veria seu pai a corrigindo novamente, muito menos ouviria a risada estrondosa de Bran pelo bosque sagrado. Ned já devia estar endurecido pelas batalhas e seu pequeno Ben, assustado ao ser o único Stark em Winterfell. Todavia, nenhuma lágrima venho aos seus olhos ao pensar nisso, suas lágrimas secara a tempos com o calor.

E ela achando que o casamento com Robert Baratheon era seu pior pesadelo.

Ingênua criança do verão, seu pai diria, o inverno está chegando, Lyanna.

E chegou. Ao menos para ela. Começara uma guerra apenas por estar em um torneio e não conseguir evitar ser raptada. O veado e o dragão lutariam até que um perecesse, numa batalha pelo poder, numa guerra de tronos que ninguém saberia parar. E ela nem sabia quem queria que vencesse. Se Rhaegar vencesse ela teria que viver a vida com os assassinos de sua família? Teria que ver seu lobo criado por dragões? Mas e se Robert vencesse? Haveria espaço num reinado de veados para seu menino?

Eram nesses momentos, observando pela única janela de seu quarto o terreno árido de Dorne, que ela se permitia fantasiar que alguém a tiraria daquele tormento, afinal era apenas uma garota de dezesseis anos sozinha e trancafiada com seus próprios tormentos. Algumas vezes seu herói era Ned, avançando contra os guardas e derrotando a todos eles, então a abraçaria por incontáveis minutos, e pela primeira vez em muito tempo, ela se sentiria em casa. Mas Ned estava em Correrrio desposando um peixe da última vez que ouviu falar dele, e seu irmão tinha que se preocupar com uma guerra nesse momento.

Mas quase sempre, era Oberyn seu salvador. Com sua lança devastaria todos que estivessem em sua frente e a colocaria sobre o lombo de seu cavalo e junto partiriam para qualquer lugar que desejassem, como as canções e histórias. Mas Oberyn não viria, não arriscaria ir contra Rhaegar enquanto Elia estivesse sob o poder dos dragões.

Lyanna se perguntava se, presa assim como ela em uma torre longe de casa, Elia sabia que Rhaegar jamais as deixariam partir.

Então, quando seus sonhos iam se quebrando com a realidade das coisas, ela pensava em seu filho, ela tinha certeza que seria um menino apenas porque Rhaegar queria uma menina. Esperava que ele fosse cuidadoso como Bem, honroso como Ned, corajoso como Bran e sábio como seu pai. E orava, esperando que seus deuses pudessem a ouvir mesmo de tão longe, para que não houvesse uma única coisa Targaryen nele. Não queria que ele fosse um rei ou uma lenda, e que os deuses o livrassem de chegar perto daquela coisa chamada Trono de Ferro. Ela só queria que fosse livre, como ela nunca pôde ter sido. Podia não tê-lo desejado, mas já o amava de todo o coração. Só esperava que ele fizesse as escolhas certas.

Pensando em suas próprias escolhas, Lyanna não pode deixar de rir. A loba de Winterfell nunca teve seu destino traçado por si mesma, nunca pôde tomar uma decisão sequer sobre a própria vida. Sua existência fora controlada não pelos deuses, mas por homens. Homens que disseram amá-la e no fim a destruíram.

Um era um lobo velho, seu pai, que tirou seu direito de escolha e liberdade pensando ser o melhor para ela.

Um era um veado, um tolo veado que a proclamou para si, roubando assim, seu futuro.

Outro, era um dragão, um príncipe dragão que acreditava tão fielmente em algo e não soubera lidar com sua fé, graças a isso ele tomou seu corpo e sua vida.

O último era uma víbora, tão venosa para si, uma víbora tão traiçoeira que se achou no direito de se aproximar e tomar seu coração e seu amor, para no fim, a deixar sozinha.

A Loba só queria conhecer cada canto do vasto mundo em que vivia, mas acabou presa em uma torre de parede cinzentas e calor insuportável.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!