Paraíso Sombrio

24 Seja um idiota você também


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Primeiro, quero me desculpar pela demora. A verdade é que, além da falta de tempo, a autora-san aqui tá meio dodói de novo. Então, quando eu finalmente melhorei um pouquinho, a inspiração resolveu se fazer de sumida e não deu mais as caras. Tava tudo na cabeça, mas passar pro papel... como? Ai, de repente... fluiu. Foi assim. Kkkkkkkkkkkkkkkkkk Bom... agora sobre o capítulo. Revelações NaruHinianas, hein? Progressos... vejo progressos para todos os lados. Será que Narutim vai finalmente parar de narutar as coisas? xD Bom... eu dividi o capítulo porque, quando a dona inspiração apareceu, ela veio com força total, e acabei escrevendo um capítulo gigantenorme. Sei que quase fui linchada da última vez em que fiz isso, mas... mas... mas gente... pensem assim: ela já tem grande parte do próximo capítulo escrito, então não vai demorar a postar! o/ (por favor, não me matem, rsrsrsrs) Aí, na quarta-feira, já comecei a receber as mensagens carinhosas que eu amo, né. “AUTORA-SAN, VOCÊ MORREU?”, “AUTORA-SAN, CADÊ CAPÍTULO NOVO?”, “AUTORA-SAN, FAZ O NARUTO E A HINATA SE BEIJAREM DE UMA VEZ NESSA BAGAÇA!”, “AUTORA-SAN, SE VOCÊ NÃO POSTAR LOGO, EU VOU COLOCAR TEU NOME NA ENCRUZILHADA!!!” KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Gente, eu já disse que amo vocês? Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



De volta ao bar, ainda sob os olhares de várias mulheres que passavam e o encaravam, Naruto perdia-se em pensamentos, afogado em meio a tanta confusão e possibilidades. Seu olhar tinha um misto de ferocidade, confusão e angústia. Tudo isso porque, mesmo que lhe custasse admitir, mesmo que ele não quisesse demonstrar, ainda se preocupava com Sasuke e lamentava que tudo tivesse tomado aquele rumo. Em contra partida, não conseguia entender as atitude do ex -melhor amigo, ex-irmão. Para Naruto, — e isso era resultado de cicatrizes profundas do passado – nada poderia justificar a atitude de abandonar ou ser abandonado por sua família.

–O que exatamente você ouviu lá em cima, Kiba? – o loiro perguntou, querendo maiores explicações.

O Inuzuka suspirou profundamente. Já havia respondido aquilo mil vezes, mas parecia que Naruto não queria acreditar ou aceitar a possibilidade de que Sasuke havia feito tamanha atrocidade.

–Eu já disse a você, Naruto. – respondeu – Os seguranças estavam comentando que havia sido uma boa ideia deixar que o Uchiha mais novo desse cabo do próprio irmão. E que ele era um membro da Akatsuki muito competente, porque nunca deixava uma tarefa inacabada.

O loiro manteve a expressão impassível. Não era possível. Sasuke podia ser um idiota, mas ele não seria capaz de matar o próprio irmão.

Ou seria?

Quando Sakura ligou para Sasuke, todos ficaram apreensivos em ter o Uchiha por perto. A rosada disse que havia encontrado pistas sobre a morte de Itachi e, dessa forma, ele não hesitou em vir até a boate. Tudo aquilo estava muito confuso, algo estava faltando. E Naruto não conseguia parar de pensar que havia alguém ali escondendo alguma coisa dele. Mas quem?

Enquanto os pensamentos fervilhavam na cabeça de Naruto, Sakura e Kiba, Hinata se mantinha em silêncio junto ao balcão, o rosto inexpressivo, sem dizer uma palavra sequer. Ela podia sentir a angústia se instalando em todos os corações à sua volta, mas não poderia dizer nada a respeito. Talvez, se falasse com Sakura, poderia aliviar um pouco o fardo que ela carregava sozinha. Talvez, se a convencesse de que o melhor era abrir o jogo com todos...

Presa entre todas aquelas possibilidades, Hinata manteve-se quieta. Embora se preocupasse com todos ali presentes, era a agonia do coração de Naruto que mais lhe atormentava, principalmente porque ela carregava consigo a tristeza de dois corações, – o seu e o de Sasuke – e aquilo a estava consumindo também. Com certo pesar, ela se lembrou da promessa que havia feito ao Uchiha, praguejando mentalmente pelo fato de que não poderia falar nada; ela havia dado sua palavra, afinal.

–Quer saber? – disse Naruto, levantando-se – Eu vou chamar o Gaara e depois vou procurar os outros.

–Gaara está protegendo a Ino lá em cima. Ele não vai querer sair de lá. – Sakura explicou.

–Eu fico no lugar dele. – Naruto se ofereceu prontamente. E todos sabiam que, na verdade, o loiro não queria estar por perto quando Sasuke chegasse.

Compreendendo os motivos de Naruto, ninguém o impediu quando ele se afastou em direção ao terraço sem sequer olhar para trás.

O silêncio constrangedor pairou sobre os três restantes sentados junto ao bar. Enquanto Kiba detinha seu olhar na expressão preocupada de Sakura, Hinata observava a figura de Naruto, que se apressava em meio as pessoas espremidas na pista de dança. Seus olhos tentavam distinguir a silhueta de Naruto sob todas aquelas luzes que piscavam, transformando todos os corpos que dançavam em um turbilhão de gente desnorteada. Na medida em que a noite avançava, o salão se transformava em um amontoado de pessoas aleatórias que fingiam dançar e se divertir. Para Hinata, todos aqueles sorrisos embriagados pareciam vazios e superficiais.

E quando ela piscou, ele sumiu.

Não sabia dizer em que direção, por onde ele fora, em que lugar o havia perdido de vista. Ele simplesmente havia sumido.

Seu coração se agitou.

–Kiba... se eu seguir na direção do banheiro, vejo a escada de incêndio?

–Não... você precisa dobrar a esquerda antes do banheiro. É a primeira curva depois da pista de dança.

–Ótimo. – ela disse, se levantando – Fique aqui com a Sakura e espere Sasuke chegar, está bem?

–Hinata, é perigoso você sair assim... – o rapaz tentou argumentar.

–E é perigoso deixar o Naruto sozinho! Alguém precisa ir atrás dele e acalmá-lo.

–Mas Hinata...

–Tchau, Kiba! – a morena disse, já correndo para o meio da pista de dança.

Kiba suspirou de frustração, sabendo que não adiantava nada tentar convencê-la a não ir atrás de Naruto. Em se tratando do Uzumaki, Hinata parecia não conhecer limites.

Conformado, ele voltou sua atenção à Sakura, cuja expressão preocupada parecia uma marca fixa desde que Sasuke se propusera a encontra-la na boate. Kiba podia sentir a dor latejando forte no coração da rosada, que ele sabia guardar tantas memórias.

Pelo visto, Sasuke estava envolto em mais problemas do que todos ousavam suspeitar.

Encostado em uma parede, do outro lado da pista de dança, um homem mexia tranquilamente no celular. Ele havia visto quando a garota Hyuuga encaminhara-se para a mesma direção em que o Uzumaki havia ido, mas nenhum dos dois o havia percebido ali. Talvez, se Naruto o tivesse visto, teria compreendido que não estava errado em achar que ele estava seguindo Hinata, naquela hora, em direção ao banheiro.

O homem sorriu, percebendo que tudo estava se encaminhando como planejado. Discou o número conhecido, logo em seguida colocando o aparelho junto à orelha.

–Alô, chefe? Eles já estão aqui.

Tudo estava quieto no terraço. O único som que se ouvia era o do vento que se espalhava em meio a todas as frestas do local, envolvendo o corpo de Gaara como um abraço. As rajadas bagunçavam seus cabelos, mas ele não se importava. Aquele frio era bom e carregava o cheiro familiar que lhe trazia tantas lembranças, tantos desejos, tanta saudade... Em pé, de braços cruzados, o ruivos ainda se postava atrás de Ino, na intenção de protege-la de qualquer perigo. Mas, para o Sabaku, a maior ameaça à segurança dela era ele mesmo.

Os cabelos de Ino também esvoaçavam, os fios loiros presos em um rabo de cavalo alto, parte da franja chicoteando seu rosto, mas ela parecia não sentir ou não se importar. Tentava, a todo custo, concentrar-se em seu jutso, o que não era nada fácil tendo em vista que, a cada rajada de vento que envolvia sua pele, ela podia sentir o cheiro de Gaara lhe tragando os sentidos. Em certos momentos, parecia que as essências se misturavam no ar, juntando seu cheiro ao dele, e Ino se perguntava se ele podia sentir aquilo também.

Já era difícil o suficiente se concentrar tendo-o por perto; Saber que o vento deixava rastros de Gaara em sua pele e em seus sentidos não era exatamente algo que lhe ajudasse a manter o controle do jutsu.

Os dois aproveitavam o momento silencioso, desfrutando da companhia muda que parecia gritar a necessidade que ambos tinham de estarem juntos. O vento era perigoso e traiçoeiro, mas já que estavam se arriscando tanto, por que não deixar que aquele cheiro lhes invadisse a alma?

Mas aquele momento de quietude foi interrompido pelo barulho de passos pesados na superfície metálica. Gaara suspirou. Será que já os haviam encontrado?

O corpo do ruivo foi tomado pela tensão, enquanto ele se posicionava para o ataque.

Mas ele logo percebeu a cabeleira loira que se erguia pela escada de incêndio e suspirou, aliviado, ao perceber que quem chegava era Naruto.

Ino manteve-se na mesma posição, sem sequer abrir os olhos. Não precisava virar-se para saber que Naruto estava ali; a aura dele era inconfundível, e sua mente, sempre impenetrável. E, apesar de não poder invadir a consciência do loiro, ela sabia que ele estava ali procurando por uma companhia familiar, algum laço restante em que pudesse se agarrar, mesmo que não admitisse.

Sem querer atrapalhar aquele momento, Ino apenas suspirou, concentrando poder, tentando afundar-se na consciência dos outros amigos para não ouvir o que quer que Naruto iria dizer.

–E ai... – o loiro cumprimentou Gaara, que mantinha os olhos fixos em Ino.

O ruivo apenas assentiu. Sua relação com Naruto ainda estava a flor da pele e ele tinha receio de que qualquer atitude sua despertasse novamente o ódio pelo abandono. Gaara sabia bem que aquele era o golpe mais doloroso que alguém poderia desferir em Naruto, e lhe angustiava que tivesse feito aquilo.

Mas não se arrependia. Seu objetivo continuava o mesmo.

–Sasuke está chegando. – falou Naruto, sentando-se distraidamente em um batente, encostando-se na lateral de ferro que se espalhava por toda a extremidade do lugar, provavelmente para evitar acidentes.

–Eu sei. – respondeu, percebendo o olhar surpreso que Naruto lhe lançava — Kiba se comunicou com Ino através do jutsu. – explicou.

O loiro suspirou de desgosto, compreendendo. Logo em seguida, passou as mãos no rosto, impaciente. Incomodava-o que tudo estivesse fora de controle daquela maneira e, o que era pior, não podia fazer nada. Tudo estava mudando rápido demais para que ele pudesse pensar a respeito.

–Você acha que é verdade? – Naruto perguntou, sem olhar para o ruivo, também mantendo o olhar fixo em Ino.

Foi a vez de Gaara suspirar. Quem saberia responder àquela pergunta? Não ele. O Sabaku fracassava em reconhecer seu próprio reflexo no espelho, desde que Sasori se foi. Como poderia saber que tipo de dor ou maldade poderia levar alguém a tirar a vida de seu próprio irmão?

Caminhando lentamente, Gaara se juntou ao loiro, sentando-se no batente, sem tirar os olhos de Ino. O vento balançava os cabelos de todos ali, e o brilho dos fios dourados da Yamanaka lhe confundiam a mente. Conversar seria uma boa maneira de sair do transe que a visão daquela mulher lhe provocava.

–O que você acha? – o Sabaku perguntou, sem querer assumir a responsabilidade daquela resposta.

–Acho que Sasuke é idiota o suficiente pra fazer uma estupidez dessas, mas não contra o próprio mestre. Não contra o próprio irmão. – Naruto ponderou, mas suas palavras eram carregadas de incerteza. Por anos ele achou que conhecia o Uchiha como a palma de sua mão, mas as atitudes do moreno davam-lhe a certeza de que tudo o que viveram juntos, da infância à vida adulta, não passara de uma mentira.

Sem querer estender-se mais naquele assunto delicado, Gaara resolveu mudar o rumo da conversa. Sasuke representava perigo para as emoções de Naruto. E não seria nada bom ver o amigo explodir em uma situação delicada como a em que estavam.

–Cadê a Hinatinha? – perguntou ao loiro.

–No bar, junto com Kiba e Sakura.

–Ah, sim... – Gaara divagou, como se estivesse lembrando de algo – Eles dois estavam feito loucos atrás de vocês. Onde haviam se metido?

Naruto coçou a cabeça, sem querer responder. Não sabia exatamente em que tipo de situação ele e Hinata estavam se envolvendo e tinha receios de que os resultados daquela proximidade não fossem positivos. Além disso, e ele odiava admitir, sabia que sua reação no banheiro havia sido exagerada. Talvez, falar sobre aquilo acabasse por revelar coisas que os outros não precisavam saber.

–Hein? – Gaara insistiu, percebendo o desconforto na expressão de Naruto.

–Ah... nós... – o loiro balbuciou, sem saber como se esquivar das perguntas de Gaara.

O ruivo estreitou os olhos para Naruto.

–O que vocês dois estavam fazendo, Naruto? – o Sabaku questionou, mas sua pergunta parecia mais uma acusação.

–Eu... Bem... Por um instante, achei que um cara estivesse seguindo ela e...

–Seguindo ela pra onde? – Gaara perguntou, preocupado.

–Ela estava indo ao banheiro e...

–Você deixou ela sair sozinha no meio do covil do inimigo, Naruto?! – o ruivo se indignou.

–Eu não tenho culpa, ela saiu que nem uma maluca antes que eu pudesse fazer qualquer coisa! – o Uzumaki se defendeu.

–O que você fez com ela? – Gaara questionou, desconfiado. Para que Hinata tomasse uma atitude imprudente como aquela, o loiro deveria ter feito alguma estupidez. Atitudes estúpidas eram o forte dele, afinal.

–Eu?! Nada!

–Não se faça de idiota, Naruto. Todo mundo já percebeu o que está se passando entre vocês dois. – o ruivo esclareceu, tirando os olhos de Ino e encarando o amigo seriamente.

Mas foi a vez de Naruto desviar o olhar, esforçando-se para não engasgar com a própria saliva.

–Não sei do que você está falando. – o loiro murmurou, contrariado.

–Ah, tenha santa paciência, Naruto. – Gaara reclamou — Tá querendo enganar a quem, cara? Você acha que eu não conheço essa cara de idiota?

–Que cara de idiota?!

–Essa que você faz toda vez que fala da Hinata, ou olha pra ela.

–Você perdeu o juízo, Gaara. – Naruto resmungou, fixando os olhos em Ino, que parecia alheia ao que eles estavam conversando, embora o loiro tivesse certeza de que ela estava perfeitamente ciente de tudo o que se passava ali.

–Então quer dizer que não existe a menor possibilidade de você estar se apaixonando pela Hinata?

Naruto arregalou os olhos, virando-se para encarar Gaara.

–O quê?! – o loiro guinchou.

–Minha pergunta foi clara, Naruto. Você está ou não apaixonado pela Hinata?

–E-e-e-eu... – Naruto gaguejou, sentindo os pensamentos se embaralharem em sua cabeça.

–Por Deus, Naruto, até a mania dela de gaguejar você tá pegando. – o ruivo provocou, exibindo ao amigo uma expressão cômica e um tanto receosa. Não sabia distinguir se aquilo era bom ou ruim para eles. Esperava que nenhum dos dois saísse machucado daquela história.

Mas ele entendia o suficiente de relações complicadas para saber que, no caso de um sentimento tão controverso, era impossível sair ileso.

Indignado, o loiro respirou pesadamente. Que absurdo era aquele que Gaara estava insinuando?

–Eu não estou apaixonado pela Hinata. – Naruto conseguiu dizer, por fim.

–Aham. – o Sabaku estreitou novamente os olhos para Naruto – Vou fingir que acredito.

–Eu não estou! – o loiro se impacientou.

Gaara apenas riu, novamente voltando seu olhar para Ino, que permanecia paralisada em posição de meditação.

Os dois ficaram em silêncio por um minuto, sentindo o vento bagunçar seus cabelos, sem se importar. Por um instante, Naruto teve vontade de sorrir. Aquela situação era tão familiar! Conversar com Gaara daquela maneira, como se ainda fossem irmãos, como se ainda mantivessem os laços que os uniam inalterados, lhe dava uma sensação de que, talvez, nem tudo estivesse perdido.

Mas havia Sasuke.

Será que aquilo era verdade? Será que ele havia matado seu próprio mestre? Seu próprio irmão?

–Espero que consigam achar o Asuma vivo. – o loiro disse, baixinho. Não gostaria de ver mais um dos seus indo embora.

–Eu também. – Gaara concordou, sem saber mais o que dizer.

Os dois voltaram a ficar em silêncio por um instante, encarando a loira, que permanecia de olhos fechados, concentrada.

–Sabe, Naruto... – o ruivo voltou a falar, sem tirar os olhos de Ino – Eu te conheço o suficiente pra saber que você não sabe amar direito. – disse, fingindo não perceber que o amigo suspirava de frustração ao seu lado – E, como seu... amigo e irmão – ele ousou utilizar essas palavras, sem se importar em como Naruto iria reagir a elas – eu preciso te dizer que o amor é uma merda. E que você vai ser um idiota caso se deixe levar pelo que está acontecendo entre você e a Hinata. – falou, as palavras soando ríspidas e duras.

Naruto permaneceu em silêncio, ponderando sobre aquelas palavras. Gaara estava certo.

–Mas... – o ruivo prosseguiu – Você vai ser mais idiota ainda se perder a oportunidade de aprender a amar alguém como ela. – disse, vendo Naruto arregalar os olhos — Hinata pode ser a sua esperança de sobreviver a esse inferno. Se você for idiota o suficiente para se permitir ama-la, pode ser que encontre a felicidade que tanto procura. Você... merece ser feliz.

Atingido pelas palavras de Gaara, Naruto sentia seu cérebro paralisado, como se nenhum pensamento pudesse ser formulado, como se seu raciocínio estivesse congelado. Era difícil abstrair o significado do que o ruivo dizia. Por que ele estava lhe dizendo aquelas coisas?

–Eu não estou apai... – o loiro começou, mas logo foi interrompido.

–Quero que pense nisso. – Gaara disse, antes que o amigo negasse mais uma vez o que estava obvio para todos, menos para ele — Todos nós precisamos de um motivo para continuar sobrevivendo. – continuou — Ela pode ser o seu. Hinatinha é uma boa garota. Não machuque o coração dela.

Não. Naruto não queria pensar em nada daquilo. Havia muita coisa acontecendo em sua vida, muita dor com a qual ele tinha que lidar, muitas memórias, muitas feridas. Sua família separada, seus amigos se afastando, pessoas queridas morrendo, e ele não ousava sequer cogitar o fato de que o aperto que acochava seu coração toda vez em que pensava nos mestres que se iam, um por um, poderia ser o presságio de que seu padrinho corria algum risco. Em meio a todo esse caos, se apaixonar seria loucura. Ele não queria aquilo. Era impossível que aquela garota estivesse mexendo tanto com ele a ponto de despertar-lhe aquele tipo de sentimento.

–Não sei como fazer isso. – Naruto disse, e aquelas palavras pareciam estar saindo de seu coração aparentemente endurecido. Era melhor que tudo continuasse como estava. Aqueles sentimentos eram perigosos.

E, como uma confirmação daqueles pensamentos, Naruto sentiu Kyuubi se agitar em sua mente, presa pelo selo que a mantinha distante.

Gaara riu novamente.

–Você já está fazendo. Só que nem percebe.

–Não estou apaixonado por ela. – Naruto insistiu, teimoso.

–Tudo bem. – Gaara deu de ombros – Se é nisso que quer acreditar.

Naruto ainda quis revidar àquelas palavras, mas antes que pudesse formular qualquer frase, percebeu que alguém se aproximava dali. Os dois ficaram de pé, atentos à chegada do inimigo.

Os passos na superfície de metal da escada de incêndio se tornavam mais audíveis e pesados na medida em que alguém se aproximava.

Mas foi Hinata quem surgiu na superfície do terraço, segurando os fios negros que se bagunçavam com o vento furioso, encarando a figura de Ino de forma curiosa.

Seu coração se encheu de alívio ao perceber que a loira estava bem, guardada pela companhia de Naruto e Gaara, que pareciam estar conversando sem problemas.

–Achei vocês! – ela alarmou, aproximando-se dos dois.

Naruto engoliu em seco, enquanto via a garota caminhando em sua direção, sem saber exatamente o que pensar ou fazer. Sua mente ainda estava paralisada pelas palavras que Gaara havia lhe dito há pouco e ele não fazia ideia de como era possível que seu corpo reagisse daquela maneira pela mera presença de Hinata ao seu lado.

–Está tudo bem? – a morena perguntou, percebendo que Gaara e Naruto pareciam mais pálidos do que o normal.

–Tudo tranquilo, Hinatinha! – o Sabaku respondeu, querendo desviar os olhos preocupados de Hinata do rosto lívido e paralisado de Naruto – O que veio fazer aqui sozinha? É perigoso!

–Eu vim logo atrás do Naruto, mas... acabei... me perdendo. – ela admitiu, sem jeito – Esse lugar tem muitas portas e escadas.

Gaara estreitou os olhos para Naruto, fingindo irritação.

–Viu o que dá deixar a garota sozinha com aquele cachorro mongol? – o ruivo repreendeu o amigo, referindo-se à Kiba.

O loiro manteve-se em silêncio. Não conseguia falar, piscar, respirar. Tudo em seu corpo havia parado de funcionar.

–Naruto, acorda! – Gaara deu um tapa na cabeça do Uzumaki, fazendo-o despertar do transe em que parecia estar.

–Ai! – indignou-se o loiro, fitando Gaara de modo ameaçador – Quer morrer, Areinha?!

–Hinatinha, você não sabe sobre o que Naruto e eu estávamos conversando agorinha... – o ruivo começou, divertindo-se.

–Sobre o quê? – a Hyuuga questionou, inocente.

–Sobre nada! – Naruto reagiu, desejando que um raio atingisse a cabeça de Gaara. Pelo visto, a Akatsuki não o havia mudado em nada. Só não sabia se aquilo era bom ou ruim – O que veio fazer aqui? – perguntou à Hinata, sem tirar os olhos do ruivo, com medo de que ele falasse alguma besteira.

–Eu fiquei... – ela hesitou, confusa, percebendo o clima estranho entre Naruto e Gaara – Eu fiquei preocupada com você. – disse, por fim, sorrindo docemente para o loiro.

Aquelas palavras ecoaram profundamente dentro de Naruto, em um lugar que parecia dormente há muito tempo. O carinho na voz de Hinata despertou algo em sua mente que fez todos os pelos de Kyuubi se eriçarem. Aquela preocupação, aquela ternura... lembravam-lhe dos cuidados do laço mais forte que ele possuía: Jiraya. A verdade da preocupação na voz da morena fez com que o loiro se sentisse novamente bem-vindo em algum coração.

Um arrepio lhe percorreu todo o corpo.

Ele se virou para encará-la, perdendo-se e derretendo-se na doçura do sorriso que ela lhe exibia.

E quando seus olhos encontraram os dela, Naruto sentiu seu coração falhar uma batida.

–Vamos procurar os outros! – disse Hinata, estendendo a mão para o loiro, sem perceber o turbilhão que despertava dentro do peito dele. O vento fazia sua franja negra balançar sobre seus olhos, emoldurando o carinho com o qual ela o fitava.

Hipnotizado, Naruto ergueu fracamente a mão, prestes a render-se. Sua mente paralisada não lhe permitia raciocinar sobre o que estava fazendo, se era seguro ou não. Hinata oferecia-lhe o aconchego e a fuga de que ele tanto precisava, e ele estava disposto a deixar-se levar. Não havia nada que o impedisse de entregar-se à doçura que emanava dela...

–Eu vou com você, Hinatinha! – Gaara alarmou, fazendo Naruto piscar, atônito – Acho que o Naruto precisa pensar em algumas coisas, e alguém precisa ficar e proteger a Ino, então... – o ruivo divagou, querendo atrair a atenção dos dois.

Os olhos perolados voltaram-se para o loiro, demonstrando preocupação.

–Tudo bem, Naruto?

Ele permaneceu em silêncio, fitando-a seriamente.

–Naruto? – ela chamou, receosa.

–Ela tá falando com você, idiota! – disse Gaara, dando outro tapa na cabeça do Uzumaki.

–Ah... – Naruto balbuciou, tentando dar foco aos seus pensamentos – Sim, tudo bem. É melhor você ir com ele. Preciso ficar e... pensar... – falou, confuso, franzindo o cenho.

–Bom... então vamos. – o Sabaku decidiu – Vai descendo a escada, Hinatinha, vou logo atrás de você.

A morena apenas assentiu, fitando o rosto do loiro uma última vez, preocupada. Deu as costas para os amigos, descendo a escada de incêndio com cuidado.

–Ah, merda. – Naruto murmurou, mais consigo mesmo do que com Gaara.

Gaara riu, olhando para o amigo com um misto de alegria e preocupação.

–Você estava certo. – Naruto continuou.

–Sobre o quê? – o ruivo provocou.

–Sobre tudo.

Pelo visto, Naruto seria idiota o suficiente para se deixar envolver pelo sentimento que ganhava cada vez mais terreno dentro dele. Gaara sorriu ainda mais.

–Acho que estou apaixonado pela Hinata. – falou Naruto, as palavras soando como se ele não acreditasse no que dizia.

O ruivo apoiou a mão no ombro do amigo, solidário.

–Bem-vindo ao clube dos idiotas, Naruto!

O Uzumaki permaneceu paralisado, sem conseguir assimilar suas próprias conclusões.

–Quando foi que... quando foi que eu deixei isso acontecer? – questionou, perplexo.

–Foi quando você ensinou ela sorrir daquele jeito. Acredite, aquele tipo de sorriso é um perigo! – Gaara comentou, divertindo-se – Tenho que ir... cuide da loira por mim. – pediu.

Ainda entorpecido pelo choque, Naruto assentiu, vendo o amigo afastar-se e sumir pela escada de incêndio.

Um murmúrio baixo chamou sua atenção, e o fez virar-se para Ino, que, ainda de olhos fechados, apertava os lábios, reprimindo um sorriso.

–Vai rindo, vai. – Naruto resmungou para a loira, mau humorado.

Ela apenas suspirou, tentando concentrar-se novamente em seu jutsu. Como era bom ver sua família, aos poucos, se reunindo novamente!

Para que tudo ficasse perfeito... faltava apenas que encontrassem seu mestre. Vivo.

Shikamaru caminhava lentamente pelos corredores do segundo andar. Tudo estava transcorrendo conforme o plano. Os outros deveriam ficar isolados no primeiro andar e no terraço, para que não se envolvessem com o verdadeiro perigo, enquanto ele e Jiraya seguiam em busca daqueles que mantinham seu mestre como refém.

–Ei, moleque! – alguém gritou.

O Nara se virou, percebendo que, atrás de si, havia cinco brutamontes.

Exatamente como ele havia previsto, os ratos estavam vindo morder a isca na ratoeira.

–E aí... – Shikamaru cumprimentou os inimigos que o encurralavam, posicionando-se para ataca-lo.

Na outra extremidade do segundo andar, Jiraya se movimentava de forma tranquila, sem se preocupar em não chamar atenção. Ele sabia exatamente a quem procurava e não precisava disfarçar sua presença. Muito pelo contrário, ele queria ser notado. Queria que o inimigo viesse até ele.

–Ei! Você, de cabelo branco e espetado! – gritou um homem, que acabava de subir para o segundo andar, com um celular na mão – Você não devia estar aqui. – disse, sorrindo com escárnio.

–Ah, não? Quem disse? – perguntou o mestre, sorrindo de volta.

–Nós. – respondeu um outro homem, que surgiu atrás de Jiraya, acompanhado de mais cinco.

No pulso, todos exibiam o símbolo do jashinismo.

Jiraya sorriu ainda mais. Estava chegando perto.

O mestre apertou o punho cerrado da mão esquerda na palma da mão direita, alargando o sorriso, fazendo o estalo dos ossos de seus dedos soarem por todo o ambiente.

–Ótimo! Eu já estava ansioso para começar a festa de verdade. – ironizou.

–Você não sabe com quem está lidando, velhote. – um dos brutamontes avisou.

–Não interessa quem vocês são. Não vou deixar que machuquem minha família. – respondeu o mestre, sem deixar de sorrir.

E quando os homens avançaram em sua direção, todos de uma vez, Jiraya se preparou para ser nocauteado.

Ino abriu os olhos de repente, assustada. Virou-se imediatamente para Naruto, que parecia cada vez mais absorto em pensamentos desde que chegara a conclusão de que, talvez, estivesse se apaixonando por Hinata.

–Naruto! – ela chamou, os olhos azuis arregalados de confusão e receio.

–O que foi? – o loiro perguntou, preocupado, percebendo a expressão de Ino.

–Eu perdi contato com Shikamaru e Jiraya!

Notas finais
Oi! E aí? Gostaram? Calma, gente... (#medo) Deixem as coisas se resolverem, vai dar tudo certo! (ou não, né :/) Kkkkkkkkkkkkkkkkkk Pois não é que Narutim tava certo em achar que o cara tava seguindo a Hinata? o.O AAAHHH, tretas... *0* O que vocês acharam das revelações NaruHinianas? AAAAEEEEEE, NARUTIM, TAVA PASSANDO DA HORA, NÉ, MEU FILHO? Fala sério, gente, esse jeito birrento do Naruto tá uma fofura. :3 Bem que essa onda de ser idiota apaixonado podia pegar em todos os personagens, né? *0* O que acharam da reaproximação de Gaara e Naruto? E de todo o resto? xD Ah! Um passarinho me contou que no próximo capítulo tem hentai... :9 Então, fiquem espertos! E não deixem de comentar, hein? Lembrem-se que é a opinião de vocês que me deixa desesperada para continuar a escrever xD Então opinem, recomendem a leitura dessa fic aos amigos... O comentário de vocês é muito importante pra mim! E estou muito, MUITO feliz com o resultado positivo que tenho tido com a fic até agora. Vocês, leitores, são minha principal inspiração e motivação! Beijão para os leitores fantasmas, que mesmo não tendo conta no site, acompanham minhas estórias, ou que fazem uma conta só para poder acompanhar melhor *0* Beijão para todos que comentam, desde o primeiro capítulo, para os novos leitores, pra todo esse pessoal maravilhoso que vem até aqui me dizer o quanto gosta dos capítulos... Espero poder contar sempre com a opinião de vocês, viu? Seus lindos! Até o próximo, que deve sair logo, loguinho! E o hentai, hein? Será de que casal? Façam suas apostas! xD Bjks da autora-san ;*