Parallel Lines
1 Além da Realidade
Era uma tarde ensolarada de sábado. Júlia apertava compulsivamente os botões do controle do seu Playstation, massacrando os soldados virtuais inimigos. Os olhos focados, os dedos já tão habituados que se moviam de forma praticamente automática. Enquanto isso, Sarah estava deitada na cama da amiga, rolando de um lado para o outro, imersa em tédio.
Essa era uma situação frequente. Que ela viesse buscar refúgio em sua casa, interrompendo tardes que seriam gastas em frente a televisão e ás vezes trazendo um pouco de aventura consigo. Hoje ele parecia estar com uma certa dificuldade de libertar as duas daquela rotina.
— Vamos fazer algo coisa. – implorou, para a amiga e para si mesma.
— Eu estou fazendo. – respondeu Júlia, sem tirar os olhos da TV.
Sarah apoiou a cabeça nas mãos e observou os personagens na tela.
— O vídeo game pode te dar a ilusão de que você está numa guerra sendo produtiva e sanguinária, mas você continua só estando sentada no chão do seu quarto apertando um monte de botões.
— Isso é suficiente pra mim. – disse, concluindo a frase com um tiro na cabeça de um adversário que estava dando trabalho. Um leve sorriso de satisfação surgiu em seu rosto por um breve momento.
Sarah suspirou, deitou corretamente na cama e passou a encarar o teto. Mas Júlia bem sabia que isso de forma alguma significava desistência. E de fato o silêncio e a possibilidade de concentração total só duraram até o fim da partida atual, que foi o momento escolhido por Sarah para se levantar dramaticamente em um só movimento, os olhos com o brilho de quem acaba de ter uma ideia brilhante.
Júlia saiu do jogo e pôs o controle de lado, já se preparando para o novo projeto. Qualquer que ele fosse, ela não teria muita escolha.
— O que foi? – perguntou para a garota expectante à sua frente.
— Vamos beber.
Júlia não pode conter a surpresa e a apreensão. Mas cuidou de logo mascará-las com o desprezo.
— Sério mesmo?
— Seríssimo. Nunca bebemos juntas e isso precisa acontecer.
A estratégia de fingir superioridade para fugir de uma situação assustadora parecia o certo a usar aqui. Júlia tentou dizer com o olhar o que não consegui articular muito bem. Sarah era a corajosa. Sarah era a inconsequente. Já ela tinha que pensar bem antes de cada passo e evitar qualquer risco.
— E como você espera conseguir álcool, Senhorita Menor de Idade?
— Seduzindo o nosso querido amigo Lucas. – afirmou, como se anunciasse a solução perfeita.
Agora o desprezo no rosto de Júlia era real, e ela procurava pela coisa mais ofensiva que poderia dizer para expressá-lo.
— Não sabia que você era adepta da prostituição.
— Ei! – protestou — Eu só vou pedir um favor para um cara que claramente jamais me diria não porque é apaixonado por mim.
Júlia não pode deixar de sorrir depois dessa demonstração adorável de arrogância. Porque isso era exatamente algo que a Sarah diria.
— Isso que eu chamo de confiança.
— Saber o que as pessoas sentem você é extremamente útil. – disse, como se fosse um filósofo proferindo uma grande pérola de sabedoria. – Agora vai, se arruma. Vamos salvar o sábado.
Júlia voltou o olhar para as roupas que usava. A clássica calça jeans combinada com uma das várias camisetas de banda que coleciona. A escolha do dia era The Cure.
— Assim tá bom já.
Sarah colocou as mãos sobre o rosto.
— Você é um caso perdido.
A praça do bairro. Parcialmente abandonada, nada além de algumas poucas árvores e bancos, com uma quadra gasta no centro, que sem qualquer tipo de equipamento para esportes no fim não era nada além de um retângulo de cimento que os garotos usavam para andar de skate.
E elas não duvidavam que Lucas, o skatista desempregado, estivesse ali. Tendo largado sua faculdade alguns meses atrás, nada a ele restava a não ser passar seus dias na companhia dos amigos igualmente desocupados.
Eles estavam aglomerados fumando ao redor de um banco. Todos alguns anos mais velhas que ela, intimidavam Júlia. Sarah, em toda sua beleza e atitude rebelde, não se deixava abalar pelos olhares indiscretos que eram dirigidos a ela. De uma distância segura, fixou seus olhos verdes em Lucas até que ele notasse sua presença.
Ao vê-la, ele imediatamente se afastou do círculo de amigos e veio até elas. O rosto envolto pelo capuz de moletom em plena luz do dia e o rosto cheio de expectativa. Se conheciam desde pequenos e ele era fascinado por Sarah desde que tinha idade para se interessar em garotas. E claro, nunca teve qualquer tipo de resposta positiva dela, a não ser os frequentes contatos por puro interesse.
— Olha aí, se não é o meu herói. – cumprimentou ela, iniciando o processo.
Lucas mostrou decepção, mas claramente já esperava por aquilo.
— Aguardo ansiosamente o dia em que você vier falar comigo sem precisar de alguma coisa.
— Ora, o que somos nós se não temos nada a oferecer?
Júlia permaneceu calada. O garoto com quem ela brincava quando eram brincava hoje em dia não passava de um estranho.
— Adorei ver seu cabelo laranja de novo, aliás. É a melhor cor.
Sarah era famosa por trocar a cor do cabelo mensalmente. Ela havia acabado de trocar um polêmico verde por sua mais frequente escolha.
— Dizem que é mais fácil subjugar o sexo masculino quando se é uma garota ruiva.
Lucas assentiu.
— De fato, muito efetivo. O que vai querer hoje?
— O de sempre. – respondeu ela, estendendo uma nota.
O garoto pegou e fez sinal para que esperassem. Ele caminhava na direção do supermercado mais próximo.
— Que fácil. – comentou Júlia.
— Homens são fáceis.
Sarah se sentou num banco próximo e a amiga a acompanhou. Logo o garoto voltou com uma sacola, que ela guardou dentro de sua mochila.
— Vão querer companhia para dar um fim nisso aí? – perguntou Lucas, oferecendo sua companhia.
— Quem sabe na próxima.
Rejeitado, porém não abalado por já esperar a resposta, o garoto voltou para junto dos amigos.
— E agora, para onde vamos? – perguntou Júlia, já um pouco mais apreensiva agora que a situação se tornava real.
E de forma alguma foi tranquilizada pelo olhar empolgada que a amiga lhe dirigiu. Naquele momento teve certeza de que a bebida não era a única coisa planejada para o dia. Sarah se levantou, segurou sua mão e disse:
— É só me seguir e confiar em mim.
As duas atravessaram boa parte da cidade. Sem nenhuma pista ainda do destino final, só alguns chutes que eram logo negados pela rota. Logo chegaram no início de um caminho que levava para uma grande elevação. Uma família ou outra podia ser vista subindo por ele. Sarah parou ali e sorriu, os braços estendidos:
— Voilá!
Júlia parecia duvidosa.
— Depois de andar por metade da cidade, você ainda quer que eu suba isso?
— Qual é, hoje é um dia especial, tem que ser num lugar especial.
— Mas o mirante? Hoje é domingo, tá cheio de gente. Não parece o lugar mais seguro pra duas menores de idade encherem a cara ilegalmente.
Sarah apoiou a testa numa das mãos e apontou a palma da outra na direção de Júlia, adotando uma expressão solene.
— Muita calma, não subestime. Eu conheço o esconderijo perfeito.
Júlia desistiu de protestar e as duas subiram o longo caminho até o topo. Uma plataforma, cercada de um lado por um muro baixo e do outro por árvores e pedras ainda mais altas. Ela já tinha estado lá muitas vezes, mas a visão nunca deixava de impressionar. Dali era possível ver toda a extensão da praia e boa parte do centro da cidade.
Já era fim de tarde, e Sarah a guiou na direção das árvores. Não parecia haver nada lá além de uma parede de rochas, mas ela conhecia caminhos que Júlia nunca imaginara existirem. Muito bem escondido pelas árvores, havia uma forma de chegar do outro lado do mirante. Era possível chegar à uma pequena saliência de rochas, com visão para o outro lado da cidade.
A visão inesperada tirou o fôlego de Júlia, que apesar de não ter o mar para embelezá-la, mostrava todas as cores do pôr do sol.
— Uau. – soltou, quase que involuntariamente.
Sarah sorriu satisfeita, se sentando no chão.
— Demais, né?
Foi então que Júlia percebeu o quão alto elas estavam. E o quão pequeno era a rocha que as separava da queda, sem qualquer tipo de proteção. O medo subiu e ela olhou incrédula para a amiga sentada tão perto da borda, tirando da mochila uma garrafa de líquido escuro e marca desconhecida.
— É sério que você quer beber aqui?— perguntou Júlia, se recusando a sentar.
— Claro, é o melhor lugar possível. – respondeu Sarah tranquilamente, abrindo a garrafa.
— Você quer perder a coordenação perto de uma queda quase certamente fatal?
— Sim, assim é muito mais empolgante.
Sarah deu um gole e estendeu os braços para a paisagem como que demonstrando uma verdade absoluta. Júlia levantou as sobrancelhas em desaprovação. Ela abaixou a garrafa e resolveu adotar uma atitude mais compreensiva.
— Ei, é brincadeira. É só uma garrafa, e isso é fraco, você não vai, sei lá, perder os sentidos. Tá tudo bem.
Júlia se conformou e sentou ao seu lado, ainda um pouco hesitante. Sarah estendeu a garrafa.
— Bom, se já chegamos tão longe, vamos lá. – disse, sentando-se ao lado da amiga e pegando a garrafa.
— Esse é o espírito. – aprovou Sarah, levantando o polegar.
Júlia olhou duvidosa para o conteúdo da garrafa. Mas já era tarde para voltar atrás. Fechou os olhos e tomou um gole. Era absurdamente doce, o que no entanto não disfarçava em nada o gosto de álcool.
— O que raios é isso? – perguntou, examinado a embalagem.
— Hmmm – Sarah cruzou os braços, pensativa. — É tipo um vinho. Mas não é vinho.
— Bom, é péssimo, o que quer que seja. – disse Júlia, passando a garrafa adiante.
— Ei, ter gosto bom está longe de ser o propósito aqui.
Ela deu mais um gole e abaixou a garrafa com a expressão satisfeita de quem não deixaria o gosto lhe abalar. Devolveu a garrafa em tom de desafio. Júlia continuou bebendo. Aos poucos se acostumava com o sabor. Não pode deixar de reparar no quão pouco Sarah tinha consumido, numa clara tentativa de fazer com que ela bebesse uma proporção maior.
Bom, esse era o evento do dia afinal. O que ela esperava que acontecesse quando estivesse embriagada? O que poderia ser tão diferente? De preferência, nada que a fizesse cair do penhasco.
Ficaram caladas por alguns minutos, só passando a garrafa entre si e admirando o sol desaparecer por trás da cidade. As cores rosadas eram substituídas pela escuridão. No breu, as luzes das casas se acendendo combinadas com o céu cheio de estrelas não deixavam de ser seu próprio espetáculo.
— Sentindo algo diferente?
Absorta na paisagem, ficou até um pouco surpresa com a pergunta. Virou o rosto na direção da amiga e foi então que sentiu.
— Sim. O mundo está meio... Em câmera lenta.
Sarah riu.
— Uau, você é bem fraca.
— E você não?
— De jeito nenhum, eu tô 100%. – respondeu gesticulando, para demonstrar sua total coordenação.
— Lógico, quando você devolve a garrafa a quantidade mal diminuiu. – acusou Júlia, empurrando a garrafa de volta pra ela.
— Ei, hoje é a sua festa. Aliás, alguém tem que te impedir de cair do penhasco.
O mundo estava lento e nublado como um vídeo fora de foco. Uma atmosfera irreal. Um sono compulsivo começava a atingi-la. Era esse o efeito? Pensou nas pessoas que ficavam super alegres e escandalosas, ou mal-humoradas e agressivas. Ela não estava perto de nenhum dos dois. Só estava com sono. E se sentia dentro de um sonho, como se nada ao seu redor fosse real e ela pudesse despertar a qualquer momento.
Restavam dois dedos de líquido na garrafa. Sarah não perdeu a oportunidade de lançar o desafio:
— Vai, mata.
Júlia acertou prontamente. A embriaguez havia acabado com qualquer tipo de protesto. E afinal, aquele sensação era até agradável. Como estar em um sonho mesmo, num lugar além da realidade. Sarah até aplaudiu.
— Que orgulho cara. – afirmou Sarah, triunfante. – Bom, nisso eu cumpri a missão de conseguir mais uma das suas primeiras vezes. Sou o primeiro ser humano a presenciar a Júlia bêbada, além de ser tudo graças a mim.
— Achei que estar bêbada teria mais a ver com querer loucamente pular do penhasco. Ou rir de qualquer coisa.
Mas foi Sarah quem começou a rir.
— O que foi?
— Não dá pra entender quase nada do que você está falando. Você tá tipo, murmurando.
— Que droga.
— Tipo, eu achei que o álcool ia te deixar mais extrovertida, mas acho que sei lá, piorou.
— Vai se ferrar, álcool.
Júlia pontuou essa frase com um tapa na garrafa vazia. Ela não soube controlar a força com que fez isso, e a garrafa caiu penhasco abaixo. A expressão exagerada de choque de Júlia só prolongou o riso de Sarah.
— Parabéns, talvez você tenha assassinado um turista montanhês.
Júlia ainda estava entre a vergonha e a surpresa, mas não pode
— Não tem nada tão engraçado aqui a não ser que você esteja rindo de si mesma.
— Talvez eu esteja.
— Parabéns, você fica idiota quando bebe.
— Achei que fosse assim com todo mundo.
— Eu não, eu me torno o ser mais animado de todas as festas. Quero fazer tudo, quero falar com todo mundo.
Júlia se deitou na rocha, encarando as estrelas.
— Isso é muito injusto.
— O quê? – perguntou Sarah, se deitando ao seu lado, o rosto na direção da amiga.
— Eu estar bêbada e você não.
— Outro dia a gente faz isso. Hoje eu prefiro te levar pra casa sã e salva.
Júlia parecia hipnotizada pelas estrelas agora. Parecia tão encantada e perdida em sua própria mente que parecia um pecado interrompê-la. Mais um momento de silêncio se instalou entre as duas, até Sarah acabar por quebra-lo:
— Ei.
Júlia, de volta ao momento presente, virou o rosto pra ela. Agora consciente do quão perto ela estava. Podia sentir a respiração dela atingindo seu rosto.
— Oi.
Sarah ria de novo. Júlia mal conseguia adivinhar o porque. Nenhuma das duas fez nenhuma menção de se afastar ou mudar de posição. Mas uma sensação estranha surgia em Júlia. Um nervosismo. Não conseguia manter o olhar de Sarah, nem conseguia desviar dele por muito tempo. Porque o dela estava fixo e focado.
— Ei.
Uma pausa. Júlia não respondeu dessa vez. Só esperou.
— Posso levar mais um dos seus primeiros?
Tendo somente uma vaga ideia do que poderia ser, Júlia não chegou a responder. Sarah nem lhe deu tempo pra isso. Atravessou os poucos centímetros que as separavam e a beijou.
Júlia não sabia como reagir ou continuar e já havia perdido todo o senso de realidade. Não havia por que lutar contra, porém o que fazer?
Sentiu os dedos de Sarah passando lentamente pelos seus cabelos até a mão pousar em sua nuca, trazendo a para perto e puxando suavemente os fios. Sentiu os arrepios. Ela nunca conhecera sensação parecida, então fez o que lhe pareceu natural e envolveu Sarah com o braço livre, aproximando-a de si.
Agora os corpos se uniam também. O calor se espalhava e os lábios se entreabriam. Júlia passou a reagir mais rapidamente. Algo dentro de si parecia saber o que fazer. O que queria.
Sarah então afasta o rosto. Observa o rosto confuso e perdido de Júlia e então começa a rir. Júlia ruboriza e logo começa a sentir medo. De ter feito algo errado. De ter levado a sério demais uma piada.
— Jesus, você é horrível nisso. – comentou por fim Sarah, cessando as risadas, mas ainda em tom brincalhão.
Então ela tinha mesmo feito algo errado. Estava envergonhada demais para conseguir responder. Se virou de costas pra esconder sua frustração.
— Ei, volta aqui! – chamou Sarah, abraçando-a por trás. – Eu não quero te deixar desconfortável, eu quero ajudar.
Ao não receber nenhum tipo de resposta de Júlia, ela pousou os lábios em seu pescoço, um pouco abaixo da orelha. O efeito foi instantâneo. Júlia reprimiu um gemido. A sensação tinha sido mais intensa até do que o beijo em si. Sarah se aproximou para sussurrar em seu ouvido:
— Você vai rápido demais. Tem que ser lento. Tem que ir aos poucos.
Enquanto falava, sua mão passeava pelo parte frontal do torso de Júlia, encontrando o espaço entre a pele e a camiseta e subindo até pousar sobre um de seus seios. Alternou beijos no pescoço com leves apertos e isso foi mais do que o suficiente para Júlia se virar em sua direção novamente.
Sarah beijou-a de novo, quase que em câmera lenta. Júlia correspondeu na mesma velocidade e achou ter começado a entender. Lábios mais lentos, dedos traçando com cuidado padrões na pele exposta. Tudo em sintonia com a irrealidade que rodeava seu cérebro e muito mais bem apreciado.
Por isso não pode segurar uma certa decepção quando, ao se afastar, Sarah estava rindo de novo.
— O que eu fiz de errado agora?
Sarah deu um breve sorriso e a abraçou.
— Nada. Foi ótimo.
O abraço pareceu à Júlia comunicar muito mais do que qualquer uma das coisas anteriores. Uma intimidade mais profunda. Sua mente embriagada estava longe de conseguir captar a mensagem, mas tentou absorver o momento o melhor possível.
Depois de uma momentânea eternidade, Sarah soltou-a e disse:
— Vamos lá, temos que voltar. Está tarde.
Tirar uma Júlia embriagada dali não foi uma tarefa fácil. Muito menos descer todo o caminho até a base do mirante. Houveram alguns tombos inofensivos, várias reclamações e muitas risadas. A caminhada foi em sua maioria silenciosa, mas havia algo de mágico no ar. O caminho foi longo o suficiente para que ambas estivessem razoavelmente apresentáveis ao chegar em casa sem que os pais tivessem algo do que desconfiar.
Ao deixa-la na porta de casa, Sarah se despediu com um selinho. E pareceu diferente para Júlia, ali, longe da solidão do esconderijo no mirante e já um pouco mais sóbria. Sentiu o rubor chegando e não soube olhar nos olhos dela, nem responder sua despedida. Aquilo já era muito perto da realidade.
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