Paradoxo Temporal
7 Um reencontro nada agradável
- Sakata Ginmaru – o Amanto com cara de furão disse sorridente. – Eu lhe apresento o nosso “Carrasco”... O lendário Shiroyasha, o Demônio Branco!
A surpresa tomou conta de todos ali. Não só de Ginmaru e Katsura, como também de Gintoki, Shinpachi e Kagura. Estavam frente a frente com o Shiroyasha. Este obviamente era Gintoki, com vinte anos a mais na bagagem e algumas poucas linhas extras de expressão.
O Yorozuya fitou seu alter-ego mais velho. Era como se ele o remetesse ao seu passado, que procurava ocultar por trás da sua atual imagem. Por que ele estava agindo sob ordens de um trio de Amantos patéticos? Isso nunca fora do seu feitio.
Sempre fora uma fera indomável... Então, por que seu outro “eu” se deixava ser domesticado por aquele trio de trouxas?
Gintoki se conhecia bem demais para perceber que alguma coisa ali não fazia o menor sentido. Porém, o Yorozuya pressentia que Ginmaru poderia não ser páreo para seu alter-ego mais velho.
Pesava contra o jovem a pouca idade, o tamanho da experiência decorrente disso, sua condição física e a falta de açúcares em seu organismo. E não se sabia qual seria a real habilidade de seu adversário.
Instintivamente, levou a mão à espada de madeira que estava no seu cinto, mas seu movimento foi interrompido.
- Nem pense em entrar na briga. – Ginmaru disse. – É a mim que eles querem, então é a mim que eles terão. Zura – disse ao líder Joui sem se virar. – Cadê a minha katana?
Katsura passou para Ginmaru o que este queria. O jovem se colocou em posição de combate, enquanto o Yorozuya analisava os seus movimentos. Apesar da idade, o jovem albino poderia surpreender.
Ginmaru partiu primeiro para o ataque, mas o Shiroyasha se esquivou facilmente. O jovem não se deixou abater e atacou novamente, mas sua katana foi bloqueada pela katana do Demônio Branco. Colocou força em sua lâmina para sair daquele bloqueio, porém não conseguia. Seu adversário tinha muito mais força física.
O albino mais velho dirigiu seu olhar gélido – apesar dos olhos de cor vermelha – para o rapaz. Ginmaru logo percebeu o ar de desdém que recebia, diferente do olhar preocupado de dez anos atrás. Seria aquele realmente o seu pai, que desaparecera e, depois de todo esse tempo, reaparecia?
Não se parecia em nada com o Shiroyasha que havia desaparecido dez anos antes. Mesmo sendo idêntico, não agia como o seu alter-ego vinte anos mais jovem. Pelo menos o que notou do Yorozuya do passado lembrava seu pai.
O bloqueio do Shiroyasha se desfez e ele partiu ao primeiro ataque, que Ginmaru conseguiu deter com dificuldade graças à sua katana. Uma forte dor tomou conta de todo o seu braço direito, fazendo com que sua mão quase soltasse a espada. Porém, isso não ocorreu, pois com a mão esquerda segurou a lâmina para que sua defesa não cedesse.
- Droga...! – Ginmaru murmurou. – Deste jeito vou perder...!
Rapidamente, trocou de mão a empunhadura da espada. Desta vez não usava a mão direita, mas sim a esquerda. Diante disse, dificultou a luta para seu adversário e surpreendeu não só a ele, como a Gintoki, que não imaginava que o rapaz poderia ser ambidestro.
Com um golpe, Ginmaru conseguiu fazer com que o Demônio Branco ficasse na defensiva. Agora era minar a defesa, até que encontrasse a guarda baixa. Mas seu plano improvisado acabou indo por água abaixo, quando em um dos ataques foi atingido pela espada de seu adversário, bem no lado esquerdo do abdome, logo abaixo das costelas. A forte dor o obrigou a se curvar e levar a mão ao ferimento, abrindo de vez a sua defesa, no que recebeu mais um golpe: um corte profundo no peito.
- GINMARU!!
O Yorozuya correu para bloquear o golpe seguinte de seu alter-ego com sua espada de madeira, pois temia que o pior acontecesse, enquanto Katsura pegou a katana do jovem ferido e tentou contra-atacar o “Carrasco”. Mas este, com um único movimento e um golpe potente com sua espada, arrancou a katana das mãos do líder Joui. Em seguida, embainhou sua espada após receber a ordem do Amanto com cara de furão.
- Já é o bastante, Shiroyasha. – o Amanto disse. – Vamos embora, esse moleque já recebeu o que merecia.
Quando os três Amantos e o homem de branco viraram as costas, ouviram uma voz fraca:
- Shiroyasha...! – era Ginmaru. – Não pense que esta luta acabou aqui... Vou querer uma revanche... Daqui a dois dias...!
O rapaz estava em pé por pura teimosia, segurando em vão o sangue que escorria do primeiro ferimento e pingava abundantemente no chão, formando uma pequena poça. Gintoki logo protestou:
- Tá maluco, pirralho? Em dois dias você ainda não vai ter condição pra isso!!
- Então vai ser dentro de três dias...! – Ginmaru respondeu.
O Shiroyasha, sem se virar, perguntou:
- Onde vai ser?
- No mesmo local onde houve a Primeira e a Segunda Guerra Anti-Amanto. Você sabe onde é, certo...?
- Horário?
- O mesmo de hoje... Nem um minuto a mais... Nem um minuto a menos...! Eu vou te mostrar do que um Sakata é capaz...!
- Feito. Não gosto de serviços inacabados. E não vou deixar este sem terminar.
Nisso, ele e os três Amantos se foram. Ginmaru logo desmaiou, sendo apoiado por um perplexo Gintoki. Também compartilhavam da mesma perplexidade Shinpachi e Kagura. O único que já não estava tão estupefato assim era Katsura. Ele ficara surpreso no começo, mas parecia saber de algo a mais.
Pela sua longa amizade com o líder Joui, Gintoki logo percebeu isso.
- Zura – questionou enquanto amparava um inconsciente Ginmaru. – Você já sabia disso, não sabia?
- Do que está falando, Gintoki?
- Não se faça de imbecil, Zura!! Você sabe muito bem do que tô falando! Você sabia que meu outro eu era um assassino, não sabia?
- Eu vou explicar tudo no momento oportuno, Gintoki. – Katsura respondeu tentando manter a calma. – Primeiro temos que cuidar do Ginmaru.
- Essa sua enrolação já tá me dando nos nervos! Juro que, se você não me explicar tudo o que sabe, eu arranco de você à força!
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