Paradoxo
21 Perdoname
Betty ao sair daquela sala sentia-se praticamente destruída, era como se tudo o que havia vivido com Armando fosse uma grande mentira, uma brincadeira, em que ela apenas saia machucada toda vez que ele achasse outra para "brincar". Tentava esquecer para não se mostrar triste frente aos outros. Até do quartel teve que se esquivar, elas queriam saber sobre a modelo e o chefe que ficaram um bom tempo trancados na sala sozinhos.
Tentava inutilmente fugir dos pedidos de desculpa de Armando que vieram a seguir, devia ser forte. Não iria se prostrar frente a ele, já bastava o quanto sentia-se triste. O evitava em todas as suas muitas investidas para puxar assunto, falando apenas o necessário.
Enquanto ela o ignorava, ele sabia que deveria insistir, foi muito rude com ela, devia ao menos se desculpar. E Mário que também percebeu o clima estranho entre os dois, aconselhou o amigo a fazer algo a respeito. Mas Armando tinha que dar um tempo para ela se acalmar.
Ela já estava em sua sala quando Catalina entrou na sua salinha.
"Bom dia, Betty."
"Bom dia, dona Catalina. Como vai?" ela respondeu educadamente.
"Bem, obrigada. Olha, eu trouxe as cotações dos locais que ficaram para usar no próximo lançamento."
"Muito obrigada" e voltou-se para os papéis que a mulher trouxe, ela percebeu que Betty estava estranha, por isso perguntou:
"Betty está tudo bem?"
"Sim" Betty respondeu com um sorriso fraco, sem ao menos olhar nos olhos de Catalina. Mas para evitar falatório inventou uma desculpa "estou estressada, muito trabalho, e também tenho que preparar um relatório de custos."
"Você quer ir a uma exposição?"
"Eu?" Betty mal acreditou, provavelmente porque ultimamente as pessoas costumavam apenas a fazerem se sentir mal.
"Sim, você Betty. Estou organizando algo especial para essa noite no Museu Nacional para um grupo da Ecomoda. E gostaria que você fosse."
"Eu adoraria. Não sei se pro seu Armando. Acontece que eu tenho muito trabalho.Ele me mata se eu não entregar isso hoje."
"Seria uma pena se a pessoa aqui que parece ter mais jeito para isso perdesse."
"Mas se tiver um tempo livre eu vou ver."
"Ai Betty, Se algum dia o Armando se matar, ele teria que se suicidar! Vou deixar o convite aqui. Te vejo lá!"
"Obrigada pelo convite!" ela falou enquanto Catalina saia da sala, ficou olhando para o papel falando sobre a exposição dos quadros de Picasso.
Na sala da presidência, Catalina tentava convencer Armando para liberar Betty e os outros empregados para uma exposição que estava organizando com as obras de Picasso, ele teve um flash de memória, como se lembrasse que Betty estava fugindo dele num espaço muito parecido com o Museu Nacional.
"Ah é,Cata, e onde vai ser?"
"No Museu Nacional." Armando engoliu seco, como ele podia saber se nunca esteve numa situação como aquela, de verdade?
"É bom que deixe eles livre, pois levarei todos eles."
"aram" ele ainda estava desconcertado.
"As cotações estão com a Betty, tchau Armando."
"tchau, tchau"
Ela saiu da sala o deixando a sós com seus pensamentos, aquilo definitivamente era muito estranho para ele. Pouco depois Mário entra na sala perguntando se Betty havia dado algum sinal de vida.
"Nenhum" ele respondeu triste "continua fechada e misteriosa."
"Eu acho que você não deve deixar isso avançar muito, precisa fazer algo." ele nem havia terminado de falar e Marcela entrou rapidamente na presidencia, ainda com ar de raiva disse
"Acabaram de me ligar de Palm Beach, amanhã irão inaugurar a filial de lá."
"Amanhã?" Armando sabia que aquilo significaria que ficaria longe de Betty para viajar.
"Porque está tão estranho?"
"Eu... eu não me lembrava."
"Ah não se lembrava? E também não se lembra que precisa pagar 126 mil dólares para que nos entreguem?" Ele realmente não se lembrava, não sabia o que dizer. Só podia ter que confirmar com sua assistente, a chamou calmamente.
"Sim, doutor?" ela respondeu baixo enquanto chegava na presidência.
"Está lembrada que amanhã irão nos entregar a loja de Palm Beach?"
"Claro que sim." ela respondeu dura, surpreendendo Mário e o chefe,que sabiam por que ela estava assim. "e temos que depositar 26 mil dólares que estão faltando na negociação."
Armando apenas lembrava vagamente sobre a loja em Palm Beach, sabia que não podia perder esse ponto de vendas e que precisava ir para lá divulgar a nova coleção.
Grossa, Marcela praticamente gritou que Beatriz tinha que comprar três passagens para o Estados Unidos. Ela apenas ouviu e indiferente. voltou para sua sala. Enraivecida, Marcela também saiu fora da presidência.
"Receio que terá que ir conosco, querido presidente."
"Me deixa em paz Mário!"
A noite chegou, Beatriz pode terminar de fazer seu relatório. Ainda entristecida pelo acontecido, que só ressaltou mais uma vez o quanto sentia-se um estorvo e inútil na vida das outras pessoas. Evitou ao máximo, Armando, falando apenas o indispensável, como no resto do dia, que sentia ser praticamente ignorado por ela; Seguiu com o quartel, sem falar muitas palavras, para o Museu Nacional. Precisava se distrair,
Ainda na presidência, Armando sozinho tinha o pensamento fixo em Betty, tinha quase certeza que ela iria ver a exposição, tinha que conversar com ela. Esclarecer o que houve e pedir desculpas.E devia ser um lugar calmo em que ela não tivesse como fugir. Lembrou-se do apartamento do Calderón, mas se questionava se seria uma boa ideia. Era o melhor, por enquanto. Ligou para a sala do vice-presidente para pedir as chaves do apartamento, a missão foi dada: Conquistar o perdão de Betty.
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