Notas iniciais
A razão de haver este paradoxo: Amor.

Eles ainda estavam abraçados, apenas aproveitando a companhia um do outro. Mas estava tarde, Armando devia voltar para seu apartamento. Queria ficar mais com Betty. No entanto, sabia que a noiva estaria furiosa a sua espera.

"No que está pensando, doutor?" ela perguntou, fazendo um carinho leve em seu rosto

"Em você." ela ficou um pouco envergonhada, mas pode sentir sua auto estima subir. Como alguém podia ama-la tão intensamente? E o melhor, era ama-la tanto quanto o amava.

"Sabe, doutor, nunca me senti tão amada, antes. Nem quando..."

"Nem quando, o que, Betty?"

"Ér, é melhor não falarmos sobre isso. Está muito bom ficar aqui, mas devemos ir. Infelizmente." Ela tentou mudar de assunto, por mais que não quisesse deixa-lo ir.

"Eu não quero ir." ele falou inconformado."Agora, não muda de assunto, me responde."

"Não, doutor, é melhor não tocar neste assunto." ele sentiu ela tensa, mas não podia ficar sem saber, tinha ficado curioso, até mesmo por ter mexido com ela tanto, apenas por tocar no assunto.

" Eu insisto."

"Não, doutor."

"Betty, me conta!" ele falou calmamente para convence-la.

"Essa não é uma história muito agradável" e contou a história que marcou sua vida, que a incentivou a esquecer de vez que podia ser amada um dia.

Sem esquecer os detalhes, contou desde a primeira vez que conheceu um rapaz, com os vizinhos. Foi apresentada a ele, e de como se aproximou dela. Aos poucos se tornou parte do cotidiano de Beatriz. Seus presentes, pequenas lembrancinhas que a tocavam cada vez que recebia um, sentia-se unica.

Com o passar do tempo, se apaixonar. Foi inevitável, como não retribuir? Miguel era o melhor homem do mundo, gentil, cavalheiro e carinhoso. Começaram a namorar.

Seu sonho se tornava realidade e seu pesadelo estava mais próximo do que podia imaginar. Ele pedia para que confirmassem seu amor dando a maior prova que poderia dar, que fizessem amor.

A principio ela resistiu, claro, e se seu pai descobrisse? Mas Miguel a amava tanto, porque não? Ela tinha medo, e se não soubesse? E se não desse nada certo? Não ser verdade nunca foi opção, talvez seja por confiar que tenha doído mais.

Se amaram, ela o amou pela primeira vez. Depois daquele dia ele nunca mais apareceu na sua casa, não lhe trouxe presentes, nem fazia visitas para perguntar como estava. Ele desapareceu.

Alguns dias depois descobriu o que realmente aconteceu, ele havia a usado.

Armando ouvia cada palavra atentamente, estava irado, como alguém podia fazer aquilo a ela? Para ele, um anjo.

"Não, Betty. para!"

"O que, doutor?" Ela questionou estranhando a reação dele. Ele havia insistido e agora parecia ter sofrido como ela quando descobriu a verdade, que Miguel fizera uma aposta para ter Betty, e a teve.

"Betty, não precisa continuar." Ele se levantou do sofá aparentemente confuso, não sabia se passava a mão pelos cabelos ou se permitia vestir. Ela o acompanhou, se vestiu. Enquanto ele ainda estava surpreso.

"Me diz que ele não usou você em uma aposta?"

"Como o senhor sabe. doutor?"

Ele levou as mãos à boca, como ele sabia daquilo? Pensou que fosse apenas dedução.

"Me responda, doutor, como o senhor sabe disso?"

Ele não conseguia responder, quer dizer que tudo estava acontecendo como antes? Como no sonho. Será que ele perderia Betty outra vez? Não suportaria, sem dúvida, não suportaria.

"Doutor? Doutor?"

Ele saiu de seus devaneios, não poderia perde-la.

"Ele me usou para ganhar dinheiro. -- com a feia do bairro. Ele aceitou a aposta, gastou o tempo dele me conquistando e depois me seduzindo. Ele e o Roman brincaram comigo. E eu não percebi, fui uma imbecil. Como não desconfiei? Afinal eles estavam sempre juntos, conversando, discutindo. Claro, estavam fazendo uma aposta em cima de mim, estavam planejando me humilhar. Eles me destruíram, doutor. Eu quase morri."

"Pelo amor de Deus, Betty, como pode haver gente tão miserável."

"Me desculpe doutor, eu não queria lhe contar."

"Olha, Betty, me ouça, eles não valem a pena. Eu, eu sinto muito. E antes de tudo, saiba que eu te amo como nunca amei ninguém antes, e que tudo isso começou por acaso, mas hoje eu te amo, te amo muito."

Ele falou com lágrimas nos olhos e a abraçou.

"Me desculpe, doutor, eu só não quero voltar a viver esse pesadelo tão horrível."

"Não, Betty, você tem razão. Eu ... eu..." ele não conseguiu terminar a frase, estava chorando.

"Doutor, porque está assim?"

"Por você, Betty. Como alguém pode fazer isso com você? " Ainda alterado falou. "Olha, é melhor irmos, eu preciso ir para o apartamento arrumar minhas malas.

Ela saiu de sua visão, foi até o banheiro se arrumar, Ele ainda descrente de que tudo acontecia novamente. Não queria fazer Betty sofrer, mas precisava de um tempo para pensar em tudo, sabia que segundo o sonho, ela estava próxima de descobrir a verdade. Enquanto pensava ouviu seu telefone tocar. Era Marcela.

"Oi, meu amor, ainda está com a Beatriz?"

"Não, não. sim, Estou indo pro meu apartamento assim que eu acabar. "

"Está tudo bem?"

"Sim, está só um pouco corrido por causa da viagem."

E desligou na cara de Marcela.

Após terminar de falar, Betty chegou e saíram em direção a garagem. Ele iria leva-la em casa e depois necessitava de um tempo.

Durante todo o trajeto ela ficou deitada sobre seu ombro. Era tão bom te-lo.

"Chegamos."

"Obrigada por tudo, doutor. Foi muito lindo,

"Pra mim também foi, de verdade.'

"Espero que o que lhe contei não vá afetar ou mudar a visão que tem de mim."

"Jamais, Betty."

"Até amanhã, doutor." e o beijou.

"Até amanhã e durma bem."

"Dormir não, sonhar" ela riu, sua felicidade era visível. Ele estava a fazendo feliz. Mas ela nem tinha ideia de como tudo aquilo começou. Era um sonho agora, mas ele sabia como errou ao entrar naquele maldito plano de Calderón para manter a empresa.

Ele a viu entrando na sua casa e permaneceu ali ainda um pouco mais. Não iria para sua casa, queria falar com Calderón, mas ele devia estar ocupado. Só tinha a opção de ir para seu apartamento.

Bares estariam fechados aquela hora. Só podia ir para bem longe, e pensar.

Ele não a merecia, ela era a mais especial com ele e fazia o sentir-se assim. Era incrível a sua capacidade de amar. Pobre Betty, ele pensava, mal sabia que tudo começou com um jogo. Mas foi se tornando muito sério, passou a ama-la. Sentir falta de sua presença e seu sorriso sincero. Sua lealdade, como se dedicava tanto por ele.

Ainda em seu carro, pegou um bloco de notas que estava no porta luvas e com uma caneta que estava ali perto escreveu a primeira coisa que lhe vinha a mente, e se tratava de Beatriz Pizón Solano:

Minha Betty,

Mais uma vez, eu te magoei, eu sinto muito. Tive a chance de mudar isso e faze-la feliz. No entanto, não aproveitei.

Gostaria que você soubesse, eu me apaixonei sem querer, de verdade, era quando menos eu esperava. Acho que foi seu jeito, sua forma de ser: tão Betty. Não seu corpo, sua beleza, mas seu coração.

Me apaixonei de verdade, mesmo que não acreditem em mim.

Não sou perfeito e nunca quis fazer nada a você. Aceitei fazer coisas erradas mas eu tenho que te dizer mais uma vez: eu te amo, Beatriz, como nunca amei ninguém. Você foi a razão para eu mudar quem eu era. A razão para eu tentar tudo de novo, e mais uma vez eu falhei.

Gostaria de estar com você o resto da minha vida, mas não a mereço. Queria que um dia você entendesse que mesmo que se repita mil vezes, mil vezes a amei, e continuarei amando,

seu Armando.

Notas finais
Desculpem a demora, foi difícil começar a escrever, mas está ai. Estava cheia de atividades para fazer, e é um momento decisivo para a fic, está chegando ao final e não decidi que rumo tomará ainda, o que acham? Deixem a opinião de vocês.