Após desligar o telefone, deveria pedir a Nícolas um relatório da Terramoda e dos investimentos feitos na Bolsa, fez uma nota mental disto. Olhou em volta, teria muito trabalho como presente de aniversário.mas o melhor estaria por vir, a noite seria dela.

Lembrou das palavras de Armando, ultimamente está tão doce com ela, fazendo com que se sinta mais especial. Mesmo que fosse preciso correr perigo de ser descobertos, para estar com ele, ela faria tudo.

Ouve o telefone da sala de Armando tocando e sendo atendido rapidamente. Também pôde ouvir a porta sendo aberta e fechada.

"O que quer, Calderón?" Armando fala já entrando na sala e fechando a porta em seguida.

"Ora, meu amigo. Quero saber o que você falou pra monstrinho!" ele diz com sua ironia de sempre e em resposta do amigo, ganha uma cara feia, mas cedendo, Armando senta na cadeira em frente à mesa.

"Chamei ela para sair, hoje a noite."

"E onde pretende leva-la? Num lugar escondido ou vai tira-la da toca e leva-la a um restaurante normal?"

"Bom, ainda não sei. Acho que primeiro a um restaurante."

"Lembre-se que você tem que deixa-la em suas mãos, não se esqueça de fazer horror com ela, hoje é a noite!"

"Não seja ridículo, Calderón!" Armando fala cerrando os punhos e o tenta se acalma olhando para outro lugar, e como se perdesse no tempo, olhando para o nada, os benditos flashs de memória lhe veem novamente à cabeça. Como se já houvesse acontecido em algum momento de sua vida, por serem tão reais. Podia lembrar de Betty à sua frente entristecida. E de como foi consola-la. Acabando por toma-la em seus braços e na escuridão do quarto, se amando pela primeira vez.

"Eu vou fazer dela a mulher mais feliz deste mundo!" Ele disse com convicção.

"É assim que se fala irmão!"

"Eu to falando sério, Calderón."

"Eu sei, eu sei, Mas faça isso mesmo. Você é o homem mais corajoso que conheço, sabia? Ah, mas antes de qualquer coisa, tome uns embelezadores!"

"Ah, não enche, Calderón." Armando falou se levantando e abrindo a porta, parado por Mário que falou:

"Perai, onde você vai? Ainda nem sabemos o que você vai falar para a Marcela."

Como Armando estava com a porta aberta no momento que a noiva passava inevitavelmente ela escutou e imediatamente replicou:

"O que você tem pra me dizer, Armando Mendonça?" ela perguntou suspeitando.

Ao ouvir a voz dela, Mario se ajeitou na cadeira, desconfortável. E Armando aproveitou:

"Sabe o que é Marcela..."

"Sim, diga." Foi cortado por ela num tom áspero.

"Hoje, chegarei tarde em casa."

"Ah, é, e por que Armando?" falou esperando uma resposta convincente, mas no fundo sabia que seria mais uma desculpa furada.

"Hoje sairei com Betty, é seu aniversário e ela me convidou para comemorar."

"Ah, sim? Claro. Claro que não!" ela passou a gritar "Isso é mais uma de suas desculpas para sair por ai com suas amantes." Neste momento todos que estavam no local olhavam assustados para a cena. E Mariana se meteu na conversa:

"Desculpe, dona Marcela. Mas hoje é aniversário da Betty sim, e ela também convidou o quartel para ir a sua casa para comemorar."

"Viu?" Armando falou tentando esconde o sorriso. E cerrando o cenho a noiva respondeu:

"E desde quando você vai a festinhas dos empregados?" O quartel que estava em volta e Patty percebiam que aquilo ali ia durar.

"Ela é minha assistente e eu vou a sua casa para comemorar seu aniversário, simples, Marcela." ele disse sério para poder cortar a cena que a mulher fazia, todos ao redor já olhavam descaradamente para a discussão do casal. "Agora pode parar com sua ceninha de ciúmes, ou você tem ciúmes de Betty?" E a noiva riu.

"Ciúmes daquela coisinha?" Armando não gostava que falassem desse jeito de Betty, mas talvez usando esse jogo pudesse se livrar logo de Marcela "Você está ficando louco Armando. Mas eu sei muito bem que é ela que esconde seu romancezinho com sua amante."

"Já chega!" Ele sai com raiva do lugar deixando todos surpresos, inclusive Marcela, pois isso seria uma coisa que ela faria.

"Ufa, me livrei" ele pensou ao chegar na presidência. Pegou sua pasta e passou na sala de Betty.

"Betty, eu irei sair. Não voltarei mais hoje. Qualquer coisa ligue para o meu celular, mas somente em casos urgentes."

"Sim, senhor."

"Ah, a noite eu vou buscar você na sua casa." Ela sorri. "Eu soube que terá uma comemoração na sua casa."

"Sim, doutor, eu esqueci de falar."

"Tudo bem, eu passo para busca-la às dez e meia, está bem?"

"Sim, perfeito, doutor."

"Tchau Betty."

"Até mais tarde, doutor!"

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Às dez da noite Armando chega no bairro de Betty, como prometido. Sai do seu carro, que estacionou na frente da casa dela. E bate à porta.

"Doutor Armando, que surpresa!" Dona Júlia atende a porta e convida o chefe de sua filha para entrar, porém, ele pede para conversar com ela antes de entrar. Ela concorda e podem ouvir a voz de Seu Hermes ao fundo perguntando quem batia a porta.

"Dona Júlia, preciso que me ajude!"

"Claro, doutor!"

"Quero fazer uma surpresa para sua filha." Júlia se assusta.

"Porque ela merece, dona Júlia! Ela é uma ótima assistente. Muito eficiente."

"Ah, sim" a mãe suspira."E o que o senhor pensa em fazer?"

"É o seguinte ...."

....

"Quem era, Júlia?!" Hermes perguntou ranzinza como sempre.

"Era uns arruaceiros, souberam que era aniversário da Betty e vieram fazer gracinhas."

"Ah, é? Deixa eu ver quem são. Nunca mais vão fazer isso na vida!"

"Não, não, Hermes, eles já foram." Batem a porta novamente, dessa vez Seu Hermes abre, sendo acompanhado de Betty na esperança de ser Armando."

"É o meu gordinho?" Bertha grita bêbada.

E se depara com Nícolas e alguns músicos. Do outro lado da rua de dentro do carro Armando observa a cena, vê Betty conversando por um tempo com o rapaz. E em seguida a serenata é feita, fazendo ferver o sangue de Armando.

Júlia olha para o relógio, são exatamente 22:30. Ela logo age, falando para as amigas da filha que Betty terá que sair agora e elas deveriam ir embora. Fez tudo sem que o marido a visse, pois estava muito bêbado e tinha ido a`cozinha pegar mais salgadinhos.

Como as amigas sabiam que o namorado de Betty ia sair com ela naquela noite, e Nícolas estava fazendo uma serenata, entenderam e prontamente concordaram em sair. Elas esperam a amiga a voltar para se despedir, e todas desejam boa sorte para amiga e agradecem a festinha. E rapidamente saem da casa, acompanhadas de Freddy e Wilson.

Júlia chama a filha para avisar que Doutor Armando está do outro lado da rua a esperando, aconselha a ir se arrumar um pouco pois terá uma surpresa. Com o coração disparado Betty corre para o quarto, arrumar-se um pouco.

"Onde está todo mundo?" Hermes indaga.

"Elas já foram, amanhã vão trabalhar cedo, tinham que ir."

"Mas já? Está tão cedo!"

"Vamos dormir, meu velho. Já está tarde!"

"E onde está Betty?"

"Foi se despedir delas lá fora e já volta!"

"Mas..."

"Vamos dormir, vamos." E Júlia, enfim leva o marido para o quarto, assim Betty poderia sair sem que ele visse.

Armando sai do carro e vai para a frente da casa de Beatriz espera-la. Enquanto caminha percebe a presença do mesmo grupo de jovens com quem brigou uma vez, parecia ter sido num passado distante, Mas agora eles perturbavam um carro ali próximo. Aproveitando que estavam ocupados, bate a porta e logo Betty a abre dando seu melhor sorriso.

- Vamos?