Você foi a primeira pessoa cujo meus lábios tocaram, mas não por vontade própria, e sim por vontade de nossos pais aos dois anos de idade. E assim fomos crescendo juntos, como irmãos que tecnicamente se poderia dizer que havia certo incesto (que nojo!). No segundo ano do fundamental, comecei a sentir como se precisasse estar mais perto de você. Você era a única pessoa que esteve comigo até aquele momento. Que me entendia e também que gostava de todas as coisas infantis que eu também gostava — mas que a maioria das crianças já achavam muito chatas -.

Quando você mudou de colégio, foi como se um pedaço de mim tivesse ido embora. Eu sentia tanta a sua falta e nunca podia te ver porque além dos nossos horários serem diferentes, você tinha se mudado da vizinhança. Meu mundo tinha desmoronado. E aí, anos depois você me chama para uma festa na piscina com seus amigos do novo colégio. Obviamente eu já havia voltado a te ver como um irmão distante.

E assim foi que eu decidi que iria para seu colégio. Passamos o resto do nosso fundamental e ensino médio juntos. Hoje sinto como se tivesse um melhor amigo mau-humorado que sempre me ensina o melhor da vida. Muito obrigada por ser essa pessoa tão especial