Para sempre Mitsuki

5 O primeiro dia de aula.


Notas iniciais
Depois de um maravilhoso domingo, chega o primeiro dia de aula e, juntamento com ele, o início de um sentimento complicado, o ciúmes.

Naquela noite, não tocamos mais no assunto sobre o ocorrido.

Fui até a minha bolsa e abri a carteira.

–Quer dar um pulinho no mercado comigo?

–Claro Rina! Vamos sim. Só vou me trocar e já venho.

Ela me deu as costas e foi em direção ao quarto. Bem pouco tempo depois, apareceu vestindo uma saia jeans e uma blusa azul com uma rendinha escondendo o decote. Não consegui evitar o olhar e a loira percebeu. Tentei disfarçar o mais rápido possível.

–Podemos ir?

Eu sorri envergonhada para ela e ela sorriu de volta.

–Podemos!

Abri a porta dando passagem.

Ela estava incrível, como sempre. Sua roupa, seu perfume, tudo na mais perfeita sintonia. Mitsuki sempre fora impecável com a aparência, talvez por ter sido presidente do conselho estudantil na época escolar e com o tempo virou um costume.

Tranquei a porta e fui caminhando ao seu lado. A noite estava fresca e bem agradável. Se tivéssemos mais tempo, teria a convidado para sentar na praça comigo e passado a noite inteira conversando, aproveitando aqueles últimos dias de primavera. Ficamos certo tempo em silêncio até ela começar a falar.

–Rina-chan, tem ideia de onde fica o mercado?

–Então, eu passei por um quando estava vindo com os meus pais e é bem próximo daqui.

Andamos dois quarteirões e logo avistamos o lugar.

Olhei para Mitsuki e ela estava parada olhando fixamente para o outro lado do mercado. Tentei encontrar o que tanto chamava a atenção dela e logo percebi. Na esquina oposta, um estabelecimento não muito grande, com uma entrada bem decorada e um grande letreiro em cima indicando ser uma loja de doces.

Sorri por dentro observando a típica reação de uma autêntica Sonoda. Era impressionante como ela e a Yuu se pareciam.

–O que você acha de jantarmos lá?

Seus olhos verdes brilhavam enquanto eu fazia o convite.

–Podemos mesmo?

–Claro, Mitsuki!

A alegria em seu rosto era visível e contagiante. Era impossível recusar algo para ela. Já que eu não a tinha da maneira que queria, fazê-la feliz de qualquer outro jeito era a minha maior prioridade.

Entrando na loja, ela logo correu escolher tudo o que mais gostava e o sabor não era nenhuma novidade, chá verde. Escolhi uma torta salgada e uma doce e me juntei a ela.

–Não vai comer nada salgado?

–Eu não resisti Rina. Precisei provar todos esses primeiro.

Começamos a rir e a conversa durou mais que o esperado. A hora passou e nem percebemos. Conversamos sobre a época da escola e sobre como imaginávamos que seria a faculdade. Só me dei conta quando o último cliente saiu, deixando apenas nós duas que, rapidamente, pagamos a conta e saímos do estabelecimento.

Passamos no mercado que por sorte era bem perto e tomamos o rumo de casa. Aquele final de domingo estava simplesmente perfeito. Somente ela e eu o tempo todo, sem Haruka para ofuscar o meu minúsculo brilho, afinal eu não me achava páreo para alguém como a Haruka ainda mais com o amor que Mitsuki sentia por ela.

Logo no hall de entrada do apartamento, deixamos os sapatos e guardamos as compras em seus lugares.

–Bom, amanhã podemos almoçar na faculdade e depois farei o almoço para levarmos.

Ela concordou e nos dirigimos para o quarto. Minha cama ficava ao lado da dela, bem próxima. Escolhi um pijama no armário e de canto de olho vi que ela fazia o mesmo. Rapidamente me troquei e sentei na cama, olhando para ela simplesmente por olhar e me perdi completamente em pensamentos. Mitsuki estava de costas para mim e retirava sua blusa, que deslizava por sua pele branca e macia. Com as mãos nas costas, ela abriu facilmente o fecho do sutiã e retirou-o, deixando sobre a cômoda. Seus cabelos ondulados se espalhavam pelas costas fazendo sua pele arrepiar com o toque. O próximo passo foi tirar a saia. Engoli em seco quando ala desabotoou e calmamente foi tirando aquela peça de roupa, deixando a mostra uma calcinha preta rendada. Ela se abaixou para poder passar a saia pelos pés fazendo com que seus cabelos escorregassem para os lados, me dando a completa visão do seu corpo. Mitsuki se endireitou e colocou uma camisola de seda verde-água, que combinava incrivelmente com a cor de seus olhos. Meu coração estava acelerado e por mais que eu tentasse, não conseguia deixar de olhar. Minha vontade era de correr até ela e envolver seu corpo no meu, mas eu não podia fazer isso. Ela ficaria brava com certeza. Só me restava observar aquela cena da maneira mais discreta possível e deixar aquelas ações somente na minha imaginação.

Depois de vestida, ela se virou, olhando diretamente nos meus olhos, como se tivesse percebido algo.

–Rina-chan! O seu nariz!

Coloquei a mão e percebi uma pequena manchinha de sangue.

“Que parte da discrição eu não entendi????”

–Ah! Bem...é que eu...me deu uma tontura agora! Foi isso! Acho que é por culpa do calor! Você não está com calor?? Está muito abafado aqui!

–É verdade. Tem razão Rina! Vou abrir a janela para entrar um pouco de vento e refrescar o quarto.

–Muito obri...

No momento que a janela foi aberta e o vento entrou, a barra da sua camisola ergueu consideravelmente.

Rapidamente coloquei a mão no nariz para estancar o sangue que tinha aumentado. Corri para o banheiro antes dela perceber. Lavei o rosto e parei o sangramento, voltando em seguida para o quarto. A loira estava deitada de barriga para baixo na própria cama com um livro nas mãos e me olhando por cima do ombro.

–Você está melhor Rina?

Se eu não estivesse segurando um papelzinho no nariz, a cena teria se repetido.

“Meu Deus qual é meu problema??? Tenho que me acostumar logo com isso!!! Desse jeito ficarei sem nenhuma gota de sangue!!”

–S-s-sim! Obrigada.

Com certa dificuldade, fiz o sangue parar mais uma vez e me concentrei para não acontecer novamente.

Deitei na minha cama e virei para o seu lado que estava iluminado pela luz do abajur. Mitsuki permanecia na mesma posição. Seus cabelos foram arrumados num coque e os óculos de aro vermelho pendiam na ponta do nariz.

–Já vai dormir?

Ela sorriu para mim, o que me desencadeou um enorme frio na barriga.

–Vou sim. Estou cansada e amanhã será nosso primeiro dia de aula.

–Então boa noite e durma bem viu? Mais alguns minutinhos e eu apago a luz.

–Não se preocupe Mitsuki. Boa noite e bons sonhos.

Eu sorri de volta para ela e fechei os olhos. Eu ainda não acreditava que iria morar com ela durante cinco anos, era tanta felicidade que não cabia em mim. Confesso que me sentia confusa às vezes e com medo dela acabar se relacionando com outra pessoa, mas no momento preferia não imaginar essas coisas e aproveitar essa vida de “casal” que só na minha cabeça estávamos vivendo.

O dia amanheceu preguiçoso e eu ainda estava com sono. Acordei 3 minutos antes de o despertador fazer seu escândalo habitual e o desliguei. Não queria que ele tirasse a garota que dormia ao meu lado de seus sonhos. Mitsuki dormia tranquilamente, virada para mim e por alguma razão ela sorria, o que me fez rir por dentro. Tirei alguns cabelos espalhados por seu rosto e os coloquei atrás de sua orelha.

Fui até a cozinha e comecei a preparar o café. Enquanto arrumava a mesa, me recordei de algo que quase causou o estrago de duas xícaras.

A imagem era embaçada e não me permitia ter a total certeza desse estranho sono que tive durante a noite. O pouco que eu conseguia me lembrar se resumia em uma Mitsuki se levantando da cama, me observando por um longo tempo e se aproximando cautelosamente, até nossos lábios se encostarem. Só tive tempo de sentir o gosto de pêssego da sua boca e depois disso tudo ficou preto.

Enquanto travava uma batalha com a minha memória a procura de mais algum detalhe deste sonho promissor, levei um susto com uma voz feminina que se dirigia a mim.

–Bom dia Rina! Dormiu bem?

–Bom d-dia Mitsuki! Dormi sim e você? Estou tentando lembrar de um sonho...

–U-um sonho? Que t-tipo de sonho?

Ela ficou nervosa com a pergunta e eu também. Não tinha como eu dizer que sonhara com ela me beijando.

–E-então, eu não me recordo.

Tentei disfarçar e ela pareceu aliviada.

–V-vou terminar de arrumar a mesa.

–O-obrigada.

Durante o café da manhã, trocamos poucas palavras e em pouco tempo estávamos prontas para sair. Assim que ela pegou seu material, saímos rumo ao nosso primeiro dia de aula.

O relógio marcava 07:15 quando entramos no campus principal. Em meio a dezenas de alunos novos e veteranos, conseguimos achar nossa classe e nossos lugares minutos antes da professora entrar. Infelizmente, pela primeira vez, sentaríamos longe uma da outra. A sala de aula era enorme e em formato de auditório. As fileiras eram dispostas horizontalmente em degraus largos, de uma maneira que nenhum aluno ficasse na frente do outro, com um total de oito carteiras cada. Chutando baixo, havia pelo menos 80 lugares naquela sala. Logo a frente de todos, em um nível mais baixo, ficava a mesa do professor e atrás dela uma lousa impecavelmente branca proporcional ao tamanho da sala. Nossos lugares eram na mesma fileira, porém em pontas extremas. Eu na direita e ela na da esquerda.

–Poxa, não queria sentar longe de você Rina-chan.

Ela realmente parecia chateada.

–Eu também não...

O professor entrou na sala e sentamos cada uma em seu respectivo lugar. Estiquei-me para frente e pude ver um garoto ao seu lado, distraído com uma espécie de aparelho eletrônico nas mãos.

“Acho que não preciso me preocupar com esse.”

Sorri aliviada e percebi uma garota se sentando ao meu lado.

–Oi. Me chamo Sasaki Ayumi.

Sasaki Ayumi era uma garota ruiva de cabelos longos e intensos olhos âmbar. Ela aparentava ter perto de vinte anos, o que significava que era mais velha que eu. Ela tinha uma tatuagem no pescoço e uma argola no nariz.

–Ah...oi! Prazer. Sou Sakai Rina.

–Prazer Sakai-san.

–Pode me chamar de Rina.

Eu sorria educadamente para ela e ela me retribuía da mesma maneira.

–Então você pode me chamar de Ayumi.

–Está certo Ayumi-san.

Nossa pequena apresentação foi interrompida pela fala do professor, que imediatamente fez o silêncio reinar naquela sala cheia de alunos.

Enquanto o professor falava, não percebi, mas alguém na ultima carteira da mesma fileira me observava irritada com algo.

Notas finais
Pessoal, obrigada por estarem acompanhando o desenvolvimento da história e prometo que no próximo episódio postarei coisas mais íntimas entre nossas protagonistas. Até a próxima!