Para mim
1 Presente indesejado
A maior parte do tempo eu posso descrever mais como a ausência de sentimentos positivos do que a presença de sentimentos negativos. Como se fosse um constante tédio em que nada realmente acontece, e pra falar a verdade é bem assim que as coisas funcionam mesmo. Mas óbvio que nem sempre é desse jeito, de vez em quando eu diria que o que predomina na minha vida é um gigantesco sinal de interrogação. Eu queria que pudesse ser como uma série de perguntas feitas pela curiosidade de uma criança atiçada, como imagino que já deve ter sido em algum momento que hoje eu não me recorde mais, mas que ainda considero como algo importante. Não sei bem como expressar, mas acho que pode se encaixar como uma série de perguntas que se resumem a: e agora?
É como se eu constante quisesse voltar a viver meu passado, enquanto ao mesmo tempo fico apavorado ou irritado com meu futuro e simplesmente não sentisse que existe um presente. Acho que esse deveria ser o momento mais importante pra alguém, viva o agora e se preocupe com o resto depois. Mas e quando você se preocupa com o resto depois e mesmo assim não consegue viver o agora? Acho que é bem um dilema porque quando o resto chegar você não vai mais se importar com ele também, e esse ciclo continua por tempo indeterminado.
A pior parte não é saber do porquê eu me sinto assim, não entender nada do que acontece comigo e tendo como única certeza um saudoso passado, mas é saber que existe algum outro motivo pra me sentir confuso com minha vida e sem expectativas de boas coisas daqui pra frente. Existe algo a mais, algo que realmente seja o motivo do que eu vou chamar de vazio mesmo não achando que essa seja a melhor palavra pra isso, mas agora e por tempo indeterminado eu realmente não sei o que é ou como explicar.
Provavelmente não me expressei bem, o que não seria novidade nem pra mim nem pra ninguém, mas acho que de pouco em pouco colocando essas coisa pra fora e compartilhando com pessoas que não conheço eu vou (mesmo que um pouquinho só) conhecer melhor a mim mesmo. E se esse não for o primeiro passo, então eu não sei o que seria. Por enquanto é o fio de esperança que eu ainda tenho, e não pretendo me largar dele.
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