Notas iniciais
SOMBRAS DO PASSADO está chegando ao fim! Não deixem de acompanhar os capítulos finais de uma fascinante história de amor e vingança! Com vocês, CAPÍTULO 17 - O BILHETE, e, leiam em seguida, CAPÍTULO 18 - SAMANTHA. BOA LEITURA!!!

Há quem diga que, para ser uma pessoa feliz, você só precisa buscar o equilíbrio interior, deixar o passado para trás, ser otimista e cercar-se de gente positiva. Parece uma receita simples de se seguir, não é verdade? O problema é que, às vezes, não dispomos de todos os ingredientes. Ou dispomos e simplesmente nos negamos a seguir a fórmula. Ser feliz ou não é uma questão de escolha.

Fazer escolhas significa criar possibilidades para nossa vida, abrir uma porta para novas consequências que determinarão novas escolhas, no entanto, nosso coração só tem uma escolha: o amor. E sofremos quando fazemos escolhas que nos afastará daquilo que verdadeiramente deseja nosso coração. Para as amigas de Larissa, esquecer Adrian e tocar a vida para frente é a melhor decisão a se tomar. Mas como?, pergunta-se Larissa constantemente. Devo simplesmente ignorar tudo o que vivemos? Esquecer que foi o próprio destino que nos uniu e, aparentemente, tornou a nos separar? Como esquecer um grande amor?

A vida de Larissa mudou radicalmente nas ultimas semanas. Perdera bastante peso, anda cada vez mais pálida e suas notas na escola vão de mal a pior; tornara-se estranhamente impulsiva e fria; passa o dia todo trancada em seu quarto e não se senta mais à mesa com seus pais para fazer as refeições como era de costume.

Parte dela deseja reverter essa situação. Ao menos os problemas da escola ela está disposta a resolver. Sabe que não ganhará nada ficando de recuperação, correndo o risco de repetir de ano. Prefere qualquer coisa a passar por essa vergonha. Arruma-se e perfuma-se como há muito não fazia e vai para o ponto de ônibus, passando rapidinho na cozinha para pegar uma fatia de pão integral para comer no caminho.

Está certa de que não bastará alguns toques de maquiagem para esconder sua tristeza evidente. Sabe que terá de sorrir e não esquecer de levantar a cabeça para evitar que seus amigos se preocupem com ela. Já está cansada dos olhares de pena que lançam para ela, dos comentários maldosos que se espalharam pela escola que “Adrian lhe botou chifres”, que “o namoro perfeito foi pelo ralo”, que “Hannah levou a melhor”. Enfim, terá de fazer o que mais detesta: mentir.

Essa não é a parte difícil. Não senhor, basta abrir um sorriso e, voilá, todos à sua volta ficam impressionados com sua mudança de humor repentina. Olham-na incrédulos, pois não acreditam que Larissa esteja se sentindo tão bem considerando a situação difícil em que ela se encontra.

— Uau. Olha só isso...

— Arrasou, hein?

— Gostei da atitude. Que garra, hein?

Larissa abre um sorriso, desta vez sincero, surpresa por seu plano ter dado tão certo. Cruza o corredor sem encarar ninguém, mantendo os lábios ligeiramente curvados num sorriso brando e andando em passos firmes. Chega ao pátio, aspirando o hipnotizante aroma de diferentes perfumes no ar, procurando suas amigas em meio à multidão que toma conta do local.

— Olha ela! Gostei de ver!

Larissa olha para trás e vê Viviane aproximando-se. Bianca chega logo em seguida.

— Você parece ótima.

— Não pareço, querida. Estou ótima. Aquela conversa que tive com vocês me ajudou para valer.

Larissa joga o cabelo para o lado e sorri, imaginando por quanto mais conseguirá manter essa farsa.

— Uaaaau! – Exclama Roberta ao avistar Larissa. – Garota...

— E aí, Roberta? Como vai essa vida louca?

Roberta não responde. Continua a encará-la boquiaberta, rodeando-a, como se quisesse ter certeza de que tudo está mesmo em ordem.

— É isso aí. Essa é a Larissa que eu conheço. A Larissa que se joga. Que acredita no bate-cabelo.

— Ora essa, eu não sou pouca coisa, não, ok?

— Ok. Me conta, como você se sente? Já superou aquele problema?

— Se eu superei?

De repente, seu sorriso se desmancha como um sorvete exposto ao calor do sol. Olha para os lados, certificando-se de que não há ninguém olhando para elas, e deixa seu semblante de frustração à mostra.

— Estou péssima, amiga. Arrasada. Eu finjo estar bem para as outras pessoas não se preocuparem comigo.

— Não estou acreditando, Larissa. E aquela história de que você ia ficar bem na frente dos amigos?

— Foi tudo papo-furado.

— Eu já devia ter imaginado.

— Roberta, você não compreende. Ficar bem não é tão simples como vocês fazem parecer. Eu percebi que não importa se estou rodeada de gente legal. Sem o Adrian, é como se eu estivesse sozinha no mundo.

Roberta já está pronta para responder quando sente um forte empurrão em suas costas, que a faz derrubar seus livros e cadernos todos no chão.

— Ai! Quem foi o imbecil que...

— Desculpe – diz Adrian, já abaixando-se para apanhar as coisas de Roberta do chão.

Larissa fica paralisada, sua voz some. Adrian está tão perto dela, e ao mesmo tempo tão distante. Nem sequer a notou. Se notou, fingiu não ver.

— Está cego, idiota? Não me viu aqui?

— Olha só, não precisa fazer escândalo. Já pedi desculpas, não foi?

— Ainda por cima é grosseiro.

— Dá para ficar quieta?

Adrian lhe entrega – ou melhor, despeja grosseiramente em suas mãos – a pilha de livros e cadernos e recua um passo.

— Não espere que eu te agradeça. Não fez mais que a obrigação.

— Tanto faz. Agora pegue suas coisas e vê se não me amola.

Adrian se vai. Larissa o acompanha com o olhar, esperando que ele a encare de volta, mas ele não o faz.

— Você viu isso? Viu? Ele nem quis falar comigo!

Roberta não está mais prestando atenção. Está concentrada no pedaço de papel que caíra de um dos livros enquanto terminava de apanhá-los do chão. Um pedaço de folha de oficio, em cujo verso está escrito em letras maiúsculas: "LEIA, POR FAVOR. AQUI VOCÊ VAI ENCONTRAR TODA A VERDADE".

— Não sei por quanto tempo mais vou suportar ser ignorada dessa maneira. É como se eu fosse invisível ou...

— Ah, fofa, dá um tempo nessa ladainha, né? – Esbraveja Roberta. – Isso já está dando nos nervos!

Larissa engole em seco.

— Me desculpe, eu... Não queria...

— Olha só, quer saber de uma coisa? Se você continuar com esse baixo-astral, vai acabar afastando todos os seus amigos! Aliás, não sei como o Adrian conseguiu te aguentar por tanto tempo! Deixa de ser mole, mulher! Corta esse melodrama de uma vez! Ninguém aguenta tanto chororô!

Roberta vira-se e vai embora.

— Roberta! Espere! Eu...

Roberta está certa, diz uma voz em sua cabeça. Ficar se lamentando não vai adiantar de nada.

— Tem razão – responde Larissa, sentindo uma onda de entusiasmo lhe invadir aos poucos. – Chega de choro. Chega de lengalenga. Daqui por diante, vou assumir o controle da situação.

— Larissa... – Bianca tenta lhe chamar a atenção.

— Vocês estavam certas, meninas. Não posso desistir tão facilmente dos meus sonhos.

— Olha só, a gente queria...

— A Hannah vai ver só uma coisa. Ela pode ter vencido essa batalha, mas a guerra ainda não acabou. Eu vou lutar para reconquistar o Adrian. Com o tempo, ele vai perceber que quem ele ama de verdade sou eu, e não aquela estúpida ladra de namorados! Não é mesmo?

Quando Larissa finalmente para de falar, dá-se conta de que suas amigas não compartilham de sua alegria. Seus semblantes estão fechados, como se tivessem acabado de receber uma trágica notícia.

— Sinto muito por jogar um balde de água fria nessa sua empolgação, mas...

— Mas o que? Falem! Não façam essas caras.

— Tempo é exatamente o que você não tem, Larissa.

— Como assim? Do que você está falando?

— Estávamos agora mesmo na sala dos professores quando... Ai, conta você, Vivi.

— Bem... O Adrian chegou dizendo que... que não vai poder fazer a prova de biologia deste bimestre porque...

— Por quê? Fala de uma vez!

— Porque ele vai embora para o Canadá.

Larissa paralisa completamente.

— Daqui a uma semana. Junto com a Hannah.

Notas finais
Espero que as emoções finais de SOMBRAS DO PASSADO estejam agradando vocês. Comentem o que acharam - please - e leiam o próximo capítulo: "SAMANTHA". Obrigado por lerem!