Para Sempre Seu
1 Prólogo
Notas iniciais
Já se passaram horas, e a chuva continua a cair constantemente. Parece que teremos um novo dilúvio, o mundo se acabará em água. Quem me dera, pelo menos teríamos um fim para todo este caos. Eu ainda me pergunto o porquê de estar olhando para o céu e pensando sobre a chuva, ela nunca me incomodou e mesmo que incomodasse de que adiante me lamentar. Estou toda ensopada com cara de boba enquanto ele fala, de repente me tornei surda e sou incapaz de ouvi-lo ou compreender as palavras que saem de sua boca.
Provavelmente eu não quero ouvi-las muito menos entende-las, eu sei que ele está se despedindo, prometendo voltar e me fazer sua esposa. Viveríamos felizes para sempre em nosso castelo, de onde governaríamos nosso povo, teríamos filhos e envelheceríamos juntos como em todo bom conto de fadas. No entanto para a minha desgraça vivemos em uma realidade fria e cruel que não perdoa ninguém, muito menos aquele pobre tolo que ousa apaixonar-se. Por deus, como eu o odeio! Se ele não tivesse aparecido me pouparia de todo este sofrimento.
— Margaery, você entende que isto não é um adeus, certo? — perguntou ele acariciando carinhosamente meu rosto, em seus olhos havia aquele brilho de quem acredita em suas palavras e deseja fazer com que eu também acredite, mas eu simplesmente não consigo. Como isso pode não ser um adeus?!
— Você vai para a guerra! Você vai morrer! — gritei ao bater em sua mão a tirando de meu rosto. Eu havia retornado de corpo e alma para aquele lugar e não me permitiria deixar enganar por ele. Se Robb desejava amenizar minha dor ele estava falhando terrivelmente.
— Sim, talvez eu morra, mas existe a possibilidade de eu conseguir sair vivo. Lembra-se o que eu te disse naquele dia no lago? — ele aproximou-se de mim e encostou sua testa na minha. Eu me lembrava com perfeição do que ele havia dito, mas deixa-lo partir era inaceitável para mim.
— Se você partir eu o odiarei com todas as minhas forças. — prometi decidida a cumprir o que dizia. Mas ainda sim me mantinha imóvel sentindo minhas lágrimas se unirem a chuva que caia sobre nós dois. Até parecia que o mundo chorava conosco naquele dia.
— Você pode até tentar... Mas eu aposto que não vai conseguir.
— Oh, Robb! Pare de fazer apostas! — me permiti sorrir por um segundo, levei as mãos até seu rosto e o toquei suavemente, temendo que está fosse a última vez que o teria diante de mim — Por favor, Robb...Não vá.
E enfim, as palavras que estavam sufocadas em minha garganta encontraram sua libertação e foram pronunciadas em alto e bom som para ele. Seus encantadores olhos verdes se arregalaram por um instante, assustados, ele deu alguns passos para trás afastando de mim.
Ele podia negar, mas eu sabia a verdade, ele não desejava partir, porém não havia escolha. Eu sabia que pereceria se ele se fosse, eu não poderia suportar retornar para aquele mundo solitário e vazio em que costumava viver. Não se pode viver nas sombras após ter provado da luz. E a minha luz era seu amor, seu divino amor que me salvou.
Ele aproximou-se de mim, parecia receoso e pensativo. Eu implorava para que ele decidisse ficar comigo. Nós poderíamos ser tão felizes se ele quisesse. Robb não disse uma palavra sequer, apenas correu os dedos por meus cabelos e beijou-me, inicialmente um beijo casto que aos poucos se tornou profundo e intenso, tão parecido com o primeiro beijo que ele me dera. Era como se sua paixão por mim se tornasse palpável. Para meu desespero ele parou, seus olhos se encontraram com os meus. Ambos eram olhos tristes que já haviam derramado todas as lágrimas que possuíam.
— Adeus, Margaery! — ele afastou-se e caminhou em direção ao veículo que o aguardava. Ele estava indo embora, eu o havia perdido.
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