Notas iniciais
Tô de volta galerinha- e continuo péssima com descrições- essa é a continuação de Para Sempre Katherine. Não sei se será um história curta como a outra, mas tô gostando de escrever... Espero que gostem.

Pov Luna

'' As águas me envolvem, estou cansada de lutar, sufocando, submergindo, deixando-me levar pelo abraço do mar... afundo... lentamente, me entrego''.

Acordo ofegante, mais um pesadelo. Olho em volta, minha cabeça está pesada e dolorida, estou em um hospital aparentemente, há um soro ligado a minha veia e uma cânula em meu nariz. Minha visão está embaçada, mas posso ver que há um garoto sentado em uma poltrona ao meu lado observando-me.

— Victor?- sussurro.

O garoto se levanta e sorri.

— Que bom que acordou.- ele diz enquanto aperta uma campainha ao lado da minha cama.

Rapidamente um senhor adentra o quarto, provavelmente um médico, Dr. West, pude ler em seu jaleco. Ele sussurra algumas palavras com o garoto de cabelos cacheados e depois vem ao meu lado da cama com uma prancheta.

— Bom dia! Sou o Dr. West. Sei que deve estar confusa, mas estarei pronto para responder suas perguntas, antes faremos alguns exames e lhe encaminharei para um quarto.- ele explica.

Apenas assinto com a cabeça. Ele aperta a campainha e enfermeiros adentram o local, passo por uma bateria de exames e finalmente retiram a cânula e o soro, sou conduzida a um quarto, este tem paredes num tom azul bebê, uma pequena cômoda ao lado da cama e um banheiro.

— Tome um banho querida. — diz uma simpática enfermeira.- Use isso.- ela me entrega um pijama do hospital.- Voltarei logo para vê-la. Sorrio agradecida e ela se retira.

Adentro o chuveiro e tomo um banho quente. Visto-me e deito na cama. Ouço batidas na porta e logo a maçaneta gira. Um garoto da pele alva e olhos castanhos adentra o quarto, reconheço-o, é o mesmo que estava ao meu lado quando acordei, ele segura uma bandeja com suco, sanduíche natural e uvas, ele não está de jaleco, usa uma camisa azul.

— Boa tarde, meu nome é Miguel.- ele põe a bandeja em meu colo e senta-se numa poltrona ao meu lado.

— Boa tarde, você é enfermeiro também?- digo enquanto ponho uma uva na boca.

Ele sorri.

— Não, sou filho do médico que te entendeu. Pedi a enfermeira que me deixasse trazer seu ''café da manhã''- ele faz as aspas com os dedos e eu entendo o porque, deveria ser meu almoço...- Precisamos conversar, mas antes preciso que se alimente.

Concordo e termino de comer.

— Então, já que não é enfermeiro, por que está aqui?- ponho a bandeja de lado.

— Pois salvei sua vida.

— Como assim? Quer dizer... como vim parar no hospital?

— Você não lembra de nada? Lembra seu nome?

— Katherine. Lembro de estar com uns amigos na praia e corremos para o mar, depois disso apaguei. Que dia é hoje?

— Segunda-feira.

— Ah, então foi ontem. O Victor está aí? Ele me convenceu...

— Katherine- ele me interrompe- você está desacordada há uma semana. Não sei quem é Victor, mas deve ser alguém importante, você o chamou antes de acordar.

— Uma semana?- estou perplexa, minha cabeça está confusa.- Alguém veio me ver? Como pude dormir por uma semana?- entro em desespero.

— Ei, calma.- ele se aproxima e toca minhas mãos, sua voz é rouca, mas doce- Acho que você se afogou Kath e eu a salvei. Ninguém veio te procurar e estamos em um hospital um pouco distante da cidade da praia.

— Devem achar que estou... morta...- as lágrimas inundam meu rosto.- O que farei Miguel? Não tenho ninguém, meus pais morreram em um acidente aéreo e moro com minha tia Ever, e, bem... se ela acha que estou morta, deve estar em um país bem distante agora... Victor é... era meu namorado...- sussurro essa última palavra.

— Farei o possível para que você volte tudo bem? Só preciso que você se recupere.

Ele enxuga minhas lágrimas, beija o topo da minha cabeça. — Descanse um pouco.- ele diz.

Assinto com a cabeça e deito. Ele se dirige até a porta.

— Miguel...- digo antes que ele gire a maçaneta. Ele vira-se.- Obrigada.- completo.

— Por nada Kath. Descanse.- ele se retira.

Encolho-me e tento processar tudo o que o Miguel me disse. Miguel... que voz doce... como um anjo, seu cheiro de mar, seus olhos, seus lábios rosados... o que estava acontecendo comigo? E por que o meu coração estava tão acelerado? — penso.- Esqueça isso Katherine. Você tem problemas maiores agora.- digo a mim mesma. Adormeço e os pesadelos voltam.

...

Pov Miguel

— Levanta preguiçoso, vamos à praia cara. — diz o Guilherme puxando meu travesseiro e atingindo-me diversas vezes com ele.

— Me deixa mano, quem vai à praia à noite? Você é louco. — puxo os lençóis cobrindo a cabeça.

— Vamos cara, deixe de maresia, a banda quer comemorar o sucesso do primeiro show da Angel’s.- ele puxa meu lençol.

[ Flash back on ]

— Você canta bem Miguel. – diz o Gabriel.

— Valeu cara. – digo mesmo sem acreditar muito naquilo.

— Deveríamos formar uma banda. — diz o Guilherme

— Sim, já temos vocalista, baterista e guitarrista, o resto a gente arranja.

— Mas qual seria o nome da banda?

— Hum... Que tal Angel’s? – Gabriel diz com um olhar distante.

— Angel’s? Mas por quê?- Guilherme questiona.

— Você é um santinho Guilherme e o Miguel e eu temos nome de anjo. Angel’s ué.- Gabriel conclui com um sorriso no rosto.

— Essa é a ideia mais idiota que eu já ouvi.- digo.- Mas gostei cara. Um brinde a Angel’s!- ergo minha lata de Coca-Cola.

Eles se juntam a mim e brindamos ao início de nossas vidas.

[ Flash back off]

— Beleza, só me espera tomar banho. – levanto-me a contragosto e vou em direção ao chuveiro, tomo um banho frio e saio. Visto uma roupa qualquer e encontro a banda na sala.

— E aí Bela Adormecida?! Pronto pra mais um show?- diz o Gabriel entregando-me o violão.

— O que?! De jeito nenhum!- protesto.

— Ei estressadinha, relaxe, é zueira vamos fazer um som de leve, só pra comemorar, guarde sua voz preciosa para o próximo show. – ele diz sarcástico.

— Vamos.

Saímos em direção a praia. Pego o violão e começamos a cantar uma de nossas musicas. A noite está linda e a Lua nova brilha, o cheiro de mar invade minhas narinas e curto cada segundo com meus amigos. Permanecemos na praia até amanhecer.

— Ei cara, vamos embora, temos um show a noite, lá na lanchonete em que criamos a banda lembra?- diz o Guilherme já andando em direção a casa.

— Vou ficar mais um pouco, podem ir. – digo e volto meu olhar para aquele imenso mar.

Todos se retiram e permaneço ali cantarolando.

Estou pronto para sair quando algo no mar me chama atenção; corro em direção a ele e percebo que, na verdade, ''algo'' é o corpo de uma garota, prontamente vou ao seu encontro e a puxo para a margem; ponho a cabeça em seu peito e tento ouvir sua respiração: sem resposta de seus pulmões... Faço todo o procedimento de salvamento que conheço, mas nada adianta. Carrego aquele corpo aparentemente sem vida, ponho no carro e vou em direção a casa.

— Pai!- estou ofegante ainda com a garota no colo. – Pai! Por favor!- grito desesperadamente e Marie, nossa empregada, aparece.

— O que houve Miguel? Ai meu Deus, quem é essa? O que houve?- ela está de olhos arregalados e, se não fosse a situação, com certeza estaria rindo de sua cara gorducha.

— Preciso de meu pai, Marie, onde ele está?

— Está no hospital, o chamaram hoje cedo.

— Chame o helicóptero Marie, preciso levá-la ao hospital agora mesmo, talvez ainda dê tempo de salvá-la...

— Sim, farei isso.

Ela se retira e espero aflito até que ouço o helicóptero chegando. Pego a garota que eu havia posto no sofá e vou em direção ao helicóptero.

— Para o hospital de meu pai, por favor.

Ponho a pequena garota numa maca e tomo sua mão.

— Você vai ficar bem. – sussurro. – eu prometo.

...

— O que houve Miguel? Recebi uma chamada de urgência. — diz meu pai assim que chegamos ao hospital.

— Essa garota pai, a encontrei na praia, acho que se afogou, já fiz tudo o que podia para acordá-la, mas ela não reage.- explico olhando para a pequena garota desacordada.

— Vou providenciar os devidos cuidados, agora se acalme, vá para casa, pegue meu carro, não há necessidade de usar o helicóptero.

— Não pai! Quero esperar, quero saber se ela ficará bem. – digo aflito.

— Tudo bem Miguel, espere aqui.

Vejo uma equipe de médicos e enfermeiros levar a garota, ainda estou preocupado, mas sei que ela está em boas mãos, sento-me na sala de espera e aguardo.

Longas horas se passam até que vejo meu pai vir em minha direção.

— Então pai?- me levanto.

— A saúde dela está estável, mas ela ainda está desacordada, de qualquer forma já fiz tudo o que podia, resta-nos esperar até que ela reaja aos medicamentos.

— Tudo bem. – suspiro profundamente.

— Volte para casa filho, você precisa descansar, venha amanha se quiser.

Assinto com a cabeça e volto para casa.

— E então... a garota está bem?- pergunta Marie.

— Não sei Marie, meu pai disse que ela está estável, mas eu não sei...

— Espero que ela fique bem.

— Eu também Marie, eu também.

Subo as escadas e entro no quarto, tomo um longo banho frio, me visto e deito na cama, penso na garota da pele alva, cabelos castanhos e cacheados, meu presente do mar e da Lua, qual será o seu nome? E sua história? Como será o som de sua voz? Adormeço mergulhado em pensamentos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Siiiim, ela não morreu! Graças ao Miguel! mas quem será este garoto novo hein?! Comentem, mandem sugestões, críticas, elogios, aceito tuuudo!Beijoooos.