Para Sempre Luna
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Pov Luna
Miguel se apressa na volta, sua expressão não é das melhores, ele está triste, deixa transparecer com muita facilidade. Eu, entretanto, não sei o que sentir: se alegria, por estar viva e finalmente voltando pra casa, ou tristeza por deixar um grande amigo para trás.
— George vai levá-la de volta. – Miguel diz me abraçando — Vou para a cidade daqui a alguns dias, mas não ficarei muito tempo, a banda e eu faremos turnê.
Ele escreve um número num pequeno papel e me entrega.
— Liga pra mim, podemos nos encontrar.
— Claro que sim, meu anjo. – deposito um beijo em sua bochecha.
Olho para todos na sala. Marie, Dr. West, Miguel, George, os meninos da banda.
— Obrigada por tudo, gente. – digo finalmente.
— Me acompanhe, por favor, senhorita, sua tia já deve estar nos esperando – George diz e eu sigo-o.
Olho para trás, sei que sentirei saudades, foi um mês marcante, mas agora é hora de voltar pra casa.
O caminho de volta é longo, não sei como fui parar numa ilha tão distante. Adormeço e os pesadelos voltam.
'' Estou no mar, mas não estou afogando, estou com o Victor. Apesar das fortes ondas, me sinto segura. Então Ana aparece, Victor solta a minha mão, tento me segurar, mas ele se desvencilha do meu abraço. Afundo, não consigo voltar à superfície, estou cada vez mais longe, mais submersa... – Katherine! Katherine! – ouço alguém me chamar, sou levada rapidamente até a superfície. – Katherine! Katherine!''
— Katherine!
Abro os olhos, George e minha tia Ever me olham assustados.
— Tia Ever! – Me jogo em seus braços aos prantos.
— Calma querida, já passou, foi apenas um pesadelo. – Ela me conforta, sua voz é doce.
Ela se afasta, saio do carro, George segue até tia Ever. Eles apertam as mãos.
— Obrigada, George – ela diz.
— Não há de que, senhora. – ele sorri. — Adeus Katherine.
Sorrio de volta. Ele volta para o carro, eu aceno, ele parte.
...
— Achei que estivesse morta, minha flor, um mês fazendo buscas e nada... Chorei tanto... – Tia Ever segura minhas mãos. – Não ia conseguir agüentar perder mais um da minha família. Não consegui ficar aqui, por isso fui para o exterior... Por favor... Não pense que eu desisti... N-nunca...
— Calma tia – eu seco suas lágrimas, envolvo-a num abraço. – Sei que estava preocupada, sei que nunca me abandonaria, não pensei nisso, não precisa se preocupar. O importante é que estou de volta, vai ficar tudo bem, cuidaram de mim... Só um pouco cansada.
— Descanse um pouco, querida, ainda tem alguns dias de férias.
Vou em direção ao meu quarto, tudo está do mesmo jeito que deixei, abro as janelas, deito-me na cama, fecho os olhos por um instante, lembro-me de Victor. Da última vez que deitei nessa cama, do dia de autógrafos, do livro... O livro! Levanto-me num pulo. Vasculho o quarto, abro as gavetas da cômoda, bagunço o guarda-roupa... Não o encontro.
— Onde estará você? – penso. – Victor... Preciso encontrá-lo.
Pego o celular, vejo que está descarregado, coloco-o no carregador. Bocejo. Talvez eu precise realmente descansar. Jogo-me na cama novamente, sinto o cansaço de um mês desgastante. Adormeço.
...
Pov Miguel
Luna se foi há algumas horas, mas parece uma eternidade, ela ainda não ligou, deve estar descansando, revendo os amigos. Seja lá o que for, espero que não me esqueça.
— Miguel? – ouço a voz de Marie. – Quando vai sair desse quarto? Seus amigos já foram e você nem se despediu, o jantar está na mesa e... George chegou e deixou isto. – Ela me entrega um pedaço de papel com um endereço.
— Não estou a fim de sair agora, depois eu ligo para os rapazes.
Ela dá meia volta.
—Marie!- Chamo-a abrindo o papel. – Esse é o endereço da Luna? – minha expressão deve ter mudado, pois ela me olha com um sorriso divertido e assente com a cabeça.
Levanto-me num pulo, abraço-a forte.
—Muito obrigada, Marie!
— Agradeça ao George, ele que conseguiu.
Corro em direção à cozinha, encontro George sentado à mesa, ele me olha e sorri. Aperto sua mão.
— Valeu mesmo, George – digo.
— Achei que seria útil – ele diz – Conte comigo.
De volta ao quarto, pego a agenda de shows da Angel’s, vejo que em dois meses passaríamos pela cidade da Luna, muito a esperar, mas valeria a pena.
— Sim, com certeza, será útil...
Pov Luna
Acordo na manhã seguinte revigorada, já estava cansada daquele quarto de hospital e de todos aqueles medicamentos. Meu coração aperta, lembro do Miguel, meu anjo lindo.
— O que ele estaria fazendo agora? – penso.
Meu celular vibra, percebo que ainda não entrei em contato com ninguém depois que cheguei. Há varias mensagens, algumas me perguntam onde eu estou, outras lamentam minha morte. Pego o pequeno pedaço de papel, onde Miguel escreveu seu telefone, gravo o número na agenda do celular e mando uma mensagem.
Anjo: Oi anjo, grava meu número, é a Katherine, ou melhor, Luna (risos). Estou bem e com saudades.
Em seguida, lembro-me de Victor, prefiro ligar, mensagens a essa altura iria parecer brincadeira de mau gosto. Disco o número e aguardo.
— Alô? – ele atende.
— Victor? – digo.
— Kath? – ele hesita. – N-não... N-não é possível...
— Sim, é. – eu digo sorrindo.
— Onde você está? Quero te encontrar! Ai meu Deus! Não acredito nisso.
— Estou em casa. Vem me ver. Acho que estou só, espera. Tia Eveeeer!!! – ela não responde. – Sim, estou só. Vamos conversar.
— Claro, chego aí em um minuto.
Enquanto espero, retiro o vestido branco – emprestado por Elisa – tomo um longo banho quente e lavo os cabelos. Abro o guarda- roupa, pego uma blusa fluida e um shorts jeans. Arrumo os cabelos deixando-os cair em cascata sobre os ombros. Ponho o perfume floral e desço até a cozinha. Começo a preparar dois sanduíches de frango e ouço a campainha.
— Já vou!!!- grito e corro para abrir a porta.
Pov Victor
Duas semanas que a Kath sumiu no mar. Nunca parei de me culpar... Se eu não tivesse a encorajado a entrar na água, ela ainda estaria aqui. Todos os dias eu voltava à praia na esperança de encontrá-la, mas ela nunca apareceu. Quando cessaram as buscas, fui visitar a Ana, ela e a Kath eram amigas, queria confortá-la.
— Já aceitei o destino — digo- Katherine está morta e só um milagre pode reverter essa situação.
— Milagres não acontecem, Victor, aceita isso. – Ana diz cética e me abraça. – Acabou, esquece ela, você veio aqui para cuidar de mim, mas eu vou cuidar de você.
Ela acaricia minhas bochechas e deposita um beijo em meus lábios. Retribuo, segurando sua cintura. Ela passa os braços pelo meu pescoço e deita-me na cama. Estou de olhos fechados. Passo a mão por seus cabelos, espero que eles se prendam nos dedos, como os cachos de Kath, mas apenas deslizam. Abro os olhos, não é a Kath. Levanto num sobressalto.
— Não consigo. – digo e me afasto da Ana. – Você não é ela... me desculpe.
Ana me puxa para perto, acaricia meus cabelos e me abraça. – Tudo bem, meu amor, vou fazer você esquecê-la.
Mais duas semanas e dois dias se passam, Ana e eu ficamos cada vez mais próximos, já não há mais um vazio; não sinto mais falta dos olhos negros e do cabelo emaranhado, tudo agora é preenchido por fios de ouro e uma imensidão azul. Tudo parecia correr bem, até aquela ligação.
— Alô?
— Victor?
Não pode ser! Não pode ser! Não pode ser!
— Kath?— aquilo não era real, estava mesmo fora de cogitação, milagres acontecem afinal de contas!
Era a Kath, eu mal podia acreditar, queria vê-la, eu precisava. Ela me convida para ir a sua casa e eu aceito. Arrumo-me, passo na floricultura, compro um lírio branco – o favorito da minha menina – e sigo em direção a sua casa. Toco a campainha.
— Já vou!!! – a ouço gritar, penso na Ana, não é momento para sentir remorso, a porta se abre.
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