Para Sempre Luna
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Pov Luna
'' As águas me envolvem, estou cansada de lutar, sufocando, submergindo, deixando-me levar pelo abraço do mar... afundo... lentamente, me entrego''.
Acordo ofegante, mais um pesadelo. Olho em volta, minha cabeça está pesada e dolorida, estou em um hospital aparentemente, há um soro ligado a minha veia e uma cânula em meu nariz. Minha visão está embaçada, mas posso ver que há um garoto sentado em uma poltrona ao meu lado observando-me.
— Victor?- sussurro.
O garoto se levanta e sorri.
— Que bom que acordou.- ele diz enquanto aperta uma campainha ao lado da minha cama.
Rapidamente um senhor adentra o quarto, provavelmente um médico, Dr. West, pude ler em seu jaleco. Ele sussurra algumas palavras com o garoto de cabelos cacheados e depois vem ao meu lado da cama com uma prancheta.
— Bom dia! Sou o Dr. West. Sei que deve estar confusa, mas estarei pronto para responder suas perguntas, antes faremos alguns exames e lhe encaminharei para um quarto.- ele explica.
Apenas assinto com a cabeça. Ele aperta a campainha e enfermeiros adentram o local, passo por uma bateria de exames e finalmente retiram a cânula e o soro, sou conduzida a um quarto, este tem paredes num tom azul bebê, uma pequena cômoda ao lado da cama e um banheiro.
— Tome um banho querida. — diz uma simpática enfermeira.- Use isso.- ela me entrega um pijama do hospital.- Voltarei logo para vê-la. Sorrio agradecida e ela se retira.
Adentro o chuveiro e tomo um banho quente. Visto-me e deito na cama. Ouço batidas na porta e logo a maçaneta gira. Um garoto da pele alva e olhos castanhos adentra o quarto, reconheço-o, é o mesmo que estava ao meu lado quando acordei, ele segura uma bandeja com suco, sanduíche natural e uvas, ele não está de jaleco, usa uma camisa azul.
— Boa tarde, meu nome é Miguel.- ele põe a bandeja em meu colo e senta-se numa poltrona ao meu lado.
— Boa tarde, você é enfermeiro também?- digo enquanto ponho uma uva na boca.
Ele sorri.
— Não, sou filho do médico que te entendeu. Pedi a enfermeira que me deixasse trazer seu ''café da manhã''- ele faz as aspas com os dedos e eu entendo o porque, deveria ser meu almoço...- Precisamos conversar, mas antes preciso que se alimente.
Concordo e termino de comer.
— Então, já que não é enfermeiro, por que está aqui?- ponho a bandeja de lado.
— Pois salvei sua vida.
— Como assim? Quer dizer... como vim parar no hospital?
— Você não lembra de nada? Lembra seu nome?
— Katherine. Lembro de estar com uns amigos na praia e corremos para o mar, depois disso apaguei. Que dia é hoje?
— Segunda-feira.
— Ah, então foi ontem. O Victor está aí? Ele me convenceu...
— Katherine- ele me interrompe- você está desacordada há uma semana. Não sei quem é Victor, mas deve ser alguém importante, você o chamou antes de acordar.
— Uma semana?- estou perplexa, minha cabeça está confusa.- Alguém veio me ver? Como pude dormir por uma semana?- entro em desespero.
— Ei, calma.- ele se aproxima e toca minhas mãos, sua voz é rouca, mas doce- Acho que você se afogou Kath e eu a salvei. Ninguém veio te procurar e estamos em um hospital um pouco distante da cidade da praia.
— Devem achar que estou... morta...- as lágrimas inundam meu rosto.- O que farei Miguel? Não tenho ninguém, meus pais morreram em um acidente aéreo e moro com minha tia Ever, e, bem... se ela acha que estou morta, deve estar em um país bem distante agora... Victor é... era meu namorado...- sussurro essa última palavra.
— Farei o possível para que você volte tudo bem? Só preciso que você se recupere.
Ele enxuga minhas lágrimas, beija o topo da minha cabeça. — Descanse um pouco.- ele diz.
Assinto com a cabeça e deito. Ele se dirige até a porta.
— Miguel...- digo antes que ele gire a maçaneta. Ele vira-se.- Obrigada.- completo.
— Por nada Kath. Descanse.- ele se retira.
Encolho-me e tento processar tudo o que o Miguel me disse. Miguel... que voz doce... como um anjo, seu cheiro de mar, seus olhos, seus lábios rosados... o que estava acontecendo comigo? E por que o meu coração estava tão acelerado? — penso.- Esqueça isso Katherine. Você tem problemas maiores agora.- digo a mim mesma. Adormeço e os pesadelos voltam.
...
Pov Miguel
— Levanta preguiçoso, vamos à praia cara. — diz o Guilherme puxando meu travesseiro e atingindo-me diversas vezes com ele.
— Me deixa mano, quem vai à praia à noite? Você é louco. — puxo os lençóis cobrindo a cabeça.
— Vamos cara, deixe de maresia, a banda quer comemorar o sucesso do primeiro show da Angel’s.- ele puxa meu lençol.
[ Flash back on ]
— Você canta bem Miguel. – diz o Gabriel.
— Valeu cara. – digo mesmo sem acreditar muito naquilo.
— Deveríamos formar uma banda. — diz o Guilherme
— Sim, já temos vocalista, baterista e guitarrista, o resto a gente arranja.
— Mas qual seria o nome da banda?
— Hum... Que tal Angel’s? – Gabriel diz com um olhar distante.
— Angel’s? Mas por quê?- Guilherme questiona.
— Você é um santinho Guilherme e o Miguel e eu temos nome de anjo. Angel’s ué.- Gabriel conclui com um sorriso no rosto.
— Essa é a ideia mais idiota que eu já ouvi.- digo.- Mas gostei cara. Um brinde a Angel’s!- ergo minha lata de Coca-Cola.
Eles se juntam a mim e brindamos ao início de nossas vidas.
[ Flash back off]
— Beleza, só me espera tomar banho. – levanto-me a contragosto e vou em direção ao chuveiro, tomo um banho frio e saio. Visto uma roupa qualquer e encontro a banda na sala.
— E aí Bela Adormecida?! Pronto pra mais um show?- diz o Gabriel entregando-me o violão.
— O que?! De jeito nenhum!- protesto.
— Ei estressadinha, relaxe, é zueira vamos fazer um som de leve, só pra comemorar, guarde sua voz preciosa para o próximo show. – ele diz sarcástico.
— Vamos.
Saímos em direção a praia. Pego o violão e começamos a cantar uma de nossas musicas. A noite está linda e a Lua nova brilha, o cheiro de mar invade minhas narinas e curto cada segundo com meus amigos. Permanecemos na praia até amanhecer.
— Ei cara, vamos embora, temos um show a noite, lá na lanchonete em que criamos a banda lembra?- diz o Guilherme já andando em direção a casa.
— Vou ficar mais um pouco, podem ir. – digo e volto meu olhar para aquele imenso mar.
Todos se retiram e permaneço ali cantarolando.
Estou pronto para sair quando algo no mar me chama atenção; corro em direção a ele e percebo que, na verdade, ''algo'' é o corpo de uma garota, prontamente vou ao seu encontro e a puxo para a margem; ponho a cabeça em seu peito e tento ouvir sua respiração: sem resposta de seus pulmões... Faço todo o procedimento de salvamento que conheço, mas nada adianta. Carrego aquele corpo aparentemente sem vida, ponho no carro e vou em direção a casa.
— Pai!- estou ofegante ainda com a garota no colo. – Pai! Por favor!- grito desesperadamente e Marie, nossa empregada, aparece.
— O que houve Miguel? Ai meu Deus, quem é essa? O que houve?- ela está de olhos arregalados e, se não fosse a situação, com certeza estaria rindo de sua cara gorducha.
— Preciso de meu pai, Marie, onde ele está?
— Está no hospital, o chamaram hoje cedo.
— Chame o helicóptero Marie, preciso levá-la ao hospital agora mesmo, talvez ainda dê tempo de salvá-la...
— Sim, farei isso.
Ela se retira e espero aflito até que ouço o helicóptero chegando. Pego a garota que eu havia posto no sofá e vou em direção ao helicóptero.
— Para o hospital de meu pai, por favor.
Ponho a pequena garota numa maca e tomo sua mão.
— Você vai ficar bem. – sussurro. – eu prometo.
...
— O que houve Miguel? Recebi uma chamada de urgência. — diz meu pai assim que chegamos ao hospital.
— Essa garota pai, a encontrei na praia, acho que se afogou, já fiz tudo o que podia para acordá-la, mas ela não reage.- explico olhando para a pequena garota desacordada.
— Vou providenciar os devidos cuidados, agora se acalme, vá para casa, pegue meu carro, não há necessidade de usar o helicóptero.
— Não pai! Quero esperar, quero saber se ela ficará bem. – digo aflito.
— Tudo bem Miguel, espere aqui.
Vejo uma equipe de médicos e enfermeiros levar a garota, ainda estou preocupado, mas sei que ela está em boas mãos, sento-me na sala de espera e aguardo.
Longas horas se passam até que vejo meu pai vir em minha direção.
— Então pai?- me levanto.
— A saúde dela está estável, mas ela ainda está desacordada, de qualquer forma já fiz tudo o que podia, resta-nos esperar até que ela reaja aos medicamentos.
— Tudo bem. – suspiro profundamente.
— Volte para casa filho, você precisa descansar, venha amanha se quiser.
Assinto com a cabeça e volto para casa.
— E então... a garota está bem?- pergunta Marie.
— Não sei Marie, meu pai disse que ela está estável, mas eu não sei...
— Espero que ela fique bem.
— Eu também Marie, eu também.
Subo as escadas e entro no quarto, tomo um longo banho frio, me visto e deito na cama, penso na garota da pele alva, cabelos castanhos e cacheados, meu presente do mar e da Lua, qual será o seu nome? E sua história? Como será o som de sua voz? Adormeço mergulhado em pensamentos.
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