Para Hazel Grace
1 A dor precisa ser sentida
Notas iniciais
Para Hazel Grace,
A força que me permite escrever vem da intensidade do amor que sentimentos um pelo outro. Não queira saber como eu fiz isso possível. Hazel, o mundo é repleto de alternativas, de possibilidades, questões — este afinal, é apenas mais um mistério que terá de ser desvendado por loucos cientistas. Do lado onde não é possível que humanos vivos vejam, estou eu, observando seus passos, ouvindo pensamentos que me assustam, seu corpo lutando contra a doença, lágrimas, dificuldades, seu sorriso perfeito, e tudo o mais que há de perfeito em você e como você trata com perfeição e delicadeza, o mundo estranho em que reside. Por que, Hazel? Por que pensamos tanto em porquês? Isto acaba com a gente, além de não resolver nada. É bem mais fácil não… queremos saber a razão das coisas, aconteceu e pronto. Hora de se conformar. ACABOU. Mesmo assim, não é o fim. Olhe pra mim. Olhe pra você, ainda está aqui. Nossa história é eterna, o nosso O.K faz parte de um infinito bem maior do que existiu, maior ainda do que você achava possível existir. Eu senti quando vi você naquela droga de reunião que Isaac me mandava ir, eu juro Hazel Grace, se você não tivesse me dado a oportunidade de amá-la, não quisesse ir a minha casa e tudo o mais, a doença teria acabado comigo muito antes, mas, você me deixou viver mais um pouco, eu deixei minha marca no mundo, posso ver através do meu telescópio futurístico, que Augustus Waters — eu — está cravado em toda a parte de seu corpo e mente. Tá, tem a parte que a minha família me ama, os parentes, o Isaac, só que, desculpe o meu egoísmo, eu precisava de mais alguém, que eu amasse, vidrasse, sonhasse, entre outros ‘asse’ dramáticos que não fazem muito parte do meu vocabulário. Eu sentia um pouco do seu câncer, sabia? Quando me ligava, sorria, aproximava-se para nos beijarmos, quando sua boca saltava reflexões cheias de sentido, eu o sentia. Meus pulmões pareciam iguais ao seu, ou então que outra coisa me faria ficar com a respiração desequilibrada? É, me faltava ar nessas horas. Faça uma coisa por mim, Hazel. Antes, deixe eu confessar, eu odeio o nome Felipe. Por isso eu lhe peço: que tal dar um novo apelido ao seu comprido-azul? Se sente mesmo a minha falta, escolha meu nome. Além de receber oxigênio dos cilindros, você estará literalmente comigo em todos os lugares, eu sentirei que de alguma forma, eu possa estar ajudando a você a viver mais, para lembrar do nosso amor.
Do seu,
Augustus
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